Belo Horizonte
Itatiaia

Vendas da base e estádio impulsionam arrecadação bilionária do São Paulo

Tricolor divulgou balanço financeiro de 2025, produzido ainda sob a gestão Julio Casares; contas foram reprovadas pelo Conselho Deliberativo em março

Por
Morumbis, estádio do São Paulo, tem grande relevância para contas do clube • Gabriel Ambrós/São Paulo FC

O São Paulo divulgou o balanço financeiro de 2025, consolidado ainda sob a gestão do ex-presidente Julio Casares e reprovado pelo Conselho Deliberativo (CD) neste ano, e apresentou arrecadação de mais de R$ 1 bilhão. O faturamento expressivo foi impulsionado por vendas de jogadores, marketing e patrocínios e rentabilização do Morumbis.

As receitas cresceram 47,14% em comparação com o exercício de 2024, quando a arrecadação alcançou R$ 737,4 milhões. Além disso, houve superávit de R$ 56 milhões. No ano anterior, o déficit havia ficado em quase R$ 300 milhões.

As negociações de jogadores são a fonte mais relevante para a obtenção do resultado, especialmente as de jovens formados nas categorias de base. Descrita como "negociação de atestados liberatórios de atletas" no relatório, as vendas geraram R$ 283,7 milhões aos cofres do clube. No ano anterior, foram registrados R$ 93,3 milhões com negociações.

William Gomes, formado na base do São Paulo, foi vendido e se destaca no Porto • Divulgação/Porto
William Gomes, formado na base do São Paulo, foi vendido e se destaca no Porto • Divulgação/Porto

Outro crescimento expressivo foi o faturamento com marketing, publicidade e o Morumbis.

No setor de marketing relacionado ao futebol profissional, o São Paulo faturou R$ 211,8 milhões com publicidades e patrocínios, sócio-torcedor e outras receitas, diante de R$ 154 milhões em 2024.

A arrecadação com o estádio passou de R$ 73,5 milhões para R$ 118,9 milhões, impulsionada especialmente pelos shows de grandes artistas musicais no Morumbis.

Além disso, uma fonte de renda relevante é o faturamento com direitos de tv e transmissões, que totalizou R$ 245 milhões. Contudo, o crescimento em comparação com 2024 é pequeno (R$ 6 milhões a mais).

Conselho do São Paulo reprova contas

Mesmo com números gerais considerados positivos, o Conselho do São Paulo reprovou as contas do clube, em votação realizada em março de 2026.

Os saques em dinheiro vivo feitos pelo ex-presidente Julio Casares, que não apresentaram explicação clara, foram o principal motivo da reprovação.

A exploração indevida de ativos vinculados ao Morumbis, como camarotes, e a suspeita sobre desvios de verbas em negociações de jogadores também pesaram pela reprovação.

Todos os casos estão sob investigação policial e foram apontados no relatório de administração, feito por uma auditoria independente e pela própria administração.

Os escândalos resultaram no processo de impeachment de Casares, que renunciou ao cargo. O atual presidente do São Paulo é Harry Massis Júnior, que buscava a aprovação das contas para não dificultar os planos financeiros do clube nesta temporada, como empréstimos bancários.

Por

Rafael Oliva é formado em Jornalismo pela PUC-SP, pós-graduando em Marketing e Mídias Digitais pela FGV e produtor audiovisual. Passou por Lance! e Câmara Municipal de São Paulo. Já cobriu o dia a dia de Santos, Palmeiras e diversos eventos esportivos na cidade de São Paulo. Na Itatiaia, cobre Palmeiras, São Paulo e outros esportes na capital paulista.

Tópicos