Empate justo no primeiro clássico entre Cruzeiro x Atlético em 2023
Em jogo de alternância de domínio entre as equipes, talento de atacantes garantiu um ponto para cada lado.

Tudo igual no primeiro encontro entre Cruzeiro e Atlético na temporada. Em jogo bastante tenso e disputado na Arena Independência, Raposa e Galo ficaram no 1 a 1. Um resultado justo, de dois times que competiram muito, e não abriram mão de buscar o gol, cada um a sua maneira.
Paulo Pezzolano, técnico celeste, mais uma vez não abdicou do seu estilo de jogo. Montou um Cruzeiro que tinha três zagueiros de origem na defesa, sendo Lucas Oliveira pela direita, Reynaldo centralizado e Brock pela esquerda. Lá na frente, três atacantes. Bruno Rodrigues e Wesley com velocidade e com capacidade do "um contra um" pelos lados, com Gilberto como referência dentro da área.
O time marcou com linhas altas, em especial no primeiro tempo, com intensidade e passes rápidos. Uma postura de um time ligado o tempo todo no jogo, que entendeu que precisaria correr e deixar tudo em campo para compensar o desnível técnico entre os elencos.
A ideia de Pezzolano funcionou bem. Defensivamente, um time mais seguro, com Reynaldo se redimindo após a partida muito ruim diante do Pouso Alegre. Ofensivamente, Wesley e Bruno Rodrigues trabalhando para armar contra-ataques. O lance do gol da Raposa conta a participação dos dois, com a finalização do camisa 9, que até aqui na temporada é o melhor jogador do Cruzeiro. Destaque também para Ian Lucas e Wallisson, gigantes na marcação.
A pressão do Cruzeiro nos minutos iniciais do jogo pode ter surpreendido o Atlético, que precisou rifar algumas bolas. Com o passar do tempo, conseguiu equilibrar a partida, com a aproximação dos atacantes com os meias, que possuem muita qualidade.
No segundo tempo, o Atlético cresceu na partida, criou mais chances, mas ainda sim o ataque de modo geral estava deixando a desejar. Aí veio o lance crucial, com uma bobeada de Mariano e Pedrinho, que culminaram no gol do adversário.
Em desvantagem, o Galo precisou mais uma vez do seu super-herói. E lá estava ele. Em uma belíssima cobrança de falta (mais uma), Hulk apareceu no jogo para empatar o clássico. O camisa 7 é o craque do time, decisivo nos grandes duelos.
Com a igualdade no placar, os dois times deram espaço, foram para "a trocação" e criaram boas chances para fazer o segundo gol. No fim, tudo igual.
Obviamente, olhando somente pelo resultado, o empate foi pior para o Cruzeiro. Mas o volume de jogo criado e a competitividade apresentada pela equipe são elogiáveis. Empatar contra um dos melhores times do país dá moral e confiança ao time, que vive um processo gigante de reformulação. A equipe saiu aplaudida do campo. E as palmas foram merecidas.
Do lado do Galo, segue invicto o melhor time do Campeonato Mineiro, que tem um início muito promissor sob o comando de Coudet. Ainda há ajustes a serem feitos, mas em termos de intensidade e vontade mais uma vez o time não deixou a desejar. O Atlético tem muita qualidade, precisa se impor ainda mais sobre os seus adversários (com e sem a bola), mas ainda há tempo e margem para essa evolução. O técnico admitiu que o time pode jogar melhor, e eu confio que sim.
Talvez o Cruzeiro até merecesse uma sorte melhor, já que construiu a vantagem, lutou muito mesmo sendo inferior tecnicamente, e poderia ter contado com maior brilhantismo do seu goleiro. Ainda sim, pela qualidade do adversário, e das muitas chances também criadas pelo Galo, o resultado foi justo.
Nathália Fiuza é comentarista da Rádio Itatiaia e escreve diariamente aqui.
