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Tite abre o coração e detalha eliminação para a Croácia na Copa de 2022

Ex-treinador da Seleção Brasileira revelou sentimento após eliminação nas quartas de final do Mundial do Catar

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Tite durante o jogo entre Brasil e Croácia pela Copa do Mundo de 2022 • GABRIEL BOUYS / AFP

Tite, ex-treinador da Seleção Brasileira, abriu o coração e falou pela primeira vez sobre os bastidores do vestiário do Brasil após a eliminação para a Croácia na Copa do Mundo de 2022.

O gaúcho de 64 anos revelou o baque sofrido pela derrota nas quartas de final do Mundial do Catar e o questionamento pessoal após a eliminação.

“(A eliminação) Mexeu de uma maneira diferente. E eu senti bastante, mais do que o normal. Eu questionei: ‘por que eu?’. A minha espiritualidade baixou e eu não conseguia entender. Eu dizia: "não é possível". Criei uma expectativa particular muito grande, porque pegou duas Eliminatórias invictas”, disse em entrevista ao ge.

Adiante, o técnico apontou que o jogo entre brasileiros e croatas “escondeu” circunstâncias que poderiam culminar em um resultado diferente.

“O futebol, às vezes, não fala. Eu tenho o hábito de dizer que a bola fala, o jogo fala. O jogo não falou, o jogo escondeu. E, numa sequência de circunstâncias que aconteceram no jogo, a gente acabou tomando o gol. E dá o gol de empate. E eu senti bastante. Depois eu posso falar o porquê de não entrar em campo. Aí eu senti bastante. Porque a expectativa era de chegar à semifinal e à final”, afirmou.

Circunstâncias do jogo e choro após eliminação

Tite destacou que “uma série de circunstâncias” influenciaram no gol de empate da Croácia com o Brasil na prorrogação da partida. O técnico também evitou citar responsáveis pelo resultado.

“Eu não vou entrar em detalhes com nome (do jogador), porque isso dá uma conotação muito grande, e tenho que ter muito cuidado. Por quê? Porque, enquanto professor, enquanto educador, eu elogio de forma pública e corrijo de forma particular”, iniciou. 

“Essa é a convicção. Se eu venho aqui e coloco, de alguma forma estou transferindo (a culpa) e não vou fazer isso. Não corto cabeça, é meu perfil de liderança, não cuspo para cima. Dentro do vestiário, eu faço; individualmente, eu faço; na circunstância, eu faço”, finalizou o técnico.

Na sequência, o técnico revelou ter chorado durante o retorno ao Brasil após analisar o último jogo à frente da Seleção Brasileira.

“No avião, eu já peguei e disse: 'Quero ver todo o jogo e, principalmente, esses momentos finais'. Então, na minha retina, eu pegava e voltava, pegava e voltava, voltava, voltava. Eu estou dando dados informativos de novo para quem está ouvindo. Estou dando a minha opinião e me posicionando. Que cada um, democraticamente, faça a sua análise. Porém, agora ele também está tendo um outro lado, uma informação mais precisa e não aleatória”, revelou.

“Assisti detalhadamente para que eu tivesse também... Continuava a lamentação. Vocês imaginam todos os nomes que vocês têm, todas as ofensas, nomes feios. Imaginem todos. Todos eles eu falei. De lamentação. 'P... que pariu, que merda, p..., cacete'. Mas por quê? Por que eu? Depois eu me acalmei dentro do vestiário, no segundo estágio. Primeiro veio um espírito de indignação. Depois eu chorei. Eu digo: 'Pá, terminou, cara'. Depois eu fui fazer a minha oração”, continuou Tite.

“Eu lembro que as velas até tinham caído. Depois eu fui dar um abraço e passei a mensagem para todos os atletas, para toda a comissão técnica. Dei um abraço em cada um. Passei uma mensagem. A vida de vocês continua, cara. Estou terminando aqui o meu. Tenho muito orgulho da forma leal, digna, com que a gente, dentro do nosso ambiente de trabalho, falou na cara um para o outro. O quanto a gente se valorizou, o quanto a gente teve enquanto grupo. Siga o seu caminho, estou chateado, mas é da vida. Faz parte da vida”, encerrou. 

Tite pela Seleção Brasileira

  • 81 jogos
  • 60 vitórias
  • 15 empates 
  • 6 derrotas
  • 1 Copa América
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Jornalista formado pelo Centro Universitário UNA. Acumula passagens pela Web Rádio Neves FM e Portal Esporte News Mundo, como setorista do América, além de possuir experiência em coberturas in-loco e podcast. Apaixonado por automobilismo e esportes americanos.