Atlético x Cruzeiro: visitantes têm vantagem histórica em finais no estádio do rival
Nos dois duelos por finais de Campeonato Mineiro disputados em estádios próprios, o visitante levou a melhor

A Arena MRV passa a ser neste sábado (30), quando Atlético e Cruzeiro iniciam a decisão do Campeonato Mineiro de 2024, o sétimo estádio a receber partidas de finais diretas entre os dois clubes valendo o título do Estadual. Essa situação de o mandante ser o dono da casa aconteceu apenas em 1931 e 1940, e o visitante sempre venceu as partidas.
A decisão de 1931 começou em 29 de novembro daquele ano no Barro Preto, campo do Palestra Itália, nome do Cruzeiro na época. Com gols de Geraldino e Chafir, contra um de Carazo, o Atlético venceu por 2 a 1.
A volta seria em 6 de dezembro de 1931, no Estádio Antônio Carlos, casa alvinegra, mas o jogo não foi disputado. O combinado entre os clubes para os dois jogos era se trazer um árbitro do Rio de Janeiro para comandar as partidas. No Barro Preto, Virgílio Fedrighi tinha apitado.
Mas o Atlético não fez isso e apresentou uma lista com três nomes mineiros para que um deles fosse escolhido.
Na preliminar, entre os aspirantes, já tinha acontecido uma pancadaria com muita gente acessando o gramado e agredindo jogadores palestrinos.
Este cenário, somando à questão da arbitragem, fez com que o Palestra Itália não entrasse em campo. O Atlético foi declarado vencedor por W. O. e ficou com o título.
Os dois estádios voltaram a ser usados na decisão de 1940. Em 29 de dezembro, o Palestra Itália (Cruzeiro) fez 3 a 1 dentro de Lourdes, com dois gols de Niginho e um de Alcides. Em 5 de janeiro de 1941, o Atlético deu o troco e estragou a festa palestrina no Barro Preto ganhando por 2 a 1, gols de Edgar e Rezende, obrigando a disputa de uma terceira partida.
Este confronto decisivo foi em campo neutro, o Estádio Otacília Negrão de Lima, a Alameda, de propriedade do América e que ficava na Região Hospitalar. O Palestra Itália garantiu a taça fazendo 2 a 0, gols de Alcides e Niginho.
Atleticanos e cruzeirenses só voltaram a decidir o Estadual de forma direta em 1954, mas aí o Estádio Independência já era o palco. O Gigante do Horto sediou ainda as finais de 1956 e 1962.
Foi um período de domínio do Atlético, que venceu as edições de 1954 e 1962 e dividiu o título de 1956 com o Cruzeiro, chegando naquela oportunidade ao primeiro pentacampeonato da sua história, algo que ele busca novamente agora.
A partir da final de 1967, o Mineirão passa a receber os confrontos e isso vai até 2011, quando com o Gigante da Pampulha e Independência fechados para reformas, para serem usados nas Copas das Confederações (2013) e do Mundo (2014), a Arena do Jacaré recebeu as duas partidas decisivas com o Cruzeiro saindo campeão desta única final no interior.
Nas decisões de 2013, 2014, 2017, 2018 e 2019, os cruzeirenses tiveram o Mineirão como casa nas partidas em que foram mandantes, e os atleticanos, o Independência. O último duelo entre eles, em 2022, foi em jogo único, no Gigante da Pampulha, dividido entre as duas torcidas.
Agora, as finais diretas entre Atlético e Cruzeiro volta a ter o componente casa, com a inauguração da Arena MRV, que pertence aos alvinegros, que entram em campo com o desafio de acabar com o jejum dos mandantes, algo que os cruzeirenses tentam manter.
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Alexandre Simões é coordenador do Departamento de Esportes da Itatiaia e uma enciclopédia viva do futebol brasileiro
Leonardo Parrela é chefe de reportagem do portal Itatiaia Esporte. É formado em Jornalismo pela PUC Minas. Antes da Itatiaia, colaborou com ge.globo, UOL Esporte e Hoje Em Dia. Tem experiência em diversas coberturas como Copa do Mundo, Olimpíada e grandes eventos.

