Artur Jorge faz balanço do trabalho, destaca 'paixão' e busca pelo 'espetáculo' no Botafogo
Com o time próximo da final da Libertadores e na disputa do título do Campeonato Brasileiro, Artur Jorge completa seis meses no Glorioso

Técnico do Botafogo desde abril, Artur Jorge está comandando a equipe carioca em uma temporada que promete ser histórica. Ao fazer um balanço dos seis meses de trabalho no Glorioso, o português destacou a paixão da torcida e revelou o motivo de não abrir mão de uma equipe que "propõe um jogo alegre" seja qual for a partida.
"Nós teremos um Botafogo sempre igual, onde quer que fosse e contra quem quer que fosse. É uma questão de abordagem ao jogo, a qual nos desafiamos enquanto equipe. É uma proposta que fiz aos atletas, tive que expor o porquê, as razões, os prós e contras. Os jogadores aceitaram e tiveram coragem para dizer sim. Já tivemos resultados ruins em casa e fora. Não é isso. Acima de tudo, é a proposta que temos que levar para o jogo", iniciou Artur Jorge em entrevista a BotafogoTV.
O Glorioso ainda alia o desempenho com ótimos resultados. Afinal, o time é semifinalista da Libertadores - e venceu o Peñarol por 5 a 0 no jogo de ida - e lidera o Campeonato Brasileiro.
Os números do Botafogo sob comando de Artur Jorge:
- 44 jogos, com 25 vitórias, 12 empates e sete derrotas
- Aproveitamento de 66% dos pontos (87 de 132 possíveis)
- 68 gols a favor e 36 gols sofridos
- 18 partidas sem sofrer gol
- 7 partidas sem marcar gol
Para Artur Jorge, o estilo de jogo propositivo está ligado aos resultados e, portanto, a sua equipe seguirá tendo o protagonismo, o jogo ofensivo, como principio inegociável.
Confira, abaixo, outras declarações do técnico Artur Jorge à BotafogoTV:
Seis meses de trabalho no Botafogo
"Cada vez mais tem mostrado que foi uma aposta certeira, a que eu tive, também, de fazer parte desse glorioso clube, de ter a oportunidade e lutar por objetivos maiores. Esse é o nosso compromisso. Definimos objetivos alcançáveis. Estamos com dois grandes objetivos diferentes, vamos lutar por eles, mas o balanço é muito positivo. O que mais me tem surpreendido é a paixão de toda torcida. Tem me feito viver momentos que nunca vivi. Nem como futebolista nem como treinador. Tem sido uma intensidade, uma energia muito contagiante, muito positiva, espero que seja assim, que possa ser uma caminhada feita em conjunto e que termine em títulos."
Postura ofensiva do seu time
"Há uma coisa que aprendi ao longo de minha vida. O futebol é espetáculo. A paixão que vejo nos atletas, mas acima de tudo nos torcedores, é vivida intensamente durante os 90 minutos. Com o pré-jogo e pós-jogo, são quatro horas de intensa alegria, de paixão forte pelo clubes. Nós temos que contribuir para isso. Tenho dificuldade em perceber uma proposta que não tenha como objetivo seja espetáculo. Criar um espetáculo para quem venha assistir. Tem que se divertir.
Nós sempre conseguimos. Há jogos em que fomos monótonos. Mas, acima de tudo, quem olhar para este Botafogo terá uma ideia de que é uma equipe alegre, dinâmica, que se ao jogo para dar um espetáculo dentro das quatro linhas. Nós temos sentido em casa, mas também fora com nossos adversários, o espetáculo que existe na arquibancada. A forma de contribuir para isso é ter uma equipe determinada em ganhar jogos. Uma equipe que propõe ao jogo, que possa ser intensa dentro de campo, que possa ser viva, alegre e fluída. É isso que me da gosto de trabalhar e fazer.
Sobre fazer em casa ou fora, há esse aspecto. Há equipes com uma cultura muito mais defensiva, que não propõem um jogo próximo do espetáculo que queremos, mas que eu entendo e aceito. A abordagem que nós teremos, enquanto Botafogo, em casa ou fora, será do princípio ao fim exatamente igual. Propor um jogo alegre, um jogo para ganhar, um jogo que tenha esse componente de espetáculo."
O intervalo contra o Peñarol
"Às vezes, olhamos só para a substituição de homem por homem. Pode ser uma substituição de mentalidade, posicional, e isso pode fazer toda diferença. De forma geral, eu conheço meus atletas. Tenho que sentir o jogo, saber aquilo que propomos e o plano proposto para o jogo. Há uma série de fatores que nos levam a abordagem do intervalo, que são muito variáveis. Já cheguei a intervalo muito puto. Há momento de dar uma dura neles e há momentos que é preciso mais carinho, incentivar dentro daquilo que está a ser feito.
Neste jogo do Peñarol, foi uma primeira parte amarrado, sem grandes oportunidades. Por aquilo que é a competição, em que um erro se paga caríssimo, precisávamos de duas coisas. Um ajuste posicional, no meio de campo, para sermos mais eficientes defensivamente, e aumentar a velocidade para conseguir criar espaços e jogadores nesses espaços. Precisávamos de uma fração de segundos antes de ter a decisão mais adequada. A velocidade existiu e conseguimos encontrar os espaços e tomar decisões melhores para desmontar a linha defensiva de seis homens.
Foi o que os disse. Continuem a acreditar no plano, continuem a trabalhar em uma velocidade acima. Nós gostamos da intensidade e deixamos entrar um jogo mais partido, com mais quebra e cera, confusão. Nós não queremos isso. Nós queremos jogar. Queremos o espetáculo. Quando conseguimos isso, mais perto ficamos dos gols e depois veio o aproveitamento."
Chefe de reportagem e ex-correspondente da Itatiaia no Rio de Janeiro. Apaixonado por esportes, pela arquibancada e contra torcida única.



