Filipe Luís, do Flamengo, dispara contra gramados sintéticos: 'O futebol é dos jogadores'
Ex-lateral, agora treinador, criticou condições dos gramados naturais e pediu regulamentação para elevar o nível do futebol no país

A discussão sobre a qualidade dos gramados no futebol brasileiro voltou à tona após a goleada do Flamengo por 5 a 0 sobre o Maricá, no último sábado (22), pelo Campeonato Carioca. O técnico Filipe Luís abordou o tema em entrevista pós-jogo, destacando a necessidade de uma regulamentação mais rigorosa para a qualidade dos gramados naturais e defendendo o uso de sintéticos apenas em situações específicas.
O ex-jogador, que teve passagens marcantes pelo futebol europeu, ressaltou a importância da união dos jogadores na busca por melhorias estruturais. Para ele, os atletas ainda não têm noção do poder que exercem dentro do futebol, mas podem pressionar por mudanças.
"O futebol é dos jogadores. Precisamos exigir gramados naturais de qualidade. Se um clube não oferece boas condições, deve ser multado. Na Europa, isso é regra e aqui deveria ser também", afirmou Filipe Luís, referindo-se a exemplos de ligas estrangeiras que impõem padrões de infraestrutura aos clubes.
A polêmica sobre gramados sintéticos tem sido um dos principais tópicos no futebol brasileiro em 2025, com opiniões divergentes entre dirigentes, jogadores e comissões técnicas. Filipe Luís reconheceu que, em algumas situações, o gramado artificial pode ser uma solução viável, especialmente para as categorias de base, onde as condições de campo são frequentemente precárias.
"Nos torneios de base, onde os gramados são piores, o sintético pode ser uma saída. Mas para clubes com estrutura e investimentos, a exigência tem que ser outra. Se queremos vender um produto de qualidade para fora, precisamos de gramados naturais bem cuidados", completou.
A fala do treinador do Flamengo ecoa um discurso recente de Abel Ferreira, técnico do Palmeiras, que também defendeu maior regulamentação para garantir a qualidade dos gramados naturais no Brasil. Para Filipe Luís, a evolução do futebol brasileiro passa por investimentos estruturais e decisões mais firmes das entidades responsáveis.
"O Brasil evolui a passos lentos porque falta coragem para tomar decisões. Se queremos um campeonato forte, precisamos de ações concretas, como ocorre na Espanha e em outros países. Lá, todos os clubes são obrigados a manter gramados de alto nível, caso contrário, são penalizados", argumentou.
A declaração de Filipe Luís reforçou um movimento crescente entre atletas e treinadores contra a precariedade dos gramados no Brasil. Nomes como Neymar, Gabigol, Lucas Moura e Thiago Silva já se manifestaram publicamente contra o uso de grama sintética em competições profissionais, apontando impactos negativos na dinâmica de jogo e no desgaste físico dos jogadores.
André Stehling escreve em colaboração com o portal Itatiaia Esporte


