Por liderança do Brasileirão, Cruzeiro precisa acabar com escrita do Santos
Cruzeirenses e santistas abrem a quarta rodada da Série A neste sábado, no Independência

Vencer o Santos, em Belo Horizonte, num estádio que não seja o Mineirão. Este é o desafio do Cruzeiro neste sábado (6), às 16h, no Independência, no confronto entre os dois clubes pela quarta rodada da Série A. E se conseguir, mais do que acabar com uma escrita de décadas, o time de Pepa pode até dormir na liderança do Brasileirão.
São 38 os jogos entre os dois clubes na capital mineira, com 14 vitórias cruzeirenses, todas no Mineirão, 12 santistas, sendo sete no Gigante da Pampulha, que foi também o palco dos 12 empates entre as duas equipes na cidade.
A soma do Mineirão dá 33 partidas, pois cinco confrontos foram jogados em outros quatro estádios de Belo Horizonte, três deles que já não existem mais, e todos elas terminaram com vitórias santistas.
Os quatro primeiros jogos entre Cruzeiro e Santos, na capital mineira, foram amistosos disputados em quatro estádios diferentes. O primeiro deles em 31 de março de 1929, com o Peixe fazendo 7 a 3 no Barro Preto. Em 10 de fevereiro de 1944, o time da Baixada fez 4 a 2 no Estádio Antônio Carlos, que pertencia ao Atlético e ficava em Lourdes.
Em 25 de fevereiro de 1951, os santistas fizeram 4 a 3 nos cruzeirenses em jogo no Estádio Otacílio Negrão de Lima, a Alameda, que pertencia ao América e ficava no Santa Efigênia.
A quadra de vitórias do Santos sobre o Cruzeiro nos quatro primeiros jogos entre os dois clubes em Belo Horizonte foi num momento especial.
Em 23 de dezembro de 1958, com Pelé já campeão do mundo, a Raposa foi reforçada pelo ídolo do Rei, Zizinho, que estava em litígio com o São Paulo, seu clube da época, numa operação que contou com a ajuda do ponta-esquerda Nívio, ex-ídolo atleticano que defendia o Cruzeiro e foi companheiro do craque no Bangu.
O encontro entre dois dos maiores craques do futebol brasileiro em todos os tempos lotou o Independência, numa noite em que Pelé brilhou intensamente, fazendo um hat-trick na vitória santista por 4 a 2. Pepe marcou o outro gols santista com Nívio e Amauri de Castro balançando a rede pelo Cruzeiro.
O Mineirão entra na história do clássico, em Belo Horizonte, em 29 de março de 1966, com a sensacional vitória de 4 a 3 dos celestes em amistoso.
No final daquele ano, a maior goleada cruzeirense no confronto, os 6 a 2 de 30 de novembro de 1966, significaram o início da conquista da Taça Brasil.
Foram 45 anos do clássico jogado apenas no Mineirão. Mas com a reforma do estádio para as Copas das Confederações (2013) e do Mundo (2014), o Cruzeiro recebeu o Santos na Arena do Jacaré, no Brasileirão de 2011, com os dois times empatando por 1 a 1, e o jogo voltou ao Independência em 2012.
Em 3 de novembro daquele ano, os dois clubes se enfrentaram pela 34ª rodada da Série A. E Neymar brilhou intensamente, repetindo a façanha de Pelé, em 1958, e fazendo um hat-trick nos 4 a 0 aplicados pelo Santos.
Pouco mais de uma década depois, o clássico volta ao Gigante do Horto. Com o Cruzeiro podendo assumir, pelo menos temporariamente, a liderança do Campeonato Brasileiro. Para isso, será necessário encerrar o tabu de perder todos os jogos disputados contra o Santos em Belo Horizonte, fora do Mineirão.
O reforço da China Azul já está garantido, pois os ingressos estão praticamente esgotados. O time de Pepa, que faz um grande início de Série A, tem, com este apoio, a chance de encerrar uma escrita que começou em 1929, percorreu quatro bairros da capital mineira e o cruzeirense espera que acabe esta tarde, no Horto.
Alexandre Simões é coordenador do Departamento de Esportes da Itatiaia e uma enciclopédia viva do futebol brasileiro
