Ídolo do Arsenal, Gilberto Silva exalta método de Arteta, celebra fim do jejum e título
Ex-jogador concedeu entrevista exclusiva à Itatiaia nessa quarta-feira (20)

Ídolo do Arsenal, Gilberto Silva comemorou a conquista da Premier League pela equipe do Norte de Londres. Os Gunners conquistaram o 14º título inglês da história sem entrar em campo. Isso porque, o Manchester City, segundo colocado e único concorrente, empatou com o Bournemouth e não consegue mais alcançar o líder londrino.
Após ser vice por três temporadas seguidas, o Arsenal conseguiu quebrar um jejum de 22 anos e se tornar campeão do país bretão. O último título inglês dos Gunners havia sido conquistado em 2003/04, com Gilberto Silva. Aquele time ficou conhecido como "The Invincibles" por ter vencido a liga de forma invicta.
"Foi realmente demorado. Demorou 22 anos para o Arsenal voltar a ser campeão. Para um clube com a estrutura e o tamanho do Arsenal, é um período muito longo. Mas isso se deve ao processo desde o Emirates. Após a conquista de 2003/04, o Arsenal passou por uma mudança na sua infraestrutura. Sai do Highbury para o Emirates. Uma casa nova onde o clube precisou fazer um grande investimento", comentou Gilberto Silva em entrevista exclusiva à Itatiaia.
Para o ex-volante, o investimento empenhado na infrestrutura do estádio impactou na aplicação financeira do esporte. Por isso, o Arsenal passou por um longo período sem competir com os principais clubes do mundo.
"Essa espera felizmente acabou. Depois de três anos seguidos, o Arsenal próximo batendo na porta, se frustrando, tendo que conviver com momentos delicados, mas felizmente isso aconteceu. Aliviou um bocado de coração o resultado do City. Veio em boa hora também. O Arsenal, acima de tudo, tirando toda essa espera, fez por merecer e estava na hora disso acontecer", comentou.
Mikel Arteta
O sucesso do Arsenal tem uma figura central: Mikel Arteta. O espanhol de 44 anos atuou por cinco anos no time como jogador e, inclusive, conquistou duas vezes a Copa da Inglaterra. Ele se tornou auxiliar de Pep Guardiola no Manchester City após a aposentadoria e chegou de forma inesperada nos Gunners em dezembro de 2019 para suceder Unai Emery como treinador da equipe.
Mesmo sem experiência, Arteta superou instabilidades e chefiou o processo de transformação do Arsenal em uma equipe vencedora. Foi campeão da Copa da Inglaterra de 2019/20 e fez dos Gunners o principal concorrente do Manchester City.
"Quando o Mikel chega ao Arsenal, chega como uma surpresa, uma aposta muito grande. Para muita gente na Inglaterra e para mim também uma surpresa. Pegar o Arsenal no momento que estava, um pouco conturbado, muita coisa para fazer, mudar a equipe e fazer uma transição de elenco era algo um pouco difícil de fazer naquele momento. O momento não era o melhor possível. Mas eu creio que isso só aconteceu porque ele teve o total apoio da direção. A diretoria o apoiou nos momentos difíceis", analisou Gilberto Silva.
Os treinos do espanhol chamam atenção. Ele já colocou o elenco do Arsenal praticando um exercício em que os jogadores seguravam canetas com o auxílio dos companheiros e, abraçados em roda, precisavam manter o controle do objetos. Além disso, segundo a imprensa inglesa, Arteta já colocou pickpockets para furtar os atletas durante o jantar.
"O Mikel tem um papel importante. A maneira como ele conduz o trabalho, direciona e procura extrair dos jogadores. Nas palestras, a gente já viu algumas coisas dele. É legal ter uma visão, um novo aprendizado que vem de fora do futebol, extrai certos elementos e traz fazendo esse bate-bola. Traz elementos de fora e apresenta aos jogadores para eles assmilarem a importância do papel deles e como cada um quer alcançar o resultado, que é individual, mas atendendo o desejo do clube", avaliou.
No Arsenal há cinco anos e meio, Arteta passou os primeiros anos fazendo transição no elenco. Até o título inglês, o treinador e a diretoria precisaram segurar a bronca de aumentar o período de jejum do time.
"Imagina, em três anos consecutivos você fica em segundo lugar. Para muitos outros clubes, o mais fácil é demitir. Mas o Arsenal, dentro de uma estrutura daquilo que eles acreditam e pelo que o Mikel também proporcionou em todos esses anos, por ser jogador do clube e conhecê-lo, aos poucos ele foi construindo um ambiente saudável, montando a equipe dele. Você tem, hoje um clube bem estruturado e uma equipe muito forte", concluiu.
Gilberto Silva no Arsenal
Gilberto Silva se transferiu do Atlético para o Arsenal em 2002, logo após a conquista da Copa do Mundo com a Seleção Brasileira. O volante inglês rapidamente se transformou em peça fundamental no time comandado pelo técnico Arsène Wenger.
O volante estreou em grande estilo ao marcar um gol contra o Liverpool na Supercopa da Inglaterra de 2002, ajudando o Arsenal a conquistar o título. A partir dali, ganhou espaço como volante de contenção, responsável por dar equilíbrio a uma equipe extremamente ofensiva, que tinha jogadores como Thierry Henry, Dennis Bergkamp, Patrick Vieira e Robert Pirès.
Seu auge aconteceu na temporada 2003/04, quando integrou o lendário time conhecido como “The Invincibles”. Naquela campanha histórica, o Arsenal conquistou a Premier League sem sofrer nenhuma derrota. Gilberto foi um dos pilares daquele elenco por sua disciplina tática e capacidade de leitura do jogo. Muitas vezes chamado de “Invisible Wall” (“Parede Invisível”), era valorizado justamente pelo trabalho pouco aparente, mas indispensável para o funcionamento coletivo da equipe.
Além do título invicto da Premier League, Gilberto também venceu duas Copas da Inglaterra e duas Supercopas inglesas pelo clube. Em 2006, participou da campanha que levou o Arsenal à final da Champions, a primeira da história do Arsenal. Embora o time tenha perdido para o Barcelona, o brasileiro foi um dos jogadores mais consistentes da trajetória europeia daquela temporada.
Com o passar dos anos, especialmente após a saída de Vieira, Gilberto assumiu ainda mais responsabilidade dentro do elenco, chegando inclusive a usar a braçadeira de capitão em alguns momentos.
Em 2008, depois de seis temporadas no clube, Gilberto deixou o Arsenal para jogar no Panathinaikos. Ao todo, disputou 244 jogos, marcou 24 gols e concedeu 14 assistências pela equipe londrina.
Rômulo Giacomin é repórter multimídia da Itatiaia. Formado pela UFOP, tem experiência como repórter de cidades da Região dos Inconfidentes, e, na cobertura esportiva, passou por Esporte News Mundo, Estado de Minas, Premier League Brasil e Trivela.


