Ídolo histórico, Buffon se demite da Federação Italiana após renúncia de presidente
Campeão do mundo pela Azzurra é mais um a deixar o cargo após novo vexame da Itália nas Eliminatórias Europeias

Campeão mundial pela Itália em 2006, Gianluigi Buffon é mais um nome a deixar a federação italiana após a eliminação para a Bósnia, na repescagem europeia para a Copa do Mundo. A Azzurra, pela terceira vez consecutiva, ficará fora do Mundial de seleções.
A reformulação na Federação Italiana teve início nesta quinta-feira (2), com a saída de Gabriele Gravina, presidente da instituição. O dirigente vinha sendo alvo de críticas após mais um fracasso da equipe nacional, repetindo os cenários de 2018 e 2022.
Diante disso, o ex-goleiro, que ocupava o cargo de chefe de delegação, também optou por deixar a função. Em nota publicada nas redes sociais, Buffon se manifestou sobre a decisão.
Veja o comunicado de Buffon:
Apresentar minha demissão um minuto após o fim da partida contra a Bósnia foi um ato imperioso, que brotou do meu íntimo. Tão espontâneo quanto as lágrimas e aquela dor no coração que sei compartilhar com todos vocês.
Pediram-me para esperar um pouco, para que todos pudessem refletir devidamente.
Agora que o presidente Gravina decidiu dar um passo atrás, sinto-me livre para fazer o que considero um ato de responsabilidade, pois, apesar da sincera convicção de ter construído muito em termos de espírito e de grupo com Rino Gattuso e todos os colaboradores, no pouco tempo disponível para a Seleção, o objetivo principal era levar a Itália de volta à Copa do Mundo. E não conseguimos.
É justo deixar para quem vier depois a liberdade de escolher a pessoa que considerar melhor para ocupar o meu cargo.
Representar a Seleção Nacional é para mim uma honra e uma paixão que me consome desde que eu era criança.
Tentei desempenhar minha função dedicando todas as minhas energias, observando todos os setores para ser um elo de ligação, de diálogo e de sinergia entre as várias categorias de base, buscando estruturar, junto com os diversos responsáveis, um projeto que, partindo dos mais jovens, chegasse até a Seleção Sub-21. Tudo isso para repensar a maneira como se formam os talentos da futura Seleção Principal.
Solicitei e consegui a integração de algumas figuras importantes e de vasta experiência que, juntamente com as competências já existentes, estão dando vida a essas mudanças necessárias com uma visão de médio e longo prazo.
Isso porque acredito na política da meritocracia e na especialização das funções.
Caberá aos responsáveis julgar a qualidade dessas escolhas.
Guardo tudo no coração, com gratidão pelo privilégio e pelo aprendizado que, mesmo com um desfecho doloroso, esta intensa experiência me deixa.
Vexame histórico
O novo vexame faz a seleção italiana atingir uma marca negativa na história do futebol: nunca outra equipe campeã do mundo havia ficado fora de três edições consecutivas do torneio.
A última vez que a Itália esteve em um Mundial foi em 2014, no Brasil. Nas edições seguintes, na Rússia e no Catar, a Azzurra não conseguiu se classificar.
Em 2026, a tetracampeã do mundo mais uma vez não estará presente. A equipe comandada por Gennaro Gattuso precisou disputar a repescagem após terminar na segunda posição do Grupo I, com 18 pontos. A líder Noruega somou 24.
Na semifinal da repescagem, a Itália deu esperança ao seu torcedor após vencer a Irlanda do Norte por 2 a 0. Porém, os italianos sucumbiram após empate em 1 a 1 com a Bósnia no tempo normal e derrota nos pênaltis por 4 a 1.
Itália na Copa do Mundo
Tetracampeã mundial, a Itália conquistou a Copa do Mundo em 1934, 1938, 1982 e 2006. Ao lado da Alemanha, a Azzurra é a segunda seleção com mais títulos mundiais, atrás apenas do Brasil, com seis taças.
Em 2006, ano do último título, a Itália derrotou a França nos pênaltis por 5 a 3, após empate em 1 a 1 no tempo regulamentar.
Já em 2014, quando participou pela última vez do Mundial, a Azzurra caiu ainda na fase de grupos, ao terminar na terceira colocação, atrás de Inglaterra e Uruguai.
Mineiro, Daniel Costa é jornalista formado pela Universidade FUMEC (BH). Apaixonado por esporte e comunicação, atuou como cronista e repórter esportivo em veículos como Doentes Por Futebol, Deus me Dibre, Esporte News Mundo e Brasileirão. Hoje, colabora com o Itatiaia Esporte.
Leonardo Parrela é chefe de reportagem do portal Itatiaia Esporte. É formado em Jornalismo pela PUC Minas. Antes da Itatiaia, colaborou com ge.globo, UOL Esporte e Hoje Em Dia. Tem experiência em diversas coberturas como Copa do Mundo, Olimpíada e grandes eventos.




