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Atlético busca ser o maior tetra do Mineiro, Cruzeiro quer afirmação e América menor intervalo entre títulos

Estadual de 2023 começa com clubes da capital, todos integrantes da Série A, com objetivos bem definidos na disputa

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Atlético, Cruzeiro e América buscam o título com objetivos diferentes
Atlético, Cruzeiro e América buscam o título com objetivos diferentes • Montagem - fotos de Pedro Souza/Atlético, Vinnicius Silva/Cruzeiro e América/Divulgação

Integrantes da Série A, América, Atlético e Cruzeiro entram na disputa do Campeonato Mineiro com motivos bem definidos para que o título do Estadual de 2023 possa ter um significado bem especial caso passe a integrar suas respectivas galerias de troféus.

Atual tricampeão mineiro em sequência, com as conquistas de 2020, 2021 e 2022, o Galo busca ser o único clube de Minas Gerais a somar três tetracampeonatos da competição.

E o que anima o torcedor alvinegro é que nas duas vezes anteriores a soma não parou nas quatro taças.

Ser tricampeão foi um grande trauma para o Atlético, que teve a chance de alcançar a sequência pela primeira vez em 1928, mas perdeu a taça para o Palestra Itália. Depois, até o início dos anos 1950, por mais cinco vezes (1933, 1940, 1943, 1948 e 1951) o Galo foi bicampeão, mas fracassou na hora da terceira conquista, que já tinha sido alcançada pelos seus três grandes rivais.

Isso acabou em 1954, com o clube sendo tetra, no ano seguinte (1955), e fechando a maior série de títulos da chamada Era Independência com o penta, em 1956, numa edição em que a taça foi dividida com o Cruzeiro nos tribunais por causa da utilização de um jogador sem documentação regular pelos alvinegros.

O segundo tetra atleticano foi na maior sequência de taças do Profissionalismo, iniciada em 1933. Entre 1978 e 1983 o Atlético foi hexacampeão estadual, chegando ao quarto título em 1981.

Agora, o clube alvinegro tem a chance do seu terceiro tetracampeonato em 2023. Esta sequência já foi alcançada pelo Cruzeiro duas vezes, no penta entre 1965 e 1969, e logo depois entre 1972 e 1975.

O América tem um único tetra, ainda no Amadorismo, entre 1916 e 1919, dentro da série do deca, encerrada apenas em 1925. O Villa Nova ganhou quatro taças de 1932 a 1935, sendo em 1933 o primeiro campeão mineiro do Profissionalismo.

Afirmação

No caso do Cruzeiro, mais do que impedir o tetra do maior rival e encerrar a hegemonia atleticana no Campeonato Mineiro, o título estadual de 2023 teria a marca da afirmação num momento em que o clube passa por um processo de reconstrução com a SAF comandada por Ronaldo.

Após ficar fora das semifinais do Estadual em 2020, primeiro ano após o rebaixamento à Série B, e cair na briga pela presença na decisão em 2021, diante do América, a Raposa foi finalista ano passado, mas perdeu a taça para o Atlético numa final em jogo único.

Mas a boa campanha no Estadual foi o ponto de partida do time de Paulo Pezzolano, que brilhou na Série B e conquistou um título que acabou com o sofrimento azul na Segunda Divisão nacional.

Neste processo de renascimento, seria sem dúvida um momento especial para o Cruzeiro e o cruzeirense vencer o Campeonato Mineiro de 2023, competição que, assim como nos anos anteriores, começa com um favoritismo incontestável do Atlético.

Menor distância

Após o deca, alcançado em 1925, o América ganhou apenas seis títulos do Campeonato Mineiro, isso num universo de quase 100 anos, sendo o último em 2016, numa decisão contra o Atlético. E se levantar a taça em 2023, será o título com o menor intervalo de tempo da história americana no Profissionalismo.

Após o título de 1925, o Coelho só voltou a ser campeão em 1948, encerrando um jejum de 23 anos, o maior do clube na competição. Foram necessárias mais nove temporadas para os americanos fazerem a festa pelo Estadual em 1957.

A primeira taça no Mineirão foi em 1971, 14 anos após o único troféu conquistado na Era Independência. Em 1993, o clube encerrou seu segundo maior jejum sem vencer o Campeonato Mineiro, de 22 anos, garantindo o título.

A menor sequência americana sem ser campeão estadual foi de oito anos, entre 1993 e 2001. A última taça, em 2016, foi garantida após um jejum de 15 anos.

Agora, o América tem a chance de voltar a ser campeão mineiro com apenas sete anos de intervalo, o que seria o menor do clube em quase um século. Não só por isso, mas pelo momento especial que vive o clube, a taça de 2023 é especial para o Coelho.

Competição especial pelo fato de os três clubes da capital estarem na Série A do Brasileirão, o Campeonato Mineiro que começa neste sábado tem um sabor especial para Atlético, Cruzeiro e América.

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Alexandre Simões é coordenador do Departamento de Esportes da Itatiaia e uma enciclopédia viva do futebol brasileiro