Portuguesa-RJ denuncia racismo e violência contra goleiro em jogo da Série D
Bruno Rodrigues sofreu um traumatismo craniano e teve que sair do estádio de ambulância

A Portuguesa-RJ foi às redes sociais na noite desse sábado (4) para denunciar episódios de racismo e violência sofridos pelo goleiro Bruno Rodrigues na derrota por 1 a 0 para o São José-RS, no estádio Francisco Novelletto, em Porto Alegre, pela terceira fase da Série D do Campeonato Brasileiro.
Na volta do intervalo da partida, o árbitro ativou o protocolo de racismo após o goleiro denunciar gritos com injúrias raciais provenientes da torcida do adversário. Segundo a súmula do jogo, não foi possível identificar o autor das ofensas e a partida reiniciou após quatro minutos. Leia a súmula ao final da matéria.
Já nos acréscimos da etapa final, aos 47 minutos, Bruno foi empurrado pelo atacante do São José, Igor Cássio, e bateu a cabeça contra a mureta do estádio. O protocolo de concussão foi acionado e o goleiro foi encaminhado, de ambulância, a um hospital.
Após avaliações médicas, foi constatado um traumatismo craniano. Bruno foi liberado para retornar ao Rio de Janeiro com a delegação e encontra-se bem.
No comunicado oficial, a Portuguesa reforçou a indignação com casos de racismo e violência no futebol.
“Repudiamos o racismo. Repudiamos a violência. O futebol não pode ser palco para nenhum dos dois. Toda a Associação Atlética Portuguesa está ao lado do nosso goleiro.” Leia a nota na íntegra abaixo:
“NOTA DE REPÚDIO — RACISMO E VIOLÊNCIA NÃO
A Associação Atlética Portuguesa vem a público manifestar seu mais profundo repúdio e indignação diante dos graves episódios envolvendo o nosso goleiro Bruno durante a partida contra o São José.
Na volta do intervalo para o segundo tempo, enquanto estava posicionado em campo, nosso atleta foi vítima de uma manifestação racista vinda do setor onde se encontrava a torcida organizada adversária.
A Portuguesa não tolera, não aceita e repudia com absoluta veemência qualquer forma de racismo ou discriminação. O futebol deve ser um ambiente de respeito, união e igualdade. Não há espaço para o racismo no esporte e em nenhum lugar da sociedade.
Já nos minutos finais da partida, Bruno se posicionou para defender uma bola próxima à linha de fundo quando o atacante adversário veio por trás e o empurrou contra a mureta do estádio. Com o impacto, nosso goleiro bateu a cabeça e precisou ser imobilizado pela equipe médica, colocado na ambulância e encaminhado ao hospital.
Em razão do ocorrido e da necessidade de atendimento médico imediato, Bruno ainda não pôde prestar seu relato sobre o episódio de racismo sofrido durante a partida.
Neste momento, a Associação Atlética Portuguesa aguarda novas informações sobre o estado de saúde do atleta e, assim que houver uma atualização oficial, comunicará aos torcedores, familiares e à imprensa.
Repudiamos o racismo. Repudiamos a violência. O futebol não pode ser palco para nenhum dos dois.
Toda a Associação Atlética Portuguesa está ao lado do nosso goleiro.
FORÇA, BRUNO! ESTAMOS COM VOCÊ!”
Leia a súmula da partida:
“Informo que antes do início do 2º tempo foi acionado o protocolo de racismo, onde o jogador da Portuguesa nº 31 sr. Bruno Rodrigues Rernandes informou a mim árbitro da partida Ivan Guimarães que, onde se encontrava a torcida do São José foi pronunciado por 3 vezes a palavra negro, onde o mesmo se sentiu ofendido, o protocolo foi cumprido de forma correta com avisos no auto falante do estádio, posteriormente os gritos foram sanados, reitero que não foi possível identificar os envolvidos e o jogo reiniciou normalmente.
Informo que aos 47 minutos do segundo tempo, após uma falta a favor da equipe da Portuguesa-RJ houve um choque do goleiro o sr. Bruno Rodrigues Fernandes nº31 contra a mureta do estádio, onde o mesmo bateu com a cabeça e teve que ser acionado o protocolo de concussão cerebral, o mesmo foi encaminhado ao hospital mais próximo para realização de exames, porem digo que fui informado pelo médico e enfermeiras da ambulância que o mesmo saiu do campo de jogo consciente, a substituição da concussão foi realizada aos 48 minutos do 2º tempo onde saiu o atleta de nº31 e entrou o atleta de nº01 da equipe da Portuguesa.”
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Giovanna Rafaela Castro é jornalista graduada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Amante de esportes e suas diversas ramificações no extracampo. Passagem por Estado de Minas.



