Itatiaia

Bastidores: como o Santos enxerga a permanência no CT Rei Pelé

Novo acordo firmado em Brasília prevê concessão inicial de 20 anos do terreno, sendo renovável por mais duas décadas

Por e 
CT Rei Pelé, do Santos FC
CT Rei Pelé, do Santos FC • Divulgação/Santos FC

 

O Santos celebrou internamente o acordo firmado com o Governo Federal para a permanência do clube no CT Rei Pelé pelos próximos 20 anos, com possibilidade de renovação por mais duas décadas.

A Itatiaia apurou que a avaliação interna é de que o acordo representa, principalmente, a garantia de permanência no CT Rei Pelé, em uma área que despertava forte interesse do mercado imobiliário.

Quando a atual gestão assumiu o clube, há cerca de três anos, recebeu a informação de que o terreno onde está localizado o CT poderia ser levado a leilão. A partir daquele momento, o Santos iniciou uma série de tratativas para regularizar a situação da área e encontrar uma solução que permitisse ao clube continuar utilizando o imóvel.

O terreno tem avaliação de aproximadamente R$ 79 milhões. Durante esse processo, porém, uma incorporadora demonstrou interesse em adquirir a área para um empreendimento imobiliário, com disposição para chegar a cerca de R$ 200 milhões.

Esse cenário era considerado especialmente preocupante pelo Santos porque, em caso de leilão, o pagamento seria feito à vista. Na prática, o entendimento dentro do clube era de que seria praticamente impossível competir financeiramente com uma proposta dessa magnitude. O risco, portanto, era de o Santos perder a área e ficar sem o CT Rei Pelé.

Por isso, internamente, um dos principais resultados da negociação é justamente o fato de o leilão não ter avançado e de o clube ter conseguido construir uma solução diretamente com o Governo Federal para permanecer no local.

Outro ponto considerado favorável é o valor mensal acertado para a utilização da área: cerca de R$ 145 mil.

De acordo com estudos e levantamentos feitos durante a negociação, o valor de mercado para a locação de um terreno semelhante naquela região ficaria na casa dos R$ 400 mil mensais. Essa estimativa considera principalmente a área e não necessariamente incorpora toda a estrutura já existente no CT, que conta, por exemplo, com hotel e outros equipamentos utilizados diariamente pelo futebol profissional.

Na avaliação do clube, portanto, o valor acertado ficou significativamente abaixo do que seria necessário desembolsar para manter uma estrutura equivalente no mercado.

A manutenção da finalidade esportiva do terreno também teve peso importante na negociação.

Um dos argumentos apresentados pelo Santos durante as tratativas foi o de que a permanência do clube preservaria a destinação esportiva de uma área historicamente voltada à formação e ao desenvolvimento de atletas.

O clube sustentou que a utilização do espaço pelo Santos mantém um impacto direto na formação de jogadores, atividade historicamente associada à instituição. A presença de Pepe, Coutinho e Serginho Chulapa, representantes de diferentes gerações da história santista, no ato de assinatura realizado em Brasília nesta quarta-feira (30) também teve esse caráter simbólico.

Outro ponto destacado pelo clube é que o Santos sempre ofereceu contrapartidas ao Governo Federal pela utilização do terreno, como ações realizadas no próprio CT.

Apesar do forte interesse do setor imobiliário na área, o entendimento que prevaleceu foi o de que o acordo permite conciliar a gestão econômica de um patrimônio da União com a preservação da função esportiva do espaço.

Entenda o caso

O Santos Futebol Clube e o Governo Federal formalizaram nesta quinta-feira (1º) um acordo para regularizar a utilização do Centro de Treinamento Rei Pelé, em Santos, no litoral de São Paulo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da cerimônia de assinatura do acordo.

Pelo entendimento, o clube terá a concessão de uso onerosa do imóvel por 20 anos, com possibilidade de prorrogação por mais 20. O Santos pagará mensalmente R$ 145.167,42 à União. O valor será corrigido pelo IPCA.

Além disso, o clube reconheceu uma dívida de aproximadamente R$ 23 milhões referente ao período anterior de utilização do imóvel. O passivo deverá ser pago em 120 meses.

Com cerca de 38,9 mil metros quadrados, o terreno e as benfeitorias existentes no local são avaliados atualmente em R$ 79,76 milhões.

Considerando o valor atual da mensalidade, sem a correção pela inflação, o contrato representa aproximadamente R$ 34,8 milhões em pagamentos ao longo dos primeiros 20 anos. Somados aos R$ 23 milhões do passivo anterior, os valores chegam a cerca de R$ 57,8 milhões.

O acordo, no entanto, não prevê a venda do imóvel. A propriedade continua pertencendo à União, que receberá pela utilização do espaço e também recuperará valores referentes ao período anterior.

A solução foi construída pela Advocacia-Geral da União (AGU), por meio da Câmara de Mediação e de Conciliação da Administração Federal, a CCAF, em conjunto com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.

A negociação encerra uma controvérsia que envolvia a ocupação do terreno, as benfeitorias realizadas pelo Santos e a possibilidade de alienação do patrimônio.

O acordo também mantém a possibilidade de a União avaliar futuramente a venda do imóvel, caso deixe de existir interesse público, econômico ou social na manutenção da propriedade.

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Iúri Medeiros é formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Passou pela Gazeta Esportiva, onde estagiou e posteriormente cobriu o dia a dia do Corinthians. Além do noticiário do Timão, participou da cobertura de jogos de Palmeiras, Santos e São Paulo, além de eventos na capital paulista, como a São Silvestre. Na Itatiaia, acompanha Corinthians e Santos.

Por, Repórter

João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.

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