Belo Horizonte
Itatiaia

EUA aumenta 'lista de polêmicas' com vistos rejeitados para a Copa do Mundo

Mundial, que tem o país estadunidense como uma das sedes, já gerou muitas controvérsias

Por
Donald Trump, presidente dos EUA, opinou sobre a Copa do Mundo de 2026
Donald Trump, presidente dos EUA, opinou sobre a Copa do Mundo de 2026 • Brendan SMIALOWSKI / AFP

A Copa do Mundo é o principal evento do futebol, esporte mais popular no planeta. O Mundial de 2026 será histórico por contar pela primeira vez com três países-sede (Canadá, Estados Unidos e México), além do número recorde de participantes (48). No entanto, ações fora do campo também vem chamando atenção.

A polêmica mais recente envolve o árbitro Omar Abdulkadir Artan. O juiz, da Somália, foi selecionado para integrar o quadro de arbitragem da Copa, mas teve a entrada barrada pela imigração dos Estados Unidos.

“Estou muito desapontado. Sou apenas um árbitro tentando realizar o maior sonho da minha vida, que era participar da Copa do Mundo”, disse o árbitro em entrevista ao The New York Times.

A Fifa confirmou a exclusão do árbitro. A entidade, em nota de divulgada, disse que "não se envolve nos processos de imigração dos países sedes, incluindo concessões de vistos".

Irã, Haiti, Senegal, Costa do Marfim, Argélia, Cabo Verde e Tunísia países que estão na Copa que sofrem com restrições impostas pelo governo dos EUA. Em junho de 2025, a Casa Branca apontou motivos de segurança nacional para proibir a chegada de cidadãos iranianos e haitianos.

Visitantes dos outros países sofreram com medidas como pagamento de seguro e extensa revisão de antecedentes, mesmo com os Estados Unidos afirmando que facilitaria concessões de vistos. Na última segunda-feira (8), Tom Homan, responsável pela política migratória do país, afirmou que aumentará o número de agentes da polícia migratória dos EUA em Nova York.

A Seleção Suíça alertou jogadores e membros da comissão técnica sobre a presença de cobras no local de treinamento em San Diego, Califórnia. Um tiroteio perto de onde a Inglaterra escolheu como base, em Kansas City, no Missouri, sofreu um atentado com tiros.

Seleções revistadas

As delegações de Senegal e do Uzbquistão foram alvos de revistas rigorosas ao entrar no país. Os senegaleses passaram por revistas individuais depois de desembarcar do avião, ainda na pista de pouso.

Enquanto isso, a delegação uzbeque foi inspecionada com cachorros treinados para detectar drogas. A Polícia dos EUA revistou o grupo antes da realização de um amistoso no país.

Irã e a guerra

O Irã, em função da guerra contra os Estados Unidos no Oriente Médio, terá uma situação única no Mundial. A delegação iraniana conseguiu um visto especial para os jogadores permanecerem no país norte-americano.

Apesar disso, a logística foi alterada. O grupo ficaria em Tucson, no Arizona, mas em função da definição do visto, terá que se hospedar em Tijuana, no México.

Desde o início do conflito regional, em fevereiro, havia incertezas sobre a presença iraniana no Mundial, especialmente após os ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel. Apesar disso, dirigentes do futebol iraniano garantem que a equipe disputará a competição.

Nos Estados Unidos, o secretário de Estado Marco Rubio declarou que os jogadores da seleção iraniana serão recebidos normalmente, mas destacou que integrantes ligados ao CGRI ainda poderão ser barrados pelas autoridades americanas.

O Irã não conseguiu realizar nenhum amistoso na reta final de preparação para a Copa do Mundo. A seleção enfrentaria Porto Rico, Panamá e Granada. Porém, por problemas logísticos pelas mudanças de sede, todos os jogos foram cancelados.

A Federação Iraniana de Futebol (FFIRI) acusou os Estados Unidos de barrar ingressos garantidos por cota para a próxima Copa do Mundo. Ainda de acordo com a FFIRI, em nota divulgada nesta terça-feira (9), torcedores que já haviam se planejado para visitar a América do Norte em função do Mundial tiveram os planos prejudicados.

Cada Federação participante do Mundial recebe 8% dos ingressos de cada uma das partidas que vai realizar para distribuir de acordo com critérios próprios. A FFIRI também disse já ter iniciado o processo de venda, mas que não poderá mais disponibilizar as entradas para os torcedores.

Irã disputará a Copa do Mundo pela sétima vez • Divvulgação/Fifa
Irã disputará a Copa do Mundo pela sétima vez • Divvulgação/Fifa

Preços dos ingressos

Outro ponto criticado foi o preço cobrado pelos ingressos. As entradas para a final originalmente foram vendidas por volta dos 11 mil dólares (cerca de R$ 57 mil).

A Fifa afirmou usar uma precificação dinâmica na qual os valores flutuam de acordo com a demanda. O resultado são os torcedores pagando valores diferentes pelo mesmo setor em diversos estádios.

Alguns processos foram instaurados na Justiça dos Estados Unidos acusando a Fifa de falta de transferência, venda injusta e outros pontos. O advogado-geral dos Estados Unidos e do estado de Nova Jersey também formalizaram reclamações.

A Fifa chegou a criar categoria popular para a venda de ingressos. A criação da nova categoria surgiu depois da Fifa receber mais de 20 milhões de pedidos de ingressos para os jogos.

Por

Leonardo Parrela é chefe de reportagem do portal Itatiaia Esporte. É formado em Jornalismo pela PUC Minas. Antes da Itatiaia, colaborou com ge.globo, UOL Esporte e Hoje Em Dia. Tem experiência em diversas coberturas como Copa do Mundo, Olimpíada e grandes eventos.

Acompanhe Esportes nas Redes Sociais