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Ex-Atlético, Fillipe Soutto revela como se tornou ator em série da Netflix

Ex-jogador faz parte do elenco da série “Brasil 70: A Saga do Tri”, que estreia em maio

Fillipe Soutto, ex-Atlético, em entrevista à Itatiaia

A Netflix divulgou o trailer da série “Brasil 70: A Saga do Tri’”. Uma produção de seis episódios que estreia em 29 de maio. Quem observou atentamente notou um rosto conhecido no momento que aparece Gérson, o Canhotinha. Trata-se de Fillipe Soutto, ex-jogador revelado pelo Atlético, que se aventurou na área da dramaturgia.

Essa história começa ao final do Campeonato Mineiro de 2025, em que Fillipe Soutto disputou com o Betim. Após o Estadual, o então jogador recebeu uma ligação de Oswaldo Botrel, que foi assessor do ex-atleta durante toda sua carreira. Ele foi procurado pela casting da produtora O2 Filmes, que, naquele momento, procurava possíveis dublês para uma série da Netflix.

Após 15 dias, a produtora ligou para Fillipe perguntando se ele poderia passar uma semana em São Paulo fazendo alguns testes. Até então, o ex-jogador não sabia muito bem o que se tratava, apenas que era algo relacionado a futebol. O ex-atleta, então, foi até a Capital Paulista e realizou treinos e se preparou para o teatro.

Depois, Fillipe foi chamado novamente para novos testes, mas ele negou por questão familiar. “Eu não queria ficar indo a São Paulo sem uma certeza do que aconteceria na minha vida. Ainda pensava em jogar futebol”, conta.

Passou um tempo e a produtora voltou a ligar para Fillipe. Dessa vez para informar que havia sido aprovado para ser dublê do Tostão e do Piazza. Assim, ele retornou a São Paulo.

No meio do caminho, porém, houve um problema com o ator que faria o Gérson, e perguntaram a Fillipe se ele poderia fazer o papel do “Canhotinha de Ouro” devido às suas características.

“Nos ensaios eu quebrava o galho sendo os outros canhotos. A Seleção tinha Tostão, Gérson e Rivellino. Muitas ações eram difíceis de fazer e eu estava tentando ajudar. Era difícil para mim também, porque são grandes craques. Mas, por ser canhoto e por ter sido atleta, não era tão difícil quanto era para os atores”, relata.

Embora a produtora tenha reconhecido que Fillipe tinha condição de fazer o papel de Gérson, ele não tinha a vivência da atuação. Portanto, pediram para o ex-atleta pegar firme na dramaturgia. O ex-volante fez um novo teste e foi aprovado para ser o “Canhotinha de Ouro”.

“Eu não tive dificuldade com o roteiro, porque eram falas mais curtas e o tema é familiar. Linguagem de vestiário, hotel, aeroporto, jogo… Tem muitas coisas que são naturais no meu dia a dia. Tem a questão da época. As gírias, o carioquês… exigiam uma atenção, mas era legal, porque havia muito ator carioca com personagens mineiros”, conta.

“O Tostão, por exemplo, é mineiro. Eu ajudava o ator que fez o Tostão, o Ravel Andrade, e cariocas, como o Guilherme Ferraz, que é o Jairzinho, e o Daniel Blanco, que é o Rivellino, me ajudavam com as falas do Gérson. E também as pesquisas. Tem muitas coisas que se falam hoje e que na época não se falava ainda. E coisas que se falavam antigamente que hoje não são faladas mais”, acrescenta.

Outra novidade para Fillipe naquele momento era ter que andar disfarçado na vida real para manter o sigilo da produção. Ele precisou deixar a costeleta crescer e manter o visual do personagem. Por isso, andava de boné e não postava nada nas redes sociais.

“Na época, eu não podia falar nem que estava em São Paulo fazendo isso. Vários vizinhos, amigos e primos me perguntaram o que eu estava fazendo em São Paulo, e eu disse que estava fazendo um curso. Nem entrava em muitos detalhes para não revelar. Só minha esposa, meus filhos, meus pais e pessoas mais próximas sabiam o que realmente estava acontecendo.

Nova rotina

Acostumado com a rotina de treino, concentração e jogo, Fillipe passou a viver a rotina do audiovisual, com 12 horas de gravação e uma hora de almoço. Além disso, ele viveu as novas experiências de ser maquiado todos os dias e ter que imitar alguém.

Se um dia, Fillipe Soutto conviveu com Ronaldinho, Réver, Leonardo Silva e Richarlyson, durante aqueles dias ele passava o dia a dia com “craques” da dramaturgia, como os atores Rodrigo Santoro, Bruno Mazzeo e Marcelo Adnet, os diretores Paulo Morelli, Pedro Morelli e Kiko Meireles, além de roteiristas e operadores de câmera.

“O Bruno Mazzeo é uma grande referência que eu tenho, principalmente porque é filho do Chico Anísio, um cara muito envolvido na comédia, ator renomado, diretor e um cara que vive o audiovisual desde que nasceu, por influência dos pais. O Rodrigo Santoro, que é um dos melhores atores brasileiros da história, que fez filme em Hollywood. É muita gente de nichos completamente diferentes”, afirma.

“Uma rotina muito desgastante e intensa. Eu rapidamente me ambientei e fiz amigos. A maioria dos atores morava no mesmo flat, porque quase todos eram de fora. Então, estávamos juntos o tempo inteiro. Almoçamos juntos, passávamos a gravação e a preparação juntos”, completa.

Carreira de Fillipe Soutto no futebol

Fillipe Soutto foi revelado pelas categorias de base do Atlético. Chegou ao Galo em 1996, com apenas cinco anos de idade, para jogar na escolinha de futsal do clube no Labareda. Em 2002, passou na peneira e ingressou na “academia” atleticana.

O ex-volante sempre foi visto como um dos destaques da base alvinegra e foi alçado ao profissional em 2009. Manteve vínculo com o Atlético até 2016, mas passou por cinco empréstimos:

  • Vasco (2013)
  • Joinville (2014)
  • Náutico (2015)
  • Linense (2016)
  • Londrina (2016)

Durante esse tempo, Fillipe Soutto fez parte do elenco vice-campeão brasileiro de 2012, que contava também com Ronaldinho Gaúcho.

Prêmios individuais de Fillipe Soutto durante seu período no Atlético:

  • Revelação do Troféu Globo Minas (2011)
  • Melhor volante do Troféu Guará (2011)
  • Revelação do Troféu Guará (2011)

Fillipe Soutto também atuou em:

  • Red Bull Brasil
  • Ituano (foi campeão da Série B do Campeonato Brasileiro)
  • Brusque
  • Botafogo-SP

“Eu sou muito grato. Guardo com um carinho enorme. Sou nascido e criado em Belo Horizonte, na base do Atlético. Joguei no clube em que fui criado, clube do coração. Faço meu primeiro gol num clássico na Arena do Jacaré, com meus pais, minha irmã e minha namorada, que hoje é a minha esposa, no estádio assistindo ao jogo. Eu realizei muitos sonhos e guardo com um carinho enorme mesmo pelo que a torcida sempre fez por mim. Pela consideração, carinho e respeito”, declara.

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Volta às telas?

Hoje, Fillipe Soutto é executivo de futebol do Botafogo-SP e, embora esteja focado para a temporada 2026, ele não descarta trabalhar na frente das câmeras novamente.

“Eu tive que me caracterizar e cabelo, barba e tudo era de acordo com o personagem. Poucos eram calvos, e no meu caso era. Então, eu brincava que estava pronto para ser alguém em 1994 e 2002. Se quiserem, estou aqui.”

“Eu não posso falar que nunca mais vai acontecer, eu não sei. Tenho que focar no meu trabalho no Botafogo, mas estou aberto a convites. Estou muito feliz aqui e quero deixar um legado no clube, no futebol e no lado humano.”

Rômulo Giacomin é repórter multimídia da Itatiaia. Formado pela UFOP, tem experiência como repórter de cidades da Região dos Inconfidentes, e, na cobertura esportiva, passou por Esporte News Mundo, Estado de Minas, Premier League Brasil e Trivela.

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