Longe da família, Cissé revela maior sonho no Brasil: 'Ir com o Galo para o Mundial'
Volante guineense não esconde desejo de trazer os familiares para o país e conquistar títulos para ajudá-los financeiramente

No Atlético desde o ano passado e promovido à equipe principal nesta temporada, o volante Mamady Cissé deixou a família em Guiné para realizar o sonho de ser jogador profissional. Antes de desembarcar em Belo Horizonte, ele atuou por dois anos na Nigéria. Valorizado no Galo e no mercado da bola, ele tem como prioridade trazer os familiares para o Brasil e, assim, amenizar a saudade.
Em entrevista à Galo TV, o jogador de 19 anos se emocionou bastante ao contar o caminho percorrido até ser uma das principais peças do Alvinegro. A situação financeira dos pais, inclusive, fez o jovem ir às lágrimas em alguns momentos da conversa. Para ajudá-los, ele tem a solução: ganhar muitos títulos e levar o Atlético à maior competição de clubes do planeta.
"A Guiné é um país que gosta de futebol. Eu morava com meus pais. Eles moram na pobreza, tá ligado? Comecei a jogar bola e abandonei a escola. Eu fiz testes em 2023 e fui jogar na Nigéria, onde fiquei dois anos, e depois vim para cá. Desde pequeno, minha vida sempre foi o futebol. O futebol aqui no Brasil é diferente da África. Aqui te dão apoio. É difícil ir para a Europa se não tem alguém para te apoiar", destacou Cissé.
Eu ficava olhando para ele e se conseguia ver que ele estava com medo do novo. O levei para tomar café da manhã. Apresentei o pão de queijo para ele. A boca dele salivou e disse que era muito bom. Aos poucos foi possível perceber que aquele olhar, que era de medo e insegurança, foi se transformando. Ele não era um menino que sorria, depois, a gente passou a vê-lo sempre com sorriso no rosto
"O futebol é minha paixão. Minha família está longe de mim, então é um sonho para mim jogar e poder ajudá-la. Não é fácil para mim. Sinto falta de todos e, assim que puder, quero trazê-los para cá. Viver longe da minha família não é fácil. Venho de uma família pobre. Minha mãe nunca me deixou jogar futebol. Foi meu pai que insistiu para que ela deixasse. Estão todos orgulhosos de mim. Quero ganhar tudo aqui, todos os troféus, e ir com o Galo para o Mundial de Clubes. É um sonho para mim. É um sonho ajudar a minha família", acrescentou.
Acolhi uma criança há um ano. Um menino tímido, que passou por uma evolução, e é uma pessoa que tem firmeza, que sabe onde está e o que quer. Dá para sentir que ele virou uma outra pessoa, um cara que sabe o seu papel
Orgulho por jogar no Atlético
Ainda durante a entrevista, Cissé destacou o orgulho que sente por vestir a camisa do Atlético. Ele ainda contou qual era a maior referência do elenco quando a notícia da vinda ao Brasil se espalhou por Guiné:
"É um orgulho para mim vestir a camisa do Galo. É um grande clube do futebol brasileiro. Quando as pessoas souberam que eu viria para cá, logo falaram 'do time que o Hulk jogava' e que eu iria jogar com um grande jogador. Eu estava feliz de jogar com o Hulk e de compartilhar o campo com ele. É um sonho pra mim jogar no Atlético Mineiro", finalizou.
O processo do Cissé - que hoje nos deixa muito felizes por estar efetivo na equipe principal e que estreou com gol na sua seleção -, sem esquecer que ainda é um atleta do Sub-20, mostra toda complexidade de todos os departamentos que envolvem o Galo

Cissé pelo Atlético
- 19 jogos oficiais
- 1 gol marcado
- 509 minutos em campo
Pelo Sub-20
- 31 jogos disputados
- 2 gols marcados
- 2.152 minutos em campo
Henrique André é repórter multimídia e setorista do Atlético na Itatiaia. Acumula passagens por Uol Esporte, Jornal Hoje em Dia e outros veículos. Participou da cobertura de grandes eventos, como Copas do Mundo (2014-18), Olimpíada (2016-2021) e Mundial de Clubes (2025).



