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John Textor critica ex-parceiros e pede nova chance no Botafogo: 'Sucesso'

John Textor conversou com exclusividade com a reportagem da Itatiaia

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John Textor concedeu entrevista exclusiva à Itatiaia
John Textor concedeu entrevista exclusiva à Itatiaia • Clement Mahoudeau/AFP

John Textor chegou no Botafogo, investiu, viu o time ser campeão, mas também se envolveu em polêmicas e, recentemente, foi destituído de poderes no clube. A Itatiaia entrevistou com exclusividade o empresário estadunidense, que segue relevante entre parte da torcida. Ele se mantém propenso a retomar o posto de dono da SAF e segue disparando críticas aos oponentes. Nesta décima parte, ele credita os problemas financeiros atuais do Glorioso ao que classifica como uma escolha errada de parceiros de negócios. E afirma merecer uma segunda oportunidade no comando do futebol alvinegro.

Durante a sua gestão, o Botafogo conquistou a Copa Libertadores e o Campeonato Brasileiro, mas a dívida do clube também aumentou. Você acredita que esse aumento foi um investimento calculado ou um problema que saiu do controle?

"Foi um pouco das duas coisas. Porque, se você imaginar um banco de três pernas e o modelo multiclubes funcionando bem, compartilhando jogadores, compartilhando dinheiro, sabendo exatamente quando o dinheiro que você enviou para a França vai voltar - e sabendo quando… é como se alguém puxasse uma das pernas do banco. Aquilo que era bonito e estável, de repente, desaba. E essa é a natureza do nosso modelo multiclubes, porque você nunca pode antecipar que, mesmo com o conselho, com a governança, com tudo dizendo que estamos vinculados contratualmente, a Ares e Michelle Kang (atual presidente do Lyon) simplesmente possam dizer: 'Ok, vamos tirar o Lyon disso tudo e começar uma disputa envolvendo o Brasil.' Então, quando você pergunta se saiu do controle, foi isso que saiu do controle. Porque o dinheiro não voltou quando deveria.", analisou Textor, antes de completar:

"Não era tanto dinheiro assim. O valor líquido que nos era devido provavelmente gira em torno de 30 milhões. Mas o que mudou foi o momento em que esse dinheiro entraria, porque o plano era que cerca de 100 milhões viessem para cá e, depois, com o tempo, nós devolveríamos dinheiro para eles.", acrescentou.

John Textor costuma dar respostas longas. E, neste caso, ele mesmo faz uma analogia sobre como funciona o modelo de negócios em que o Botafogo foi inserido.

"Voltando à sua pergunta, porque ela é sobre dívida. Eu acredito que seres humanos são seres humanos. Jogadores são seres humanos. Eles não podem ser comprados e vendidos. Mas os contratos deles podem. Os direitos sobre os serviços esportivos deles. Esses são ativos. É um estoque. O que é muito diferente no meu modelo de administrar um clube de futebol é que ele se parece muito com administrar uma empresa de brinquedos. Quando você quer colocar muitos brinquedos nas prateleiras, formando estoque para o Natal, todo vendedor de brinquedos toma muito dinheiro emprestado.", afirmou o empresário. E adicionou:

"Desde que o valor do seu estoque seja maior do que a dívida que você contraiu para comprar esse estoque, e desde que você tenha um estoque de alta qualidade, saiba girá-lo, vendê-lo e gerar lucro, como nós estávamos fazendo… aumentar a dívida relacionada aos jogadores, desde que o valor do elenco esteja crescendo em um ritmo maior é um modelo de negócios muito bom. Não para um clube isolado porque um clube isolado pode sofrer se um atleta romper o ligamento do joelho… mas, em um grupo de clubes, essa estratégia teve muito sucesso ao conquistar títulos no Brasil, nos recolocar na Liga dos Campeões na França e ajudar o Crystal Palace a conquistar um título na Inglaterra.", citou como exemplos.

John Textor, portanto, entende que o modelo tem exemplos de sucesso, mas admite que pode ter problemas no trajeto. Ele faz outra analogia, novamente culpando as outras partes envolvidas na sociedade em que ele estava.

"O que você não pode fazer no meio de um modelo multiclubes é um parceiro dizer: 'Pronto, acabou', e isso acontecer completamente de surpresa. Porque um modelo multiclubes - e essa é uma crítica que se faz ao modelo... você conhece a expressão 'castelo de cartas'? Você constrói um castelo de cartas. É o castelo de cartas mais bonito, a escultura mais bonita. Mas, se um dos seus parceiros de confiança assina secretamente um documento, como Michelle (Kang) e a Ares fizeram, em 7 de julho de 2025, e não conta para ninguém, e existe um plano para retirar a carta que está na base desse castelo de cartas… bem, essa é a vulnerabilidade do nosso modelo de negócios. Esse foi o meu erro, porque eu trouxe os parceiros errados para o Botafogo.", afirmou, admitindo o que entende como uma própria falha.

Atualmente, o Botafogo já olha para um futuro sem John Textor. Tem negociado para pôr fim aos transfer bans aplicados pela Fifa enquanto negocia reforços que só poderão ser inscritos quando tais punições forem retiradas. Mas o estadunidense não desiste.

"Eu mereço uma segunda chance? Eu acredito que sim porque acredito que os torcedores devem confiar em mim. Acredito que tivemos sucesso juntos. Não foi fácil. Eu reconstruí este clube. Temos muito orgulho dele agora. Aí o clube social aparece, decide que quer assumir tudo de novo. Bem, eles simplesmente vão destruir tudo de novo. E o parceiro deles (Gabriel de Alba) é um homem do dinheiro, que só quer ganhar, quer transformar 25 milhões investidos em mais de 50 milhões, e quer fazer isso rapidamente. E isso não é apropriado.", disparou, criticando o dono da GDA - empresa com a qual a SAF alvinegra entrou em acordo para ser a gestora. e emendou:

"Então, sim: acho que mereço outra chance porque resolvemos esse problema, provamos isso, aparecemos com um capital excelente, saudável, não vindo de um credor, mas de um dos proprietários mais inteligentes do futebol. Então este é um time dos sonhos (com Kia Joorabchian e Evangelos Marinakis). Estou ansioso por isso. Todos nós acreditamos no Brasil. Todos nós sabemos administrar esses clubes. Todos nós sabemos contratar os melhores talentos. E, se os torcedores e o clube social decidirem apoiar esse plano, vamos contratar os melhores jogadores que o Brasil já produziu, se pudermos.", destacou antes de prometer:

"Vamos disputar com Palmeiras e Flamengo a contratação dos maiores talentos do Brasil para sempre. E eu já provei isso. E o Marinakis provou isso muito mais do que eu."

 
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Correspondente digital da Itatiaia no Rio de Janeiro. Formado na PUC Rio, já cobriu clubes e negócios do esporte, além de ter experiência como assessor de imprensa e editor de texto. Se o esporte move paixões, ele pode mudar vidas.

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