Belo Horizonte
Itatiaia

Das estrelas aos anônimos: Textor exalta mudança de perfil no Botafogo

Proprietário da SAF confirma que prioridade é a manutenção do atual elenco, mas afirma que confia no departamento de scout para encontrar novos reforços

Por
John Textor no gramado do estádio do Patronato, em Entre Ríos, na Argentina
John Textor no gramado do estádio do Patronato, em Entre Ríos, na Argentina • Vítor Silva/Botafogo

O Botafogo vai para a sua terceira janela de transferências sob a gestão de John Textor, e há uma mudança clara no perfil de reforços buscado pelo clube neste período. Se o norte-americano, principal investidor da SAF alvinegra, já sonhou com as chegadas de estrelas mundiais, como Cavani e James Rodríguez, hoje conta com o trabalho do departamento de scout para trazer mais "anônimos".

Relembrando a reação de parte da opinião pública ao longo do último ano às contratações feitas pelo Botafogo, como as de Tiquinho Soares, Eduardo e Lucas Perri, Textor exaltou o trabalho desenvolvido por Alessandro Brito e André Mazzuco, Head Scout e Diretor de Futebol, respectivamente, que foram dois dos primeiros profissionais contratados pela SAF para tocar o departamento de futebol do clube.

"Vocês lembram que quando eu cheguei estava pronto para trazer Cavani, Zahavi, estava atrás do James Rodríguez, falava que eram aqueles jogadores com 2% de chances. Amo que tenhamos esse elenco de jogadores "sem nome". Toda vez que contratamos, alguns de vocês disseram: “Quem?”"

"E, agora, olha no que eles se tornaram. Quem nesse time de anônimos seria substituído pelo Cavani? Não tenho certeza. Isso mudou, em certo aspecto", seguiu John Textor, exaltando o processo no clube.

"Temos um ótico scouting, com ótimos dados, vídeos e grande equipe. Estamos contratando nomes que ninguém ouviu falar, que ninguém pensou em contratar, e agora cantam músicas como “ahn ahn", finalizou o empresário, referindo-se à música do Segovinha, e arrancando risadas dos jornalistas.

A mudança de perfil acontece depois de um forte investimento no elenco em 2022, mesmo sem a contratação de "estrelas mundiais". O Botafogo fez mais de 20 contratações desde o início da SAF e, atualmente, tem mais de 85% do elenco formado por jogadores que chegaram ao clube neste período.

Lucas Perri, Adryelson, Cuesta, Marçal, Tchê Tchê, Eduardo, Victor Sá, Tiquinho Soares... Não faltam exemplos entre os atletas que formam a base da equipe que lidera o Campeonato Brasileiro e está viva na Copa Sul-Americana. Mesmo com a boa fase e um grupo grande à disposição, Textor não descarta trazer mais reforços, por mais que a prioridade seja a manutenção do elenco atual.

"Eu não falo especificamente sobre novos jogadores. Tem alguns setores que precisamos de jogadores. Aqui no Brasil, cartões amarelos são dados com muita frequência, então temos jogadores pendurados sempre. É incrível o quão rápido você fica sem profundidade em alguns setores. Então, é nesses que estamos buscando", respondeu Textor em entrevista nesta quarta (12), no Nilton Santos.

Atualmente, o clube trabalha pela chegada de um lateral-direito, uma vez que Rafael sofreu uma grave lesão e não deve mais atuar nesta temporada. Mas, segundo Textor, uma preocupação também existe.

"Há também uma situação em que os nossos líderes no meio-campo se machucam ou são suspensos. O estilo de jogo muda muito com a perda de algum desses jogadores. Eu peço pro scout imaginar o que acontece se perdermos jogador X ou Y. Como podemos fazer uma transição?", afirmou.

Se abriu espaço na folha salarial com as saídas de Daniel Borges e Douglas Borges, negociados, e Lucas Piazon e Joel Carli, cujos contratos se encerraram, o Botafogo contratou Diego Hernández, meia uruguaio, que, inclusive já estreou nesta quarta (12), diante do Patronato-ARG, na Copa Sul-Americana.

Por

Jornalista e correspondente da Itatiaia no Rio de Janeiro. Apaixonado por esportes, pela arquibancada e contra torcida única.

Acompanhe Esportes nas Redes Sociais