Atlético: Paulinho ergue o punho contra o racismo após gol decisivo
Jogador fez o gesto simbólico depois do segundo gol contra o Athletico-PR, pela Libertadores

Decisivo na vitória do Atlético sobre o Athletico-PR na noite desta terça-feira (23), em jogo no Mineirão, em Belo Horizonte, pela quarta rodada do Grupo G da Copa Libertadores, o atacante Paulinho comemorou o segundo gol sobre o Furacão com um gesto contra o racismo.
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Aos 42 minutos do segundo tempo, após marcar o segundo gol da vitória por 2 a 1, Paulinho correu para a linha lateral e tirou a camisa na comemoração. Depois, pouco depois de levar o cartão amarelo pela retirada do uniforme, o jogador ergueu o punho cerrado - símbolo do movimento antirracista. Ele fez os dois gols do triunfo de virada.
Ídolo do Atlético, o ex-atacante Reinaldo chegou a fazer nessa segunda-feira (22) um pedido para os jogadores comemorarem gols com o punho cerrado. O jogador, que atuou entre 1973 e 1988, comemorava os gols desta forma.
"Estou me sentindo frustrado, revoltado com o que estão fazendo com o Vinícius Júnior. Não podemos ficar de braços cruzados diante do racismo. Vocês conhecem a minha luta. Faço um apelo a todos os atletas, independentemente do clube que joga, da cor da pele, do partido político ou da nacionalidade. Comemore o gol com o punho cerrado. É uma demonstração de combate ao racismo. Vini Jr., estamos com você", disse Reinaldo.
Racismo contra Vini Jr.
No último domingo (21), o atacante Vinícius Júnior, do Real Madrid, sofreu insultos racistas durante jogo contra o Valencia no Mestalla, pela 35ª rodada do Campeonato Espanhol. A partida foi paralisada aos 27 minutos da segunda etapa. O atacante começou a discutir com torcedores enquanto outros jogadores tentavam acalmar o brasileiro.
Foi possível ouvir os gritos de "Mono" (macaco, em espanhol) por parte da torcida do Valencia. O árbitro conversou com oficiais da organização da partida e o jogo foi interrompido.
O sistema de som do estádio anunciou a paralisação do duelo devido ao comportamento dos fãs do Valencia e pediu que a torcida desse fim às "manifestações racistas". Houve um novo aviso até que, depois de cerca de oito minutos, a partida foi retomada, com Vini Jr em campo.
A partir das repetidas demonstrações racistas, o jogo ficou nervoso. Vini Jr. foi provocado pelo goleiro geórgio Giorgi Mamardashvili, que foi punido com o cartão amarelo. Os jogadores trocaram empurrões no campo.
No fim do confronto, porém, o brasileiro, revoltado e desestabilizado pelos rivais, foi expulso depois de desentender com o atacante Hugo Duro, em quem acertou o braço. Ele levou amarelo, mas após revisão do lance pelo VAR, foi expulso nos acréscimos.
O problema envolvendo a torcida espanhola não é novidade. Vinicius Júnior já foi vítima de inúmeros casos ao longo da sua trajetória pelo clube espanhol.
Vinícius responde
O jogador foi às redes sociais após o ocorrido e desabafou. "Não foi a primeira vez, nem a segunda e nem a terceira. O racismo é o normal na La Liga. A competição acha normal, a Federação também e os adversários incentivam. Lamento muito. O campeonato que já foi de Ronaldinho, Ronaldo, Cristiano e Messi hoje é dos racistas".
"Uma nação linda, que me acolheu e que amo, mas que aceitou exportar a imagem para o mundo de um país racista. Lamento pelos espanhois que não concordam, mas hoje, no Brasil, a Espanha é conhecida como um país de racistas. E, infelizmente, por tudo o que acontece a cada semana, não tenho como defender. Eu concordo. Mas eu sou forte e vou até o fim contra os racistas. Mesmo que longe daqui", completou.
Matheus Muratori é jornalista multimídia com experiência em muitas editorias, mas ama a área esportiva. Faz cobertura de futebol, basquete, vôlei, esportes americanos, olímpicos e e-sports. Tem experiência em jornal impresso, portais de notícias, blogs, redes sociais, vídeos e podcasts.
