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Valladolid repreende Pezzolano, ex-Cruzeiro, em nota surpreendente; entenda o motivo

Treinador disse que foi alvo de xenofobia na cidade espanhola; clube de Ronaldo diz que são casos isolados

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Paulo Pezzolano, técnico do Real Valladolid, em partida contra o Albacete • Divulgação/Real Valladolid

Mesmo após o acesso para a principal divisão da Espanha, a relação entre Paulo Pezzolano, torcedores e diretoria do Valladolid segue tumultuada. O clube comandado por Ronaldo Fenômeno publicou, nesta quinta-feira (30), uma nota oficial repreendendo declarações feitas pelo treinador.

Em entrevista concedida à rádio Sport 890, do Uruguai, o ex-técnico do Cruzeiro disse que Valladolid é uma cidade "particular". O profissional relatou ter ouvido cânticos xenófobos e disse que foi tratado de forma diferente por ser estrangeiro.

Na nota publicada pelo clube após a entrevista de Pezzolano ter tido repercussão significativa, o Valladolid diz que o treinador "fez referência a episódios isolados de xenofobia que sofreu na cidade. O clube ainda disse que condena os ataques, como "sempre fez em qualquer caso que mostre em intolerância".

O Valladolid também rebate o uruguaio dizendo que a cidade espanhola é "acolhedora e respeitosa". Leia toda a carta no fim desta matéria.

Clima tenso

A entrevista concedida por Pezzolano é mais um episódio de tensão desde que o treinador chegou à Espanha. Na festa do acesso, o uruguaio surpreendeu os milhares de torcedores presentes e repetiu os gritos de “Pezzolano, demissão” que escutou em certos momentos da temporada.

Com o microfone em mãos, na Plaza Mayor, em Valladolid, Pezzolano puxou os gritos e foi acompanhado por certa parte dos torcedores. Alguns jogadores e outros presentes se divertiram com a situação inusitada.

Pezzolano foi alvo de pedidos de demissão ao longo de boa parte da campanha que levou o time de volta à Primeira Divisão do Campeonato Espanhol. A mídia espanhola tratou o caso com surpresa. O Mundo Deportivo, por exemplo, classificou o fato como “dantesco”, algo espantoso ou assombroso.

Pezzolano

Pezzolano, de 41 anos, está no Valladolid desde abril de 2023, pouco menos de um mês após pedir demissão do Cruzeiro. O técnico, em busca do título da Segunda Divisão, tem contrato com o clube espanhol até o fim da temporada 2024/2025.

Leia carta na íntegra

Na sequência das declarações de Paulo Pezzolano, treinador da Primeira Equipe, emitidas em uma emissora de rádio do Uruguai, o Real Valladolid considera:

Em nenhum caso cabe ao técnico avaliar, comentar, julgar ou informar sobre as operações que venham a ser realizadas no patrimônio da entidade. O presidente da nossa entidade já explicou nas comemorações de promoção à categoria mais alta do futebol nacional o que tem em cima da mesa e que irá pesar a sua decisão nestes dias, sempre com a prioridade de seguir o melhor caminho para o Real Valladolid e seus torcedores.

Na referida entrevista, o treinador fez referência a episódios isolados de xenofobia que tem sofrido na cidade, ataques que o Real Valladolid condena veementemente como sempre fez face a qualquer manifestação de intolerância.

O Clube é embaixador destes valores e rejeita qualquer opinião relativamente a possíveis conotações xenófobas dos nossos torcedores, bem como generalizações negativas sobre a cidade. Os incidentes isolados ocorridos não podem de forma alguma obscurecer a coexistência exemplar. É claro que o Real Valladolid condena veementemente, como já demonstrou em inúmeras ocasiões, qualquer sinal de racismo ou discriminação.

A cidade de Valladolid é acolhedora e respeitosa, uma cidade “maravilhosa” como também garante o próprio treinador. Um ponto de encontro com cidadãos de carácter hospitaleiro e inclusivo, como o fazem os adeptos do Real Valladolid, demonstrando-o ao longo de 96 anos de História com o seu carinho pelos jogadores, técnicos e trabalhadores independentemente do seu país de origem.

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