Árbitro deixa jogo após ser vítima de racismo e desabafa: 'Extremamente triste e doloroso'
Caso aconteceu em partida válida pelo Campeonato Paulista Sub-15

A partida entre Votoraty e Referência, no estádio Domênico Paolo Metidieri, em Votorantim, São Paulo, válida pelo Campeonato Paulista Sub-15, foi marcada por cenas lamentáveis. O árbitro Marcos Roberto de Jesus Nunes abandonou a partida no intervalo para prestar queixa na delegacia após ser vítima de racismo.
O ato racista partiu de um torcedor presente no local. O árbitro foi informado pela delegada da partida que o pai de um dos atletas o teria chamado de ‘macaco’ ao fim do primeiro tempo jogo, momento em que o Referencia vencia por 2 a 0.
Após testemunhas confirmarem o crime, a Polícia Militar foi acionada para identificar e deter o torcedor. Marcos Roberto de Jesus Nunes deixou a partida no intervalo para prestar queixa na delegacia da cidade. O quarto árbitro entrou como substituto para dar sequência ao jogo, que terminou com vitória do Referencia por 3 a 0.
A vítima e o infrator foram encaminhados para a delegacia, onde foi feito um boletim de ocorrência. O acusado responderá o crime em liberdade.
Árbitro se pronuncia
Após o jogo, o árbitro Marcos Roberto se pronunciou sobre o caso nas redes sociais. O profissional revelou tristeza profunda e afirmou que o racismo também precisa ser combatido no Brasil.
Leia na íntegra o pronunciamento do árbitro
"Acredito que as redes sociais servem para compartilharmos vivências e experiências, e hoje não vai ser diferente. Venho contar aqui o que aconteceu comigo no dia de hoje. Em um jogo válido pelo Campeonato Paulista de base (categoria sub-15), entre as equipes do Votoraty e do Referência, sofri um ato de racismo por parte de um pai de atleta do Votoraty. Fui chamado de MACACO, palavras que foram ouvidas claramente pela equipe de apoio e pela segurança do evento. Ouvir que isso aconteceu com outra pessoa já é extremamente triste e doloroso. Mas sentir na pele é devastador. A sensação de impotência é tão grande que te faz chorar. Hoje, ainda dentro do vestiário, cheguei a agradecer a Deus por não ter um filho, só para saber que ele não passaria por uma situação tão horrível quanto essa. Na época da Copa do Mundo, ouvi muitas pessoas dizendo que não torceriam para a Argentina porque lá eles são racistas. Olhem para o nosso próprio quintal. 0 problema que apontamos la fora também é nosso".
Karen Cristina é jornalista em formação e integra a equipe do portal Itatiaia Esporte



