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'Vingança' em campo e Delfim herói: Atlético vai à forra e vive noite mágica de classificação

Torcedores e jogadores viveram momentos mágicos nessa quarta-feira (16), na Arena MRV

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Atlético comemora classificação contra o Santos • Pedro Souza/Atlético

A noite de quarta-feira (16) ficará marcada para sempre na memória de Gabriel Delfim, dos jogadores e dos mais de 40 mil presentes na Arena MRV para o jogo entre Atlético e Santos, pela volta das quartas de final da Copa Sul-Americana. Se na ida o atleticano teve de lidar com a provocação e voltar para casa com um amargo resultado de 2 a 0, a volta foi de catarse e êxtase. O grito após as penalidades representou, além da classificação, o sentimento de vingança.

Graças ao goleiro, que defendeu três pênaltis e que, até o fim do mês passado, não imaginava viver momentos assim nesta temporada, e ao espírito resiliente dos demais atletas, o Galo se classificou para mais uma semifinal continental. Esta é a terceira em três anos; nas duas últimas, o clube chegou à final.

Começo fulminante incendiou a Arena, mas foi só o primeiro capítulo da epopeia

Nem o mais otimista dos atleticanos - se é que ele existe -  imaginava um gol com menos de 30 segundos. Bernard aproveitou a falha de Luan Peres e incendiou a Arena MRV. A montanha começou a diminuir de tamanho.

Time do Galo reage ao primeiro gol contra o Santos • Pedro Souza/Atlético
Time do Galo reage ao primeiro gol contra o Santos • Pedro Souza/Atlético

Ainda antes da metade do primeiro tempo, a vantagem santista havia acabado: Reinier foi às redes aos 20 minutos. Bastava então mais um gol para que o Galo se classificasse ainda no tempo regulamentar. Mas não foi tão simples assim.

Nove minutos depois do tento, Lyanco marcou contra e o Santos voltou a ficar em vantagem. A tensão ficou no ar por onze minutos, até Reinier marcar de novo e deixar a eliminatória outra vez empatada.

Gabigol, Cuello e toda a euforia do mundo

O segundo tempo teve contornos de drama do começo ao fim. Gabriel Barbosa, um dos algozes da torcida atleticana, tratou de marcar em mais uma falha de Lyanco. O 3 a 2 para o Galo não era suficiente e, depois do gol do camisa 9 santista, o time da casa se desequilibrou.

Por conta da tensão, os jogadores não conseguiram manter o mesmo ímpeto ofensivo do início. Os minutos foram passando, e parecia que toda aquela euforia não teria valido de nada.

Aos 47 minutos do segundo tempo, porém, Tomás Cuello, artilheiro do Galo na temporada, marcou de cabeça e levou o jogo para as penalidades. Logo Cuello, que havia sido alvo de duas propostas da Rússia para deixar o Alvinegro há menos de uma semana. Ficou e mostrou o porquê.

Reinier celebra gol • Pedro Souza/Atlético
Reinier celebra gol • Pedro Souza/Atlético

Gabriel Delfim, o herói improvável

Em um contexto comum, o atleticano não temeria as penalidades, porque debaixo das traves o Galo conta com Everson, o herói mais provável e mais provado dos últimos anos. Lesionado, no entanto, o ídolo ficaria de fora de uma disputa de pênaltis pela primeira vez na Arena MRV.

Coube então a Gabriel Delfim, cria da base do Atlético, de 24 anos, tornar possível o improvável. Primeiro, defendeu a cobrança de Gabigol. Depois, repetiu a dose em João Schmidt e fechou a conta na penalidade batida por Arthur.

Por alguns minutos, Gabriel Delfim vestiu a camisa amarela de Everson e se transformou no ídolo atleticano. Toda a insegurança gerada pela lesão do jogador-referência virou confiança no jovem que mostrou suas credenciais da melhor maneira.

Gabriel Delfim foi herói do Atlético contra o Santos • Pedro Souza/Atlético
Gabriel Delfim foi herói do Atlético contra o Santos • Pedro Souza/Atlético

Major, você foi gigante hoje, meu irmão, fruto do seu trabalho, dedicação e humildade! Só você sabe a sua caminhada até daqui. Parabéns meu irmão, você é merecedor!

Everson para Gabriel Delfim

Delfim iguala Everson e Victor

Com esse feito, Gabriel Delfim iguala os ídolos e multicampeões Victor e Everson, goleiros que também defenderam três pênaltis em uma mesma partida pelo Galo.

Victor conseguiu o feito em maio de 2015, na disputa por pênaltis contra o Union La Calera, do Chile, também na Sul-Americana.

Já Everson fez o mesmo na Supercopa do Brasil de 2022, contra o Flamengo. Nos pênaltis “infinitos”, o goleiro defendeu três, de Arão, Matheuzinho e Vitinho, garantindo o título para o Galo.

Euforia e resposta em campo

Atlético comemora classificação contra o Santos • Pedro Souza/Atlético
Atlético comemora classificação contra o Santos • Pedro Souza/Atlético

Neymar foi protagonista na ida, com provocações ao Atlético. Na volta, o clube respondeu ao atacante com uma das grandes viradas do futebol brasileiro. Após o apito final, a euforia dos torcedores representava o sentimento de vingança, após a postura do astro santista repercutir nacionalmente na semana anterior. 

Jogadores do Atlético provocam Neymar após classificação na Sul-Americana • Divulgação/Atlético
Jogadores do Atlético provocam Neymar após classificação na Sul-Americana • Divulgação/Atlético

Em uma Arena MRV que se transformou na ‘casa das viradas’, o Galo garantiu vaga em mais uma semifinal em 2026, mais um ano 'ano de copas'. Disputará, contra o Grêmio, a vaga na final da Copa do Brasil. 

Agora, aguarda a equipe que se classificar do duelo entre Torque-URU e Cienciano-PER. Na ida, os peruanos também veceram por 2 a 0 e estão em vantagem.

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Igor Varejano é jornalista formado pela UFOP. Tem experiência em esportes e cidades no rádio e em portais. Colaborou com Agência Primaz, Jornal Geraes e Rádio Real. Atualmente é repórter do Itatiaia Esporte.

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