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Vasco enfrenta resistência de credores contra plano de pagamentos apresentado à CBF

Cruzmaltino fez oferta de pagamento de dívidas em até R$ 10 milhões por ano até 2038

Por, Rio de Janeiro (RJ)
Pedrinho, presidente do Vasco
Presidente do Vasco, Pedrinho • Dikran Sahagian / Vasco

A tentativa do Vasco de aprovar seu terceiro plano coletivo de pagamento de credores junto à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da CBF enfrenta uma forte ofensiva jurídica. A proposta enviada pela SAF vascaína, que estabelece um teto anual de desembolso de R$ 10 milhões até o ano de 2038, gerou uma onda de manifestações contrárias por parte de clubes e agentes de jogadores, que agora cobram maior rigor do órgão fiscalizador no julgamento do caso.

O processo entrou em fase decisiva após o encerramento do prazo para manifestações das partes nas últimas duas semanas. Enquanto a CNRD se prepara para proferir uma decisão em breve, o ambiente é de desconfiança entre os credores.

O grupo de oposição inclui rivais como Fluminense, Santos e RB Bragantino, além de empresas de agenciamento de peso, como a Link (do agente André Cury), OTB e Guadagno Sports. Todos rechaçam as condições oferecidas, que recentemente se somaram a outro aporte de R$ 10 milhões já iniciado pelo clube para quitar acordos anteriores.

O cerne das críticas reside na falta de transparência orçamentária e na ausência de garantias sólidas que assegurem o cumprimento do cronograma até 2038. Os credores argumentam que o plano falha em demonstrar viabilidade econômico-financeira real, apontando uma contradição entre a alegação de escassez de recursos e o alto investimento na contratação de reforços em janelas recentes.

Incentivo à inadimplência

Para os advogados das partes interessadas, o modelo proposto pelo Vasco promove uma subatualização da dívida e funciona, na prática, como um incentivo à inadimplência.

A situação tornou-se ainda mais sensível com as atualizações recentes na lista de credores. Entre fevereiro e março de 2026, novos débitos que somam cerca de R$ 1,7 milhão foram incluídos no plano, o que dilui o montante disponível para os demais beneficiários.

Segundo o escritório Trengrouse Gonçalves Advogados, em contato com o portal ge, essa inclusão compromete as projeções de pagamento, uma vez que o limite sugerido pelo clube passaria a ser repartido entre um número maior de credores, baseando-se em eventos financeiros incertos e reduzindo as expectativas de recebimento individual.

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Jornalista esportivo desde 2006 e com passagens por Lance!, Extra e assessorias de marketing esportivo. É correspondente da Itatiaia no Rio de Janeiro. Tem pós-graduação em Jornalismo Esportivo e formação em Análise de Desempenho voltado para mercado.

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