Ídolo de Cruzeiro e Benfica desabafa após ser ofendido por defender Vini Jr.

Ex-jogador saiu em defensa de Vini após o atleta do Real Madrid sofrer racismo em jogo da Champions League, na última terça-feira (17), em Lisboa

Luisão em ação com a camisa do Benfica-POR

Ídolo de clubes como Cruzeiro, Benfica-POR e com passagens pela Seleção Brasileira, o ex-zagueiro Luisão foi às redes e desabafou após ser ofendido por defender Vini Jr., do Real Madrid. O ex-jogador saiu em defesa do compatriota após Vini sofrer um ataque racista em jogo da Champions League contra o clube português, na última terça-feira (17).

Na oportunidade, Luisão definiu o ato de Gianluca Prestianni como racista e se disse envergonhado com o Benfica, que endossou a defesa de seu atleta em comunicado oficial.

“Adoro o Benfica, é como uma segunda pele para mim. É preciso ser digno de vestir a camisa sagrada. Essa mensagem só piora tudo, porque é uma mentira… o futebol se conquista com garra, com luta… Ele era um ato racista, SIM, e eu me envergonho disso”, disse.

Agora, Luisão publicou uma foto em preto e branco nas arquibancadas do Estádio da Luz e, como legenda, escreveu um forte desabafo.

“Também fui alvo de ofensas, inclusive racistas, depois de me manifestar. Isso dói, mas não me fará recuar. Posso ter ignorado provocações desportivas ao longo da carreira, mas nunca me calarei diante da discriminação de uma minoria que não representa o clube que amo”, diz, em trecho do depoimento. Leia, na íntegra, ao fim da matéria.

Luisão

Natural de Amparo, no interior de São Paulo, o ex-zagueiro foi revelado pelo Juventus-SP em 1999. Um ano depois de atuar no futebol paulista, ele se transferiu para o Cruzeiro, clube em que permaneceu até 2003.

Ao todo, Luisão defendeu a camisa celeste em 154 partidas e marcou 15 gols. Em 2003, Luisão foi peça importante do elenco comandado pelo técnico Vanderlei Luxemburgo, quando a equipe conquistou a Tríplice Coroa. Ele foi campeão brasileiro (2003), da Copa do Brasil (2003), bicampeão mineiro (2002 e 2003) e campeão da Copa Sul-Minas (2001).

Na sequência, ele se transferiu para o Benfica, clube pelo qual mais jogou na carreira, com 535 jogos. Por lá, venceu seis vezes o campeonato português (04/05, 09/10, 13/14, 14/15, 15/16 e 16/17). Foram 15 anos defendendo as cores das Águias.

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Leia, na íntegra, o depoimento divulgado nas redes sociais

“Passei grande parte da minha vida no Benfica. Cresci como jogador, como homem e como capitão. Conquistei títulos, vivi noites inesquecíveis e defendi aquela camisola com tudo o que tinha. O Benfica é parte da minha história. E é exatamente por isso, e não apesar disso, que me sinto na obrigação de falar.

Nos últimos dias, me posicionei contra qualquer forma de racismo no episódio envolvendo Vini Jr. Não por nacionalidade, nem por polémica, mas por princípio. Racismo não tem clube, não tem camisola, não tem lado. E não pode ser relativizado.

Tudo começou com uma comemoração, um gesto de alegria após um golo. E é preciso dizer o óbvio: dançar não é desrespeito, é expressão. O futebol sempre foi emoção. A alegria de uns é o lamento de outros. Sempre foi assim.

Grandes jogadores celebraram a dançar: Cristiano, Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho... A dança nunca foi o problema. O que não pode ser aceitável é transformar uma comemoração em justificativa para ofensas racistas. Nada justifica isso. Nem provocação, nem rivalidade, nem o calor do jogo. Um estádio não é um território sem valores. O respeito continua a valer dentro dele.

Também fui alvo de ofensas, inclusive racistas, depois de me manifestar. Isso dói, mas não me fará recuar. Posso ter ignorado provocações desportivas ao longo da carreira, mas nunca me calarei diante da discriminação de uma minoria que não representa o clube que amo.

O Benfica tem uma história enorme, respeitada no mundo inteiro. Uma história maior do que qualquer episódio isolado. É isso que precisa prevalecer.

O meu amor pelo clube permanece intacto, assim como o respeito e a gratidão pelos seus adeptos. O meu apoio é inegociável, na Luz ou em qualquer estádio.

O futebol é paixão e intensidade. Mas, antes de tudo, é humanidade. E humanidade não admite racismo.

Que saiamos deste episódio melhores. Como clube, como adeptos, como sociedade. Porque jogos passam. Títulos passam. Mas caráter e valores ficam.

Com amor,
Luisão”

Jornalista pela PUC Minas, Filipe Sodré é repórter multimídia no portal Itatiaia Esporte. Antes, passou por LANCE! e Esporte News Mundo. Tem experiência na cobertura esportiva diária, além de vídeos e podcasts.

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