Presidente se pronuncia sobre rebaixamento da Mancha no Carnaval de SP
Queda acontece após prisões de membros da torcida organizada, que não tem mais relação com a presidente do Palmeiras

Presidente da Escola de Samba Mancha Verde — que tem ligação com a torcida organizada do Palmeiras — Paulo Serdan se pronunciou sobre o rebaixamento no Carnaval 2025 de São Paulo. Os resultados foram oficializados na última terça-feira (4) e, no ano passado, a escola foi a quinta colocada do desfile.
Serdan chamou a responsabilidade do rebaixamento e assumiu a culpa de a Mancha voltar ao Grupo de Acesso I após nove anos.
No entanto, o presidente analisou que a escola de samba "não fez Carnaval para ser a última colocada". Ele também comentou que houve uma mudança entre os jurados, e a Mancha "não entendeu" os novos métodos de avaliação.
"A gente não fez carnaval para o último colocado, infelizmente teve a mudança dos jurados e, talvez por incompetência nossa, a gente não conseguiu entender a maneira como eles fossem julgar. Algumas coisas a gente esperava, a alegoria, a composição que quebrou o sapato, a gente tinha algumas coisas aí, mas a gente não fez carnaval para o último colocado. Infelizmente eles não entenderam dessa forma. Passando aqui para pedir desculpa, perdão para meu povo, para minha comunidade, assumir a responsabilidade. A responsabilidade é toda minha", afirmou, em vídeo publicado nas redes sociais.
Paulo Serdan projetou o futuro da Mancha e lembrou que, em 2025, a escola completa 30 anos de existência. Ele garantiu que haverá um trabalho imediato para retornar à elite do Carnaval.
"Não é a primeira vez das dificuldades da nossa entidade, que se reergueu tantas vezes. A gente não acabou. Vamos trabalhar para estar na pista de novo e no ano que vem fazer grandes projetos. Infelizmente, no nosso ano de 30 anos. Acabou acontecendo, então mais uma vez peço desculpas e assumo toda a responsabilidade. Vamos trabalhar, o dia de amanhã já pensar que a gente vai fazer", acrescentou.
Rebaixamento ocorre após envolvimento da organizada com emboscada
A queda da escola de samba ocorreu após o envolvimento da torcida organizada de futebol com a emboscada contra a Máfia Azul, uniformizada do Cruzeiro, em outubro de 2024.
Os autos do processo da investigação feita pela Polícia Civil de São Paulo indicam a participação de 100 integrantes da torcida organizada no planejamento e execução da emboscada.
São 15 suspeitos de envolvimento no crime presos até agora, incluindo lideranças da Mancha. Jorge Luís Sampaio Santos e Felipe Mattos, ex-presidente e vice, foram detidos. A organizada está proibida de comparecer a estádios de futebol em São Paulo por tempo indeterminado.
Organizada do Palmeiras não tem mais relação com Leila Pereira
A gestão da presidente do Palmeiras, Leila Pereira, não tem relação com a Mancha, que foi uma das aliadas quando a mandatária pavimentava caminho para ser candidata à presidência.
Até 2022, a Crefisa, ex-patrocinadora máster do Verdão e empresa da presidente, apoiava os desfiles da escola de samba no Carnaval.
Logo no início do mandato de Leila Pereira como presidente do Palmeiras, ela confirmou que cortou os vínculos e revelou que pediu devolução de R$ 200 mil dados para que integrantes fossem a Abu Dhabi acompanhar Mundial de Clubes, em fevereiro de 2022.
Desde então, a torcida passou a fazer protestos recorrentes à mandatária. Em setembro de 2023, a Justiça de São Paulo concedeu medida protetiva a Leila contra três líderes da organizada. Isso ocorreu após ela sofrer ameaças graves durante uma live da uniformizada, que filmou protesto em frente à sede da Crefisa.
Rafael Oliva é formado em Jornalismo pela PUC-SP, pós-graduando em Marketing e Mídias Digitais pela FGV e produtor audiovisual. Passou por Lance! e Câmara Municipal de São Paulo. Já cobriu o dia a dia de Santos, Palmeiras e diversos eventos esportivos na cidade de São Paulo. Na Itatiaia, cobre Palmeiras, São Paulo e outros esportes na capital paulista.



