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Grupo de pesquisa leva dossiê à FMF por reconhecimento de 1º título da história do Cruzeiro

Grupo de pesquisa leva dossiê à FMF por reconhecimento de 1º título da história do Cruzeiro

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Federação Mineira de Futebol (FMF) é a entidade máxima do futebol de Minas Gerais • Ramon Bitencurt/FMF

Um grupo de pesquisadores formado por membros do Núcleo de Pesquisa do Cruzeiro (NPC) e do Centro de História e Memória Cruzeirense (CHMC) apresentou, nesta sexta-feira (18), à Federação Mineira de Futebol (FMF), um dossiê que pleteia o reconhecimento do título estadual de 1926 ao Cruzeiro. Trata-se da primeira conquista da história do clube, que se tornaria o 40º troféu do Campeonato Mineiro.

A entidade agora realizará apreciação do material, que reúne documentos históricos, registros e jornais da época, para dar uma resposta. Oficialmente, a FMF trata o Atlético como campeão mineiro daquele ano. No entanto, dois torneios foram disputados, como argumentam os pesquisadores.

O rompimento que tirou o Cruzeiro da Liga Mineira, atual FMF

O imbróglio partiu de um rompimento envolvendo a FMF, então Liga Mineira de Desportos Terrestres (LMDT), e o Cruzeiro, então Palestra Itália. Como consequência, o clube do Barro Preto fundou, junto de outras agremiações de Belo Horizonte, a Associação Mineira de Esportes Terrestres (AMET). A equipe venceu a liga paralela e foi uma das campeãs mineiras de 1926.

Fábio Militão, que faz parte do Centro de História e Memória Cruzeirense, explicou o contexto da época e detalhou o rompimento entre Palestra Itália e Liga Mineira.

"O Cruzeiro foi disputar um torneio em Caçapava-SP, entre o Torneio Inicial e o Campeonato Mineiro de 1926. Quando o Cruzeiro volta, ele é penalizado pela Liga Mineira, no caso o presidente da liga era vice-presidente do América, o Oscar Paschoal. Ele pune o Cruzeiro por esse jogo. A punição era suspensão do Campeonato Mineiro daquele ano", disse Fábio à Itatiaia.

"O Cruzeiro rompe diretamente com a Federação. Diante disso, o Cruzeiro cria essa liga paralela, chama todos os clubes que eram renegados pela Federação e é campeão", completou.

Primeiro título da história do Cruzeiro

O torneio organizado pela AMET em 1926 teve Cruzeiro, Minas Geraes (Barro Preto), Avante (Barro Preto), Fluminense (Lagoinha), Olympic (Lagoinha), Botafogo (Floresta), Santa Cruz (Santa Tereza) e Grêmio (Prado) como participantes.

A equipe cruzeirense saiu vitoriosa depois de uma campanha de destaque, com direito a goleadas como o 9 a 1 no Fluminense e o 10 a 1 no Grêmio. O vice-campeão foi o Olympic.

Jornal da época registrou a criação da AMET • Imagem cedida à Itatiaia
Jornal da época registrou a criação da AMET • Imagem cedida à Itatiaia

Segundo Fábio Militão, a diversidade de ligas em um mesmo estado era algo normal para a época e só chegou ao fim em 1941, após um decreto do presidente Getúlio Vargas.

"Quem regulamentava as ligas naquela época, era um decreto que existia. O futebol brasileiro não era regulamentado. Quem regulamentava os jogadores, era a Confederação Brasileira de Desportos, que virou CBf nos anos 1980. Em 1941, o Getúlo Vargas decretou a Lei de Organização Desportiva, quando ele regulamentou a criação de ligas. Até então, você poderia criar várias ligas.

A AMET teve sucesso, mas durou pouco. Isso porque o Cruzeiro voltou a integrar Liga Mineira em 1927 após mudança na presidência da entidade e movimentação nos bastidores da Associação de Cronistas Desportivos, atual AMCE.

"Quem une o Cruzeiro de novo à Liga Mineira, que é o atual Campeonato Mineiro, foi a Associação Mineira de Cronistas Esportivos, porque eles insistiam dois campeonatos poderiam enfraquecer o futebol da cidade. O Oscar Paschoal saiu da presidência da Liga, a nova presidência que assumiu, convida o Palestra (Cruzeiro) para voltar. Em abril, o Cruzeiro resolve voltar", contou Fábio Militão.

Além de Fábio Militão, os pesquisadores envolvidos no dossiê são Éric Andrade Rezende, Eugênio de Alvarenga Moreira e Romero Marconi de Souza.

 

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Lucas Barbosa é repórter do portal Itatiaia Esporte. Formado pela UFOP e natural de Raul Soares-MG, tem experiência em coberturas esportivas e jornalismo hiperlocal. Apaixonado pelo futebol brasileiro e suas histórias mais profundas, também já passou por veículos de rádio e televisão.

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