Na mais confusa final de Estadual da história, Atlético conquistou seu primeiro tricampeonato
Campeonato Mineiro de 1954 foi decidido numa melhor de 25 pontos entre os dois rivais

Desde 1931, quando fizeram a primeira final direta de Campeonato Mineiro entre eles, o maior período sem que Atlético e Cruzeiro se enfrentassem pelo título estadual foi entre as decisões de 1940, vencida pelos cruzeirenses, e a de 1954, quando o Estádio Independência entrou nessa história quase centenária.
Foram quase 15 anos entre essas duas finais, sendo a de 1954, sem dúvida, a mais confusa de toda a história do Campeonato Mineiro, que teve a sua primeira edição em 1915.
O Estadual de 1954 teve três turnos, e o vencedor de cada um deles garantia dez pontos na final, que foi disputada numa melhor de 25 pontos. O Cruzeiro venceu dois turnos, somando 20 pontos. O Atlético, um, ficando com 10. Na decisão, cada vitória valia 5 pontos e o empate, 2,5 para cada.
Assim, os cruzeirenses estavam a uma vitória do título. Os atleticanos, que lutavam pelo primeiro tricampeonato da sua história, precisavam vencer três jogos.
Na primeira partida da final de 1954, que só ocorreu no ano seguinte, o Galo venceu por 2 a 0, em 17 de abril de 1955. Depois se igualou ao Cruzeiro, com os mesmos 20 pontos, fazendo 3 a 0 no segundo duelo, quatro duas depois. Quem vencesse o terceiro confronto somaria cinco pontos e levantaria o caneco. No entanto, o empate de 1 a 1 deixou cada equipe com 22,5.
O quarto jogo foi marcado para 1º de maio de 1955. Em caso de placar novamente igual, haveria prorrogação. Se a igualdade persistisse, as duas equipes seriam declaradas campeãs. O regulamento não previa critério de desempate.
Um fato curioso ocorreu antes do quarto confronto. O Cruzeiro ficou sem goleiro para o jogo. O titular Chico foi julgado durante a semana e suspenso pelo Tribunal de Justiça Desportiva (TJD), por causa de um clássico do primeiro turno, em que foi expulso por fazer gestos obscenos para a torcida atleticana. O time pediu "sursis" para o atleta. Como ele era reincidente, o TJD não concedeu.
Além disso, a equipe cruzeirense não tinha goleiro reserva - havia dispensado Crush, fruto da desorganização do clube. O jeito foi improvisar, às pressas, o veterano Geraldo II, que encerrara a carreira há dois anos e atuava como auxiliar técnico no clube.
O Atlético abriu o placar da partida decisiva aos 16 minutos do primeiro tempo, com Ubaldo Miranda, e garantiu o título com o gol de Joel, aos 43 da segunda etapa. Estava garantido o primeiro tricampeonato da história do clube.
Do início do Campeonato da Cidade, em 1915, até meados da década de 50, América, Cruzeiro e Villa Nova já haviam conquistado três títulos consecutivos. O Galo era a única equipe entre as grandes que ainda corria atrás de um tri. Essa sequência lhe havia escapado por seis vezes, em 1928, 1933, 1940, 1943, 1948 e 1951. Em três delas - 1928, 1940 e 1943 - por culpa do Cruzeiro. Por isso, a decisão de 1954 é inesquecível para os alvinegros.
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Alexandre Simões é coordenador do Departamento de Esportes da Itatiaia e uma enciclopédia viva do futebol brasileiro



