Em 'missão' especial, dupla traça plano para levar menor país das Américas à Copa
Com raízes no futebol mineiro, treinador e auxiliar sonham em dar projeção mundial à menor seleção do continente americano

Marcelo Serrano, mineiro natural de Nova Lima, decidiu embarcar em uma missão desafiadora na carreira. O treinador de 46 anos, com larga experiência no futebol brasileiro, hoje lida com a responsabilidade de comandar uma nação pequena, mas promissora.
Marcelo, que tem como auxiliar o ex-volante Fahel, revelado pelo América, é o atual técnico da seleção de São Cristóvão e Neves. O país, localizado na América Central, na região do Caribe, é o menor de todo o continente americano em extensão territorial. Isso, no entanto, não impede o treinador de almejar grandes objetivos.
Em entrevista à Itatiaia, Marcelo Serrano detalhou como foi sua trajetória no futebol até assumir o atual cargo. Antes de trabalhar em comissões técnicas, o profissional também atuou dentro das quatro linhas como jogador. Foi dessa forma, inclusive, que construiu ligação com Fahel.
“Sou natural de Nova Lima, joguei nas categorias de base do Vila, depois fui para o Atlético como jogador. Foi ali que conheci o irmão do Fahel, o Alessandro. É uma história bem legal entre eu e a família do Fahel, o irmão dele jogou para mim, depois eu joguei com o Fahel, depois o Fahel jogou para mim no Bahia, nós fomos campeões e ele foi nosso capitão no Bahia", iniciou o treinador.
“Trabalhei no Joinville, Coritiba, depois fui para os Estados Unidos, onde trabalhei na seleção. Depois trabalhei também na Seleção Brasileira, com o também mineiro Ney Franco. Depois da seleção dos Estados Unidos fui para o Caribe pela primeira vez, na seleção das Ilhas Virgens. A partir dali fui treinar um time da segunda divisão dos Estados Unidos e fui campeão no meu primeiro ano. Com esse projeto, fui para a Holanda, regressei e peguei um novo projeto de seleção no Caribe", acrescentou.
Estrutura da Concacaf
Em São Cristóvão e Neves, Marcelo Serrano deu sequência a um trabalho que já dura mais de uma década nas Américas Central e do Norte, conforme relatou o próprio treinador. Anteriormente, ele também esteve na seleção das Ilhas Virgens e no Bold FC, do Texas, que disputa a USL Championship, dos Estados Unidos.
A experiência adquirida nesse período foi importante para o comandante compreender a estrutura do futebol regido pela Concacaf (Confederação das Associações de Futebol da América do Norte, Central e Caribe) e traçar métodos para fortalecer a equipe de São Cristóvão. Um deles é o recrutamento de atletas de outras partes do mundo.
“Na minha experiência como corpo técnico, eu já tenho 20 anos de carreira, e 12 anos aqui na América do Norte. Já são oito anos de experiência no Caribe. A Concacaf, para quem não sabe, é a Conmebol da América do Norte. São 41 seleções, e 32 delas estão no Caribe. O Caribe é muito forte politicamente. Eu venho ‘namorando’ a seleção de São Cristóvão há um tempo. É uma ilha pequena, mas a relação dela com a Inglaterra é muito forte, tem vários jogadores jogando nas primeiras divisões da Europa", explicou Marcelo.
“Recentemente eu estive na Inglaterra, Holanda e Escócia recrutando jogadores para a seleção. 80% dos jogadores de alto nível estão fora da ilha. É um projeto interessante, muito bem definido pela federação. Foi um convite feito também por um mineiro, o Gilberto Damiano, também de Nova Lima, coordenador técnico", prosseguiu.

'Sonho' da Copa do Mundo e próximos desafios
Ao aceitarem a "missão" de comandar São Cristóvão e Neves, Marcelo e Fahel não esconderam qual é a principal meta dentro da seleção. A dupla sonha em guiar a equipe caribenha à próxima Copa do Mundo, em 2030. O treinador destacou a seriedade do projeto e detalhou como será o ciclo para alcançar o objetivo nos próximos anos.
“O que me motivou foi a seriedade do projeto, a possibilidade de construir algo sustentável com esses jogadores de fora, e não apenas pensar em resultados imediatos. Se conseguirmos fazer um trabalho correto, podemos pensar em Copa do Mundo”.
“No segundo semestre, temos duas competições para disputar: a Liga das Nações e a Copa Ouro, que é a nossa Copa América do Caribe. Estamos em negociação para jogar com a Irlanda, no dia 12 de maio, fomos convidados para disputar também um torneio na Itália em junho. Essa foi uma das questões do processo, como poderíamos aumentar o número de jogos para evoluir a equipe."
"Teremos muita competitividade, e acho que a Irlanda nos procurar já é fruto desse trabalho. Estamos buscando uma seleção organizada, competitiva, emocionalmente equilibrada, que tenha coragem para jogar, sem abrir mão da disciplina tática e da intensidade. Temos um projeto de um ano, três anos e quatro anos, para tentar essa vaga na Copa do Mundo de 2030", concluiu.
Fifa Series
O primeiro desafio de Marcelo e Fahel em São Cristóvão e Neves teve início positivo. A equipe disputou a Fifa Series, torneio amistoso organizado pela Fifa a cada dois anos. A competição, criada em 2024, é disputada entre seleções de diferentes federações.
Em 2026, o time comandado pela dupla mineira enfrentou Indonésia e Ilhas Salomão. Com uma derrota e uma vitória, respectivamente, a equipe do Caribe conquistou a medalha de bronze no torneio.

Mineiro, Daniel Costa é jornalista formado pela Universidade FUMEC (BH). Apaixonado por esporte e comunicação, atuou como cronista e repórter esportivo em veículos como Doentes Por Futebol, Deus me Dibre, Esporte News Mundo e Brasileirão. Hoje, colabora com o Itatiaia Esporte.
