Cruzeiro: 10º técnico na 'era SAF', Artur Jorge tenta mudar padrão no clube
Clube vive "dança das cadeiras" intensa mesmo após transformação em Sociedade Anônima do Futebol (SAF)

Artur Jorge é a nova esperança do Cruzeiro para o comando técnico. O português chegou à Toca da Raposa II para a vaga que era de Tite e é o décimo treinador contratado pelo clube celeste após a transformação em Sociedade Anônima do Futebol (SAF), em 2022.
Seja com Ronaldo ou Pedro Lourenço, a equipe ainda não conseguiu encaixar um projeto esportivo estável e de longo prazo. Havia a expectativa de que isso pudesse acontecer com Leonardo Jardim, mas o luso tomou a decisão de deixar Belo Horizonte no fim de 2025 e acertou com o Flamengo no início deste mês.
O mister, inclusive, foi o técnico com maior sucesso no Cruzeiro na "era SAF", apesar da falta de títulos. Ele conduziu o time à terceira colocação da Série A do Campeonato Brasileiro, à semifinal da Copa Brasil, implementou seu método de trabalho e teve um aproveitamento de 58%.
Jardim ficou no clube por 10 meses e, no quesito longevidade, só perde para Paulo Pezzolano. Campeão da Série B de 2022, o uruguaio permaneceu por 15 meses no cargo.
O desafio de Artur Jorge é, além de tudo, seguir no Cruzeiro por um período considerável. Ele assinou com o clube até o fim de 2027 e, durante as negociações, tratou de um projeto a longo prazo em Belo Horizonte.
"A gente apresentou para ele o projeto Cruzeiro, um projeto de longo prazo, que vem de encontro com o que o Artur Jorge busca no futebol brasileiro, no futebol mundial. Projeto sólido, que dá para ele estrutura para trabalhar, desenvolver o melhor futebol", disse Pedro Junio em entrevista no dia 19 de março.
A gestão de Ronaldo Fenômeno, iniciada em janeiro de 2022 e encerrada em abril de 2024, teve seis técnicos. Pedro Lourenço, à frente do clube há 23 meses, já se aproximou da marca do antecessor. Na soma das duas gestões, a média é de um trabalho a cada cinco meses.
Os técnicos do Cruzeiro na 'era SAF'
Paulo Pezzolano (2022/2023)
- 439 dias no cargo
- 63 jogos
- 34 vitórias
- 13 empates
- 16 derrotas
- 94 gols marcados
- 55 gols sofridos
Pepa (2023)
- 162 dias
- 25 jogos
- 7 vitórias
- 8 empates
- 10 derrotas
- 23 gols marcados
- 23 gols sofridos
Zé Ricardo (2023)
- 68 dias
- 10 jogos
- 3 vitórias
- 2 empates
- 5 derrotas
- 9 gols feitos
- 8 gols sofridos
Paulo Autuori (2023)
- 47 dias
- 6 jogos
- 2 vitórias
- 4 empates
- 6 gols marcados
- 4 gols sofridos
Nico Larcamón (2024)
- 98 dias
- 14 jogos
- 7 vitórias
- 4 empates
- 3 derrotas
- 21 gols marcados
- 13 gols sofridos
Fernando Seabra (2024)
- 167 dias
- 35 jogos
- 17 vitórias
- 8 empates
- 10 derrotas
- 51 gols marcados
- 36 gols sofridos
Fernando Diniz (2024/2025)
- 125 dias
- 18 jogos
- 4 vitórias
- 7 empates
- 7 derrotas
- 15 gols marcados
- 21 gols sofridos
Leonardo Jardim (2025)
- 314 dias
- 55 jogos
- 26 vitórias
- 18 empates
- 11 derrotas
- 76 gols marcados
- 44 gols sofridos
Tite (2026)
- 90 dias
- 17 jogos
- 8 vitórias
- 3 empates
- 6 derrotas
- 25 gols marcados
- 22 gols sofridos
O levantamento não considera as passagens interinas de Fernando Seabra, em 2023, e Wesley Carvalho, em 2025 e 2026.
Lucas Barbosa é repórter do portal Itatiaia Esporte. Formado pela UFOP e natural de Raul Soares-MG, tem experiência em coberturas esportivas e jornalismo hiperlocal. Apaixonado pelo futebol brasileiro e suas histórias mais profundas, também já passou por veículos de rádio e televisão.



