A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou, nesta segunda-feira (16), que o Muralha Paulista, tecnologia que usa imagens de reconhecimento facial e cruza com dados do Banco Nacional de Mandados de Prisão, passou a operar no Estádio do Santos.
Nesse domingo (15), no jogo entre Santos e Corinthians, pelo Campeonato Brasileiro, três homens foram presos, sendo dois por cumprimento de mandado por pensão alimentícia e um por roubos nos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul. Também nesse final de semana, houve a prisão de um homem, no Allianz Parque, por pensão alimentícia.
A parceria firmada entre a Secretaria da Segurança Pública e o clube da Baixada Santista permitiu a identificação no acesso ao estádio ingressos comprados por cambistas, uso de documentos falsos ou de terceiros, mandados de prisão em aberto ou descumprimento de ordens judiciais e sanções impostas pelo Estatuto do Torcedor.
O sistema também faz o reconhecimento de pessoas desaparecidas. Caso alguém possua alguma dessas irregularidades, o acesso ao evento é bloqueado e a Polícia Militar realiza a abordagem.
“O Muralha Paulista integra inteligência e tecnologia para garantir segurança nos grandes eventos. Isso fortalece o controle e permite uma gestão mais eficaz e segura no cumprimento de medidas judiciais. Hoje conseguimos identificar foragidos e monitorar riscos em tempo real, protegendo quem vai ao jogo para torcer”, destacou o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves.
Desde a implementação do programa Muralha Paulista nos estádios em São Paulo, mais de 2,1 milhões de pessoas foram fiscalizadas em 105 partidas, com 130 casos de descumprimento de medidas cautelares notificados e 282 foragidos da Justiça capturados.
“O monitoramento começa a ser feito desde a compra do ingresso, onde pelo sistema já conseguimos identificar se o comprador possui alguma pendência judicial”, explica o major Anderson Rodrigo da Silva, coordenador de Gestão da Informação da SSP. “A tecnologia vem para ajudar na redução da mobilidade criminal, impedindo que pessoas procuradas acessem livremente o estádio”, diz o policial.
A Vila Belmiro é mais um estádio de São Paulo a contar com o Muralha Paulista. A tecnologia já funciona em estádios como o do Palmeiras, do Corinthians, na Arena Barueri e no José Maria Campos Maia, em Mirassol.
Na última quarta-feira (11), oito homens que tentaram entrar na arena do Corinthians foram presos ao serem reconhecidos pelo sistema. Eles eram procurados por crimes como roubo, violência doméstica e não pagamento de pensão alimentícia.
A parceria também já permitiu a captura de foragidos de outros estados. Em 2024, um integrante de uma facção criminosa na Bahia foi capturado ao tentar assistir à partida entre Palmeiras e Bahia, em São Paulo. A prisão foi realizada pelo 2º Batalhão de Choque.
A iniciativa reforça o potencial do reconhecimento facial em ambientes controlados para a captura de foragidos e a redução da reincidência criminal. A partir dessas experiências, a SSP está desenvolvendo instrumentos de cooperação para que organizadores de eventos culturais e esportivos possam aderir à iniciativa, ampliando a segurança do público.
Além dos estádios, a tecnologia já foi utilizada em grandes eventos, como o festival de música eletrônica Tomorrowland e o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1.
Aumento na captura de procurados na Baixada Santista
Em outubro do ano passado, o Muralha Paulista ajudou a aumentar em 27% o número de foragidos capturados na Baixada Santista. Foram 337 prisões ou apreensões de infratores, a segunda maior marca em 25 anos. Em janeiro deste ano, foram 429 detenções.
Somando os nove municípios da região, Bertioga, Cubatão, Guarujá, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande, Santos e São Vicente, são cerca de 1,8 mil câmeras e sensores instalados estrategicamente para reduzir a mobilidade criminal e impedir a fuga dos criminosos.
Muralha Paulista
O programa Muralha Paulista opera câmeras interligadas, distribuídas entre leitores de placas, equipamentos de reconhecimento facial e dispositivos de monitoramento em tempo real. A rede integra câmeras e sensores de órgãos públicos e privados a bases de dados e indicadores de localização, ampliando a capacidade de análise e resposta das forças policiais, operacionais e especializadas.