De olho no futuro, Botafogo aprova aumento de capital da SAF; entenda
Noite da última quinta-feira foi importante para o futuro alvinegro

A SAF do Botafogo aprovou, na última quinta-feira (24), em Assembleia Geral Extraordinária (AGE), o aumento de seu capital social em R$ 2 milhões. A operação prevê a emissão de 200 milhões de novas ações ordinárias Classe B, ao preço de R$ 0,01 por ação. A medida pode reduzir a participação da Eagle na SAF alvinegra.
De acordo com nota divulgada pelo clube, as ações subscritas pelos acionistas "deverão ser integralizadas em moeda corrente nacional em até três dias úteis" a partir da respectiva subscrição. Segundo o clube, o objetivo é contribuir para a recomposição do fluxo de caixa diante da atual situação econômico-financeira e do contexto de Recuperação Judicial (RJ).
Com a aprovação, começa a correr o prazo para que os acionistas exerçam o direito de preferência na aquisição das novas ações. Botafogo e Eagle terão 30 dias para manifestar interesse na subscrição.
Caso a Eagle não exerça seu direito de preferência, as ações que não forem subscritas poderão ser adquiridas pelo clube associativo. Nesse cenário, a participação da empresa na SAF será diluída.
A operação é considerada uma etapa importante da reorganização societária do futebol alvinegro e pode abrir caminho para a futura entrada da GDA Luma no controle da SAF.
Eagle não votou na AGE
Apesar de ainda deter 49% das ações da SAF na estrutura societária atualmente considerada no Brasil, a Eagle não possui direitos políticos por determinação da Justiça do Rio. Por isso, não participou da votação da AGE.
A empresa teve representantes observadores na AGE. O presidente do Botafogo associativo, João Paulo Magalhães, votou a favor do aumento de capital.
Operação acontece em meio à disputa com Textor
A aprovação do aumento de capital aconteceu um dia depois de John Textor tentar impedir judicialmente a realização da AGE. O empresário havia proposto um aporte de US$ 100 milhões na SAF e pedido a suspensão da assembleia. Isso além de questionar o preço de R$ 0,01 atribuído às novas ações. A Itatiaia havia publicado em primeira mão.
Textor sustenta que continua sendo proprietário de 90% das ações da SAF e contesta a participação da Eagle na companhia. Uma decisão da Justiça da Flórida declarou nulo o contrato de compra e venda firmado entre o empresário e a Eagle BidCo. Assim, reconheceu Textor como proprietário das ações. No Brasil, porém, a situação societária segue sendo objeto de disputa judicial.
A Justiça do Rio manteve a realização da AGE. A assembleia ocorreu nesta quinta-feira e aprovou o aumento de capital.
GDA Luma no horizonte
O aumento de capital também se insere no processo de reorganização que pode levar a GDA Luma, grupo liderado pelo empresário Gabriel de Alba, ao controle da SAF Botafogo. Glorioso e GDA têm um acordo vinculante de investimentos, mas a transferência do controle acionário ainda não foi concluída. A eventual diluição da participação da Eagle na companhia é uma etapas que pode facilitar a reorganização societária da SAF.
Veja o texto publicado pelo Botafogo:
"A SAF Botafogo informa que realizou, nesta quinta-feira (24), Assembleia Geral Extraordinária (AGE), em primeira convocação, na qual foi aprovado o aumento do capital social da Companhia mediante a emissão de novas ações ordinárias da Classe B, todas nominativas e sem valor nominal. As ações subscritas pelos acionistas deverão ser integralizadas em moeda corrente nacional no prazo máximo de três dias úteis a contar da respectiva subscrição
A medida tem como objetivo contribuir para a recomposição do fluxo de caixa da Companhia considerando sua atual situação econômico-financeira e o contexto de recuperação judicial, inclusive para o cumprimento de obrigações correntes."
Correspondente digital da Itatiaia no Rio de Janeiro. Formado na PUC Rio, já cobriu clubes e negócios do esporte, além de ter experiência como assessor de imprensa e editor de texto. Se o esporte move paixões, ele pode mudar vidas.



