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Richarlison diz que agora entende o peso que Ronaldo carregava na Seleção

Chateado por não marcar com a camisa do Brasil, atacante diz que quando veste esse número a expectativa é que faça muitos gols

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Richarlison com a camisa 9 da Seleção Brasileira pelas Eliminatórias
Richarlison com a camisa 9 da Seleção Brasileira pelas Eliminatórias • Vitor Silva/CBF

O atacante Richarlison, do Tottenham-ING e da Seleção Brasileira, tem se cobrado por não marcar com a camisa do Brasil. Depois de substituído na vitória de 5 a 1 sobre a Bolívia, em 8 de setembro, pelas Eliminatórias, sem anotar gol, ele foi flagrado pelas câmeras chorando no banco de reservas.

Após a partida, ele admitiu que iria procurar ajuda profissional para conseguir entender o que estava sentindo. E no Dia Internacional da Saúde Mental, nesta terça-feira (10), o site Olympics, oficial dos Jogos Olímpicos, publicou uma entrevista com o brasileiro em que fala sobre as cobranças.

"Tenho muito orgulho de vestir a camisa 9, mas agora eu sei o peso que o Ronaldo carregava e que outros grandes jogadores que vestiram a camisa carregavam. Porque quando você veste o número 9, a expectativa de que você faça gols sempre é enorme. Cada vez que você joga, você tem que dar o seu melhor, tem que tentar marcar, porque é uma camisa pesada de vestir", disse Richarlison, que sempre teve o Ronaldo Fenômeno como seu ídolo no futebol.

Ele foi o titular na Copa do Mundo do Catar, com Tite. E os números do jogador pelo Brasil não são ruins: são 46 jogos, e 20 gols. Um deles, na estreia do Mundial de 2022, contra a Sérvia, aquele golaço de voleio, que inclusive concorreu ao Prêmio Puskas, de gol mais bonito do ano passado.

Contra o Peru, em 12 de setembro, também pelas Eliminatórias, Richarlison chegou a marcar, mas o gol foi anulado com ajuda do árbitro de vídeo por impedimento. Nada que diminuísse a cobrança que o jogador faz a si mesmo.

"Quero ser lembrado como um ídolo, como alguém que honrou a camisa da Seleção. Uma pessoa que se destacou fora de campo, sempre disposta a ajudar as pessoas. Quero ser um ídolo da torcida brasileira", afirmou Richarlison.

O novo treinador da Seleção, Fernando Diniz, deu apoio a Richarlison. Após o choro contra a Bolívia o manteve como titular contra o Peru, e há boas chances de ele continuar com a 9, nos 11 que iniciam, para os confrontos contra a Venezuela, nesta quinta-feira (12), em Cuiabá, e frente ao Uruguai na próxima terça-feira (17), em Montevidéu, também pelas Eliminatórias.

"É preciso saber lidar com os comentários negativos, mas também com os positivos, para não deixar tudo subir à cabeça. Lembro de jogar com alguns sub-17 no América que estavam à minha frente e poderiam ter se profissionalizado, mas ficaram pelo caminho", disse o jogador de 26 anos, que se profissionalizou em 2015 no América, antes de ir para o Fluminense e, depois, para o futebol inglês.

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Formado em jornalismo pela PUC-Campinas em 2000, trabalhou como repórter e editor no Diário Lance, como repórter no GE.com, Jornal da Tarde (Estadão), Portal IG, como repórter e colunista (Painel FC) na Folha de S. Paulo e manteve uma coluna no portal UOL. Cobriu in loco três Copas do Mundo, quatro Copas América, uma Olimpíada, Pan-Americano, Copa das Confederações, Mundial de Clubes, Eliminatórias e finais de diversos campeonatos.