Textor dispara sobre multa de R$ 1 milhão em acordo com o STJD
A defesa do proprietário da SAF do Botafogo entrou em acordo com a Justiça Desportiva em processo que denunciou Textor por não comprovar as acusações de manipulação de resultados

Nesta quinta (27), a Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e a defesa de John Textor, proprietário da SAF do Botafogo, homologaram o acordo pelo pagamento da multa de R$ 1 milhão no processo que denunciou o empresário por não comprovar as acusações de manipulação de resultados e por ofensas. O norte-americano posicionou-se sobre o caso.
Após a partida contra o Racing-ARG, no Nilton Santos, John Textor disparou sobre o caso, reforçando que as acusações que fez foram, sim, provadas, e citou a prisão de William Rogatto.
A denúncia do STJD
Textor foi denunciado após conclusão de inquérito que investigava as denúncias feitas por ele por supostas manipulações de resultados em jogos do Campeonato Brasileiro. Apesar das alegações foram feitas com base em uma empresa de inteligência artificial e sem apresentar provas substanciais.
A Procuradoria denunciou John Textor por dar causa, por erro grosseiro ou sentimento pessoal, à instauração de inquérito na Justiça Desportiva (artigo 221 do CBJD) e ofensa à honra de terceiros perante a imprensa e redes sociais (artigo 243-F em cinco momentos distintos).
- Artigo 221 do CBJD: Dar causa, por erro grosseiro ou sentimento pessoal, à instauração de inquérito ou processo na Justiça Desportiva. PENA: suspensão de quinze a trezentos e sessenta dias à pessoa natural ou, tratando-se de entidade de administração ou de prática desportiva, multa de R$ 100 a R$ 100 mil.
A fim de melhor instruir especificamente à conduta de denunciação caluniosa enquadrada no art. 221 do CBJD, a Procuradoria requer que sejam renovados os ofícios expedidos para a Sportradar e para a Fifa a fim de esclarecer se ambas analisaram ou identificaram alguma atividade suspeita nas partidas citadas nos relatórios da Good Game apresentado por Textor. Além disso, que seja concedido prazo razoável para que o denunciado responda as 35 perguntas formuladas pelo Auditor Processante do inquérito.
- Artigo 243-F do CBJD: Ofender alguém em sua honra, por fato relacionado diretamente ao desporto. PENA: multa, de R$ 100 a R$ 100 mil, e suspensão de uma a seis partidas, provas ou equivalentes, se praticada por atleta, mesmo se suplente, treinador, médico ou membro da comissão técnica, e suspensão pelo prazo de quinze a noventa dias, se praticada por qualquer outra pessoa natural submetida a este Código.
Para a Procuradoria, nitidamente Textor ofendeu a honra de pelo menos cinco agentes: Ednaldo Rodrigues, Presidente da CBF; os clubes Palmeiras, São Paulo e Fortaleza, bem como face ao árbitro Bráulio da Silva Machado, que apitou a partida Botafogo x Palmeiras, realizada em 01/11/2023.
Confira, na íntegra, o posicionamento de John Textor:
"Vocês já cobriram tribunais esportivos antes. Quando se faz um acordo, é preciso pagar. Espero que usem o dinheiro bem. Minha relação com a CBF está bem. Não sei para onde o dinheiro vai. Espero que vá para bolsa de estudos dos funcionários, que alguém possa ser educado com o dinheiro.
A história precisa ser sobre o que se tratava, de uma afirmação falsa de que eu fiz acusações falsas sobre manipulação de resultados, que não foram apenas provadas aos procuradores, mas há um homem que foi à televisão e admitiu que seus funcionários manipularam jogos nossos e de outros times em 2023. E em outros anos anteriores.
Esse homem foi preso em Dubai, a Interpol o pegou. Eu falei com a Interpol sobre os crimes que ele foi acusado e que são alegados. É um pouco irônico que eu tenha que pagar uma multa por falsas acusações que agora se provaram verdades, o homem está preso, foi extraditado e está voltando com um laptop cheio de evidências. É parte de uma prática global muito grande de manipulação de resultados.
O que eu gostaria, e pediria aos jornalistas, quando escreverem sobre a multa, entendam que foi uma questão de manipulação de resultados. Alguém admitiu e foi preso por isso. Ele é um de muitos. O Brasil está liderando. É um problema global. Esse cara foi preso há três meses, está em Dubai esperando extradição e ninguém escreve sobre isso. Se o Brasil quer dar o exemplo, vocês têm que escrever sobre isso. A multa é uma pequena quantidade de dinheiro, espero que vá para um lugar bom. Meu caso foi provado. Fui justificado. Esse é um homem de muitos que os procuradores têm, e eles têm bem mais do que só William Rogatto."
Chefe de reportagem e ex-correspondente da Itatiaia no Rio de Janeiro. Apaixonado por esportes, pela arquibancada e contra torcida única.



