Atlético 'junta os cacos' após eliminação e busca recuperar ânimo para final da Sula
Apesar da frustração pela queda para o Grêmio na Copa do Brasil, o Alvinegro ainda tem a oportunidade de conquistar um título continental daqui a 14 dias

O Atlético está eliminado da Copa do Brasil. O Galo empatou por 1 a 1 com o Grêmio na noite deste sábado (7), na Arena MRV, mas, com o resultado, não conseguiu reverter a desvantagem no placar agregado e se despediu da competição, derrotado por 3 a 1 no confronto.
Apesar da frustração, o Alvinegro ainda tem a oportunidade de conquistar um título nesta temporada. Daqui a 14 dias, a equipe comandada pelo técnico Eduardo Domínguez enfrentará o Boca Juniors-ARG na decisão da Copa Sul-Americana.
A missão de recuperar a confiança da torcida e, principalmente, do elenco, no entanto, não será simples. Até então, o Atlético não havia acumulado três derrotas consecutivas na temporada. Agora, porém, perdeu cinco dos últimos seis jogos, sequência que inclui uma derrota em casa para o Cruzeiro e a eliminação na Copa do Brasil diante do Grêmio, que ocupa a 18ª colocação do Campeonato Brasileiro.
O momento contrasta com a transformação vivida pela equipe ao longo dos últimos meses. Depois de um início de temporada turbulento sob o comando de Jorge Sampaoli, o Galo conseguiu mudar de cenário a partir da vitória por 3 a 1 sobre o Cruzeiro, no Mineirão. Já com Eduardo Domínguez, o time emplacou uma sequência de 14 partidas de invencibilidade, venceu o Palmeiras fora de casa e recuperou jogadores que, até então, não viviam seus melhores momentos.
Reinier foi um dos exemplos dessa retomada. O meia passou a atuar mais próximo do gol, encontrou espaço no ataque e chegou à marca de dez gols. Bernard também ganhou protagonismo e se tornou o artilheiro da equipe na temporada, com 11 tentos. Até Gabriel Delfim aproveitou a oportunidade recebida durante a ausência de Everson e despontou como uma grata surpresa.
A vitória sobre o Santos, em meio à reação atleticana, também teve papel importante na mudança de perspectiva. O resultado fortaleceu a confiança de um elenco que voltou a acreditar na possibilidade de repetir o feito de 2024 e alcançar duas finais de competições eliminatórias na mesma temporada.
O desgaste, entretanto, cobrou seu preço. Com um calendário intenso e uma sequência pesada de compromissos, o Atlético passou a conviver com problemas físicos e perdeu peças importantes. Fred, Reinier, Everson e Ruan Tressoldi estiveram entre os jogadores que desfalcavam a equipe. No setor ofensivo, a situação se agravou: o Galo foi a Porto Alegre sem um centroavante de ofício, já que Thiago Borbas e Mateo Cassierra também estavam entregues ao departamento médico.
Atlético x Boca Juniors
Agora, todas as atenções se voltam para a Sul-Americana. O Atlético garantiu presença na decisão, mas a caminhada até a final também deixou sinais de alerta. Na partida de volta contra o modesto Montevideo City Torque-URU, por exemplo, o time foi derrotado por 2 a 0, no Uruguai, e voltou a apresentar dificuldades justamente em um momento decisivo.
Do outro lado estará o Boca Juniors, um dos gigantes do futebol sul-americano, hexacampeão da Libertadores e bicampeão da Sul-Americana. O desafio, portanto, exigirá muito mais do que ajustes táticos de Eduardo Domínguez.
O treinador terá duas semanas para reorganizar a equipe, recuperar jogadores e, sobretudo, reconstruir a confiança de um grupo que viu a temporada ganhar contornos dramáticos em poucos dias. Será preciso evitar que a sequência negativa comprometa a preparação para a decisão.
Um título sobre o Boca Juniors significaria a redenção após três temporadas consecutivas marcadas por vice-campeonatos, além da oportunidade de reafirmar o protagonismo do Atlético no cenário continental.
Rômulo Giacomin é repórter multimídia da Itatiaia. Formado pela UFOP, tem experiência como repórter de cidades da Região dos Inconfidentes, e, na cobertura esportiva, passou por Esporte News Mundo, Estado de Minas, Premier League Brasil e Trivela.



