Bahia completa 95 anos, celebra a história e mira protagonismo esportivo
Relembre fundação, títulos, crises e reconstrução de um dos clubes mais tradicionais do Brasil

A chegada de um novo ano tem um significado especial para o torcedor do Bahia. Nesta quinta-feira (1º), o Esporte Clube Bahia completa 95 anos de história, marcados por conquistas, crises profundas, reconstruções e, mais recentemente, pela entrada em um projeto de alcance global.
Fundação
O clube foi fundado no dia 1º de janeiro de 1931, por ex-atletas do Clube Bahiano de Tênis e da Associação Atlética da Bahia, sob o slogan “Nascido para vencer”. A ideia começou a ser desenhada semanas antes, em 8 de dezembro de 1930, quando quatro ex-jogadores do Clube Bahiano de Tênis e um da Associação Atlética da Bahia se encontraram casualmente no Cabaré do Jokey, em Salvador.
Impedidos de seguir praticando o futebol após o encerramento dos departamentos da modalidade em seus clubes de origem, o grupo passou a discutir a criação de uma nova agremiação.
A fundação oficial ocorreu semanas depois, em reunião com a presença de profissionais liberais, funcionários públicos, jornalistas, microempresários e estudantes. O médico Waldemar Costa foi escolhido como o primeiro presidente do clube.
A primeira partida oficial aconteceu em 1º de março de 1931, contra o Ypiranga, pelo Torneio Início do Campeonato Baiano. O Bahia venceu por 2 a 0 em um duelo que teve duração de apenas 20 minutos.
Conquistas
A partir daquele dia, o clube construiu uma trajetória marcada por títulos e relevância nacional. Ao longo dos 95 anos, o Bahia conquistou dois títulos do Campeonato Brasileiro (1959 e 1988), cinco da Copa do Nordeste (2001, 2002, 2017, 2021 e 2025) e 51 do Campeonato Baiano.
Período turbulento
Democratização e 'Era City'
Como ocorreu em outros períodos da trajetória, a retomada começou a partir de conquistas e mudanças estruturais. Um dos marcos fora de campo foi a democratização do clube em 2014, quando o Bahia iniciou um processo de reformulação política.
No ano seguinte, Marcelo Sant’Ana tornou-se o primeiro presidente eleito de forma direta, sendo, à época, um dos mais jovens dirigentes do futebol brasileiro. A gestão foi marcada pela reconstrução administrativa e pela modernização dos processos internos, reduzindo a influência do amadorismo político no futebol.
O trabalho teve continuidade com Guilherme Bellintani, vice-presidente em parte da gestão anterior, que presidiu o clube entre 2018 e 2023. Bellintani elevou o patamar administrativo e social do Bahia, embora tenha enfrentado críticas pelo desempenho esportivo irregular.
O principal marco da gestão foi a negociação com o City Football Group, que resultou na venda de 90% da SAF, em um acordo que previu o pagamento de cerca de R$ 300 milhões em dívidas históricas e investimentos bilionários a longo prazo.
Durante a gestão de Bellintani, o Bahia também se consolidou como referência nacional em responsabilidade social, com campanhas contra o racismo, a homofobia e em defesa de causas ambientais e populares, reforçando a imagem de “clube do povo”.
Bellintani ainda entregou o Centro de Treinamento Evaristo de Macedo, a Cidade Tricolor, localizado em Dias D’Ávila, na região metropolitana de Salvador, após longa disputa judicial envolvendo a antiga sede, o Fazendão.
O ponto mais baixo da gestão ocorreu em 2021, com o rebaixamento para a Série B do Brasileirão. O próprio Bellintani reconheceu erros na avaliação do elenco, admitindo que o clube acreditou ter um grupo suficiente para permanecer na Série A.
O período também ficou marcado por trocas frequentes de treinadores, campanhas instáveis no Brasileiro e eliminações precoces na Copa do Brasil e na Copa do Nordeste, o que gerou desgaste com a torcida.
Metas para 2026
Em 2026, ano em que completa 95 anos, o Bahia entra em uma fase de consolidação do projeto do Grupo City. Após os primeiros anos de ajustes estruturais e investimentos iniciais, o foco passa a ser a transformação do poder financeiro em dominância esportiva.
No campo esportivo, as metas são mais ambiciosas. O clube trabalha com a perspectiva de consolidação no G6 ou até no G4 do Campeonato Brasileiro, deixando de ser apenas um postulante ocasional a vagas continentais.
A infraestrutura também será um dos pilares de 2026. O clube deve avançar nos preparativos do novo Centro de Treinamento em Camaçari, a City Football Academy, um investimento estimado em cerca de R$ 300 milhões.
A expectativa é que o local se torne o mais moderno da América Latina, com início das obras pesadas previsto para este ciclo e entrega final projetada para 2027.
Aos 95 anos, o Bahia celebra uma história marcada por resiliência, identidade popular e capacidade de se reinventar. Entre memórias do passado e ambições futuras, o clube entra em um novo ciclo tentando transformar estrutura e investimento em protagonismo esportivo.
O elenco do Bahia se reapresenta nesta segunda-feira (5), quando inicia a preparação para a temporada 2026. Neste ano, o Tricolor disputará o Campeonato Baiano, a Copa do Brasil, o Campeonato Brasileiro e a Copa Libertadores.
Lincoln Oriaj é correspondente da Itatiaia em Salvador e cobre o futebol do Nordeste. Antes da Itatiaia, fez a ASCOM do Botafogo/BA e colaborou em TVE, ge.globo e Jornal A TARDE.



