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Menin diz que SAF lida com herança maldita na gestão do Atlético: 'Coisa horrorosa'

Investidor do Galo criticou a administração de Alexandre Kalil e analisou a montagem de um elenco competitivo com orçamento reduzido

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Rubens Menin, investidor do Atlético, durante eleição presidencial do clube
Rubens Menin, investidor do Atlético, durante eleição presidencial do clube • Divulgação/Atlético

Investidor majoritário da Sociedade Anônima de Futebol (SAF) do Atlético, Rubens Menin afirmou, em entrevista ao ge, que a atual gestão lida com uma "herança maldita" iniciada pelas antigas administrações, ainda no modelo associativo. De acordo com o empresário, o Galo trabalha para a profissionalização de todos os setores do futebol, para a redução das dívidas e para o cumprimento do orçamento financeiro.

Na entrevista, Menin comentou sobre o endividamento exponencial do Atlético na gestão de Alexandre Kalil.

"Nós pegamos no Atlético… eu gosto de falar uma herança maldita. Mas foi mesmo uma herança maldita. Coisa horrorosa! Não adianta ganhar um título e destruir o clube financeiramente. O Atlético tem uma herança maldita, outros clubes também tiveram, e eles estão melhorando a gestão", afirmou.

Na opinião do investidor, montar um elenco competitivo sem um faturamento tão expressivo como o do Flamengo necessita muita competência e eficiência dos gestores atleticanos.

"Não tem uma facilidade, por exemplo, que o Flamengo tem, uma receita enorme. O Flamengo tem muito dinheiro. Hoje, no Brasil, é o time que tem o maior faturamento. Mas tem um orçamento bom, que dá para a gente fazer um time. Mas tem que ter muita competência, não podemos errar. A gente não pode sair contratando sem pensar, não pode ‘tira técnico, põe técnico’. Tem que ser feito com muita eficiência esse uso desse orçamento do futebol para ter um time competitivo", completou.

Libertadores é prioridade

Garantido nas oitavas de final da Copa Libertadores, o Atlético, caso precise concentrar forças em uma competição, dará maior atenção ao torneio continental, segundo Menin.

"Pode ser que aconteça entre um [Campeonato] Brasileiro e uma Libertadores, você tem que dar prioridade à Libertadores. Não só o Atlético, mas qualquer outro time brasileiro vai ter que fazer isso. Eu falei que o próximo Hulk será da base, gostaria que fosse. Tomara que seja. Você vai ter que botar a base para jogar. Quem faz isso, tem dado certo", encerrou.

'Trem da Alegria' no Mundial do Marrocos

Na mesma entrevista, Menin revelou uma história que começou a mudar nele a maneira de ver o futebol. O seu time de coração estava no Marrocos para disputar o Mundial de Clubes da Fifa, como campeão da Libertadores de 2013, mas um verdadeiro “Trem da Alegria” alvinegro, patrocinado pelo clube que era presidido na época por Alexandre Kalil, lhe provocou uma reflexão.

"Eu tenho um caso, foi em 2013, no final do ano me procuraram na época, a mim e ao Ricardo (Guimarães) para emprestar dinheiro para pagar a folha, para motivar os caras a jogarem, isso é público. Nós fomos lá e emprestamos dinheiro. Aí que começou a virada. Fomos para Marrakech ver o Campeonato Mundial, jogar contra o Bayern de Munique, tinha acabado de emprestar dinheiro para pagar a folha. Chegamos lá, a delegação do Bayern tinha quatro pessoas, sei lá, a do Atlético tinha 50 convidados, o hotel mais luxuoso, tudo por conta do Atlético, as suítes mais caras do hotel, vinho para lá. Obviamente que eu não fiquei lá, eu paguei o meu, champanhe para cá, a conta daquela viagem ficou mais cara do que a premiação que o Atlético ganhou", revelou.

Na sequência da entrevista, o empresário afirma que essa situação vivida lhe provocou muito desânimo e a certeza de que episódios como esse mostram como a cartolagem antiga "maltratou o futebol".

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