'Operação Messi': saiba como amistoso traçou destinos de Argentina e Espanha
Messi, que cresceu e se desenvolveu na Espanha, escolheu defender o país de nascimento dentro das quatro linhas

A Argentina vive um dos melhores momentos enquanto seleção dentro de campo. Comandada por Lionel Messi, a equipe chegou na quarta final nas últimas cinco edições de Copa do Mundo. No entanto, a história poderia ter sido diferente, caso o jogador optasse por defender a Espanha.
Lionel Andrés Messi Cuccittini nasceu em Rosário no dia 24 de junho de 1987. Ele possui ascendência italiana e espnahola - o bisavô nasceu na região de Marche, na Itália.
A história já é conhecida: Messi jogou pelo Newell's e, aos 11 anos, teve detectado um problema hormonal que prejudicava o crescimento. Jorge Messi, pai do jogador, ofereceu o atleta ao River Plate, já que o Newell's não quis custear o tratamento de 900 dólares mensais.
O abrigo veio na cidade de Lérida, na Catalunha. Lá morava uma prima da mãe de Jorge Messi, pai do jogador. A família foi acolhida por lá inicialmente. Com 13 anos e 1,40m, Messi se destacou em campo e chamou atenção do Barcelona.
O resto é história. Messi se tornou o maior ídolo do Barcelona com 35 títulos em 17 anos. Inúmeros recordes e o nome cravado na tradicional história blaugrana. No entanto, toda essa identificação não foi o suficiente para que Messi defendesse a Espanha.

Insistência e o início da 'Operação Messi'
O responsável pela virada de chave foi Hugo Tocalli. Ex-goleiro, ele era o treinador da equipe sub-17 da Argentina. Em 2003, Hugo conversou com Juan Santisteban, técnico da Espanha. As equipes haviam se enfrentado na semifinal do Mundial Sub-17.
A vitória foi da Espanha, que perdeu para o Brasil na grande final. Numa conversa entre Santisteban e Tocalli, o espanhol revelou que 'ganharia fácil' o Mundial se pudesse convocar um companheiro de Fàbregas na base do Barcelona: Lionel Messi.
Jorge Messi já havia mandado vídeos para a Associação de Futebol da Argentina (AFA) e não tinha recebido respostas. Os rumores aumentavam e davam conta que Messi iniciaria os trâmites para defender a Seleção Espanhola.
À época, a Fifa ainda não tinha flexibilizado as regras para defender duas seleções. Se Messi entrasse em campo por uma das equipes, não poderia mais defender a outra.
"Os contatos com Jorge Messi e as respostas deram tranquilidade e alívio: o garoto queria jogar pela Argentina, queria representar o seu pais de nascimento, de sangue. Não havia dúvida nem negócio possível, apesar da insistência da Espanha em ficar com o novo Maradona", diz um trecho do livro de Juan Carlos Pasman.
Amistoso que 'virou' o jogo
Juan Carlos Pasman conta a história no livro "Messi, por amor a la camiseta". O dia era 29 de junho de 2004 e a Seleção Sub-20 da Argentina enfrentou a equipe Sub-22 do Paraguai em um amistoso.
Um valor simbólico pela entrada foi cobrado de torcedores. Arbitragem Fifa, transmissão na TV. Todo o cuidado para que a partida pudesse eliminar qualquer chance de disputa por Messi.
O jogo foi realizado no estádio Diego Armando Maradona, em Buenos Aires, e terminou com vitória da Argentina por 8 a 0. Messi entrou no intervalo da partida, havia acabado de completar 17 anos, e escreveu o nome na história do jogo: um golaço e duas assistências.
Messi pela Argentina
O amistoso foi o 'start' para a histórica carreira defendendo o país que nasceu. Messi foi campeão da Copa do Mundo Sub-20 em 2005, Olimpíada em 2008 e trilhou o caminho na equipe principal.
No total, são 206 jogos com 125 gols e 65 assistências. Messi conquistou duas Copa América (2021 e 2024), uma Finalíssima (2022) e a Copa do Mundo de 2022.
Leonardo Parrela é chefe de reportagem do portal Itatiaia Esporte. É formado em Jornalismo pela PUC Minas. Antes da Itatiaia, colaborou com ge.globo, UOL Esporte e Hoje Em Dia. Tem experiência em diversas coberturas como Copa do Mundo, Olimpíada e grandes eventos.



