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Seleção terá que repetir feito que só aconteceu uma vez por vaga em Paris-2024

Em sete edições do Pré-Olímpico do futebol masculino com quadrangular final, somente uma vez o time que perdeu na estreia se classificou; e foi o Brasil, para Seul-1988

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Alexsander disputa a bola com Nuñez em jogo Brasil x Paraguai pelo Pré-Olímpico • Joilson Marconne/CBF

O técnico Ramon Menezes disse que o Brasil Sub-23 só depende dele no Torneio Pré-Olímpico e o volante, e capitão, Andrey Santos falou que a derrota de 1 a 0 para o Paraguai, na segunda-feira (5), é página virada. O grupo anda acredita na classificação para a Olimpíada de Paris, no meio do ano, mas a tarefa é complicada e a história comprova isso.

Em sete edições do Pré-Olímpico do futebol masculino com o regulamento prevendo um quadrangular para decidir as duas vagas da América do Sul para os Jogos Olímpicos, somente uma vez um time que perdeu na estreia dessa fase final conseguiu a vaga. E foi o Brasil.

Entre abril e maio de 1987, na Bolívia, a Conmebol organizou a competição que classificaria para a Olimpíada de Seul, na Coreia do Sul, mais de um ano depois, entre 17 de setembro e 2 de outubro. O regulamento era igual o atual: dois grupos de cinco, com os dois primeiros de cada indo ao quadrangular decisivo.

O Brasil passou em segundo do Grupo 1, com a Colômbia em primeiro. Argentina e Bolívia avançaram na outra chave. E a Seleção Brasileira estreou na fase final perdendo para os argentinos, por 2 a 0. Só que as vitórias na sequência sobre a Colômbia e a Bolívia, ambos por 2 a 1, garantiram a vaga olímpica, junto com a Argentina.

O Brasil seria medalha de prata em 1988, perdendo a final para a União Soviética. O time no Pré-Olímpico de 1987 tinha jogadores que seriam estrelas da Seleção principal em Copas do Mundo, como Jorginho, Bebeto, Valdo e Ricardo Rocha, além de jogadores que se destacariam em grandes clubes como Zé Carlos, Evair, Mirandinha, João Paulo e Edu Marangon.

Regulamento complicado

O empate entre Venezuela e Argentina por 2 a 2, no segundo jogo do quadrangular do Pré-Olímpico em andamento, foi bom para o Brasil, que de fato vai a Paris-2024 com duas vitórias. O time enfrenta os venezuelanos, donos da casa, na próxima quinta-feira (8), às 20h (de Brasília), em Caracas, e a Argentina no domingo (11), em horário a definir.

Mas a história mostra que sair perdendo em um torneio de tiro curtíssimo não é fácil. Em 2004, um timaço Sub-23 com Diego Ribas, Robinho, Elano, Dudu Cearense, Nilmar, entre outros, comandado pelo ex-zagueiro Ricardo Gomes, técnico em ascensão, perdeu na estreia do quadrangular no Pré-Olímpico do Chile, 1 a 0 para a Argentina, e não conseguiu se recuperar.

Antes desta edição, em 1987 foi a única vez que o Brasil perdeu na estreia do quadrangular, nas seis vezes em que jogou essa fase. Antes de 1984, o Pré-Olímpico tinha outro regulamento, com todas as Seleções se enfrentando. Para as Olimpíadas de Pequim-2008 e Londres-2012, a Conmebol usou o Campeonato Sul-Americano Sub-20 como qualificatório. E na Rio-2016 a vaga ao Brasil foi direta por ser o anfitrião.

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Formado em jornalismo pela PUC-Campinas em 2000, trabalhou como repórter e editor no Diário Lance, como repórter no GE.com, Jornal da Tarde (Estadão), Portal IG, como repórter e colunista (Painel FC) na Folha de S. Paulo e manteve uma coluna no portal UOL. Cobriu in loco três Copas do Mundo, quatro Copas América, uma Olimpíada, Pan-Americano, Copa das Confederações, Mundial de Clubes, Eliminatórias e finais de diversos campeonatos.