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Equipe médica de Maradona será julgada quatro anos após morte do ídolo argentino

Sete profissionais envolvidos nos cuidados do campeão mundial são acusados de homicídio simples com dolo eventual

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Maradona morreu no dia 25 de novembro de 2020
Justiça anula julgamento pela morte de Maradona e processo recomeça • Divulgação | Gimansia La Plata

Sete dos oito profissionais de saúde acusados de estarem envolvidos na morte Diego Maradona serão julgados, a partir de terça-feira (11), na Argentina. A Justiça irá determinar suas responsabilidades na morte do campeão mundial. O ídolo do futebol morreu em 25 de novembro de 2020 após uma crise cardiorrespiratória.

Após vários adiamentos, o neurocirurgião Leopoldo Luciano Luque, a psiquiatra Agustina Cosachov, o psicólogo Carlos Ángel Díaz, a médica coordenadora Nancy Forlini, o coordenador de enfermagem Mariano Perroni, o médico clínico Pedro Pablo Di Spagna e o enfermeiro Ricardo Omar Almirón enfrentarão o tribunal.

A enfermeira Dahiana Gisela Madrid, a oitava ré, será julgada separadamente em um julgamento com júri, a seu pedido, a partir de julho. Seu julgamento começou em outubro passado com uma audiência preliminar.

O julgamento de "homicídio simples com dolo eventual", ou seja, sem intenção, pode durar cerca de quatro meses. A pena prevista é de oito a 25 anos de prisão para a equipe médica que atendeu Maradona.

A sessão ocorrerá nos tribunais de San Isidro, ao norte de Buenos Aires e perto da cidade litorânea de Tigre, onde o campeão mundial de 1986 estava em recuperação após uma cirurgia na cabeça para remover um hematoma.

O processo terá cerca de 120 testemunhas. Estarão presentes os filhos de Maradona, sua ex-esposa Claudia Villafañe, o advogado Matías Morla, jornalistas, médicos, especialistas e amigos.

Omissão

Segundo a autópsia, o ídolo do argentino Boca Juniors e do Napoli, da Itália, morreu de "edema pulmonar agudo secundário à insuficiência cardíaca crônica exacerbada".

Em 2022, os promotores consideraram que as "omissões" dos profissionais de saúde colocaram Maradona em uma "situação de desamparo", deixando-o "à própria sorte" em uma hospitalização "ultrajante", de acordo com os autos apresentados para elevar o caso a julgamento oral.

Os profissionais de saúde deveriam ter encaminhado Maradona para um centro de reabilitação após a cirurgia, mas o mantiveram em casa sem os requisitos mínimos necessários, acrescentaram os promotores.

O caso questionou "a conduta que cada um dos réus demonstrou, descumprindo o mandato de agir que as boas práticas médicas colocaram em suas cabeças".

Segundo Mario Baudry, advogado de um dos filhos de Maradona, Diego Fernando, o argumento da promotoria é que a equipe médica sabia que o ídolo estava em perigo, mas não agiu.

"Sabendo que se ela continuasse assim ela morreria, eles não fizeram nada para evitar sua morte", disse ele à rádio CNN Argentina, acrescentando que não foi apenas um caso de negligência.

Vadim Mischanchuk, advogado que representa uma das enfermeiras, negou que os acusados fossem criminalmente responsáveis.

"A extensa investigação da promotoria não conseguiu obter a certeza necessária para que os juízes determinassem com certeza que a conduta do acusado determinou a morte da estrela mundial", disse ele à AFP.

"Justiça para 'D10S’”

Quando morreu, Maradona sofria de múltiplas patologias: problemas renais, problemas hepáticos, insuficiência cardíaca, deterioração neurológica e dependência de álcool e drogas psicotrópicas.

Duas de suas filhas, Dalma e Gianinna, pediram recentemente nas redes sociais "justiça" pela morte de ex-jogador, que na época de sua morte era treinador do Gimnasia y Esgrima La Plata, da primeira divisão do futebol argentino.

Além disso, junto com sua mãe, Claudia Villafañe, lideraram uma manifestação com centenas de pessoas em 2021 na qual pediram "condenação social e judicial para os culpados" e na qual carregaram uma bandeira com a inscrição "Justiça para 'D10S'".

A Fundação Maradona, lançada em outubro do ano passado pelas crianças de "El 10" para "honrar e preservar seu legado", está construindo o "Memorial M10", um mausoléu no centro de Buenos Aires para onde os restos mortais de Maradona serão transferidos e que pode ser visitado pelo público.

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