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Copa do Mundo: relembre momentos marcantes do Brasil com a camisa azul em Mundiais

Brasil foi campeão mundial em 1958 e venceu mata-matas importantes em 1994 e 2002 usando a camisa azul

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Brasil para a semi contra a Suécia, em 1994, com: Taffarel, Márcio Santos, Mauro Silva, Aldair, Branco, Mazinho, Dunga, Bebeto, Romário e Zinho

A Seleção Brasileira e a Jordan Brand lançaram, nesta quinta-feira (12), em São Paulo, o novo segundo uniforme do Brasil, que será utilizado pela equipe na Copa do Mundo de 2026.

A estreia do novo uniforme já tem data marcada: será no amistoso contra a França, no dia 26 de março, no Gillette Stadium, em Boston, nos Estados Unidos, às 17h (de Brasília). O duelo servirá como preparação para o Mundial, que terá início em junho.

Embora a tradicional camisa amarela seja o principal símbolo da Seleção, foi vestindo azul que o Brasil viveu alguns dos momentos mais curiosos e emblemáticos de sua história em Copas do Mundo.

O uniforme reserva nasceu de improvisos, ganhou significado religioso e acabou associado a grandes vitórias no torneio.

A seguir, a Itatiaia relembra momentos marcantes do Brasil vestindo azul em Mundiais.

Como a camisa azul foi adotada oficialmente na Seleção Brasileira?

Hoje consolidado como segundo uniforme da Seleção, o azul surgiu quase por acaso.

Antes de 1954, o Brasil utilizava camisa branca como uniforme principal. No entanto, após o traumático vice-campeonato da Copa de 1950, marcado pela derrota para o Uruguai no Maracanã (o Maracanazo), o uniforme passou a ser considerado “azarado”.

A solução veio com o concurso que criou a camisa amarela, adotada oficialmente em 1954. Mesmo assim, ainda não havia um uniforme reserva definido para todas as situações.

Foi então que o azul entrou definitivamente na história da Seleção.

A primeira vez do Brasil de azul em uma Copa

A primeira vez que o Brasil utilizou a camisa azul em Copas do Mundo aconteceu na Copa do Mundo de 1938, na França.

Na partida contra a Polônia, válida pelas oitavas de final, as duas seleções tinham uniformes principais semelhantes (ambos predominantemente brancos).

Na época, as seleções não viajavam com uniformes reservas padronizados, o que obrigou o Brasil a improvisar.

A solução foi entrar em campo com camisas azuis emprestadas por um clube local francês, adaptadas às pressas com numeração improvisada.

Mesmo com o improviso, o jogo entrou para a história. Em 5 de junho de 1938, o Brasil venceu a Polônia por 6 a 5 após prorrogação, em uma das partidas mais movimentadas da história das Copas.

O destaque foi Leônidas da Silva, autor de quatro gols. Aquela partida marcou a estreia da camisa azul em Copas do Mundo.


Leônidas da Silva, o Diamante Negro, é também conhecido como o inventor da bicicleta e disputou as Copas de 1934 e 1938

1958: a camisa azul no primeiro título mundial

Apesar da estreia em 1938, foi somente na Copa de 1958, na Suécia, que o uniforme azul ganhou contornos lendários.

Na final contra a Suécial, surgiu um problema inesperado: as duas seleções tinham camisa amarela.

Pelas regras da época, a preferência era do país anfitrião. Isso significava que o Brasil teria de jogar com o uniforme branco, ainda associado ao trauma do Maracanazo.

Foi então que o chefe da delegação brasileira, Paulo Machado de Carvalho, tomou uma decisão que entraria para a história: segundo relatos da época, inspirado no manto azul de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, ele sugeriu que a Seleção jogasse com camisa azul.

A delegação saiu às pressas pelas ruas de Estocolmo para comprar 22 camisas azuis. Durante a noite, o massagista Mário Américo e membros da comissão costuraram o escudo da CBD e os números manualmente.

O improviso virou história. Na decisão, o Brasil venceu a Suécia por 5 a 2, com gols de Vavá (duas vezes), Pelé (duas vezes) e Zagallo.

Era o primeiro título mundial do Brasil, tendo sido conquistado vestindo azul.


Pelé chora ao comemorar título da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1958

1994: duas vitórias decisivas rumo ao tetra

A camisa azul voltou a aparecer em momentos importantes na Copa de 1994, nos Estados Unidos.

Nas quartas de final, o Brasil enfrentou a Holanda e venceu por 3 a 2 em uma das partidas mais emocionantes daquele Mundial, que marcou o “desvio” de Romário e o “embala neném” de Bebeto.

Os gols brasileiros foram marcados por Romário, Bebeto e Branco, em cobrança de falta histórica.

Na semifinal, novamente vestindo azul, o Brasil venceu a Suécia por 1 a 0, com gol de Romário, garantindo a vaga na decisão.

Dias depois, a Seleção conquistou o tetracampeonato mundial contra a Itália.


Romário marca gol de cabeça em Suécia 0 x 1 Brasil, pela semi da Copa de 1994

2002: o golaço contra a Inglaterra

Outro momento inesquecível com a camisa azul aconteceu na Copa de 2002, disputada na Coreia do Sul e no Japão.

Nas quartas de final, o Brasil enfrentou a Inglaterra, que saiu na frente com o atacante Michael Owen, mas o Brasil virou a partida.

Primeiro, Rivaldo empatou. Depois, Ronaldinho marcou um dos gols mais famosos da história das Copas.

Em uma cobrança de falta propícia para um cruzamento, Ronaldinho encobriu o goleiro David Seaman e garantiu a vitória por 2 a 1.

O Brasil seguiria até a final e conquistaria o pentacampeonato mundial.


Ronaldinho foi decisivo nas quartas de final da Copa de 2022

O retrospecto do Brasil com a camisa azul em Copas

Ao longo da história das Copas do Mundo, o Brasil utilizou a camisa azul 12 vezes, com retrospecto bastante positivo.

São:

  • oito vitórias
  • um empate
  • três derrotas

Com 25 gols marcados e 18 sofridos.

Jogos do Brasil com camisa azul em Copas

  • Brasil 6 x 5 Polônia — 1938
  • Brasil 5 x 2 Suécia — 1958
  • Brasil 2 x 1 Argentina — 1974
  • Brasil 0 x 2 Holanda — 1974
  • Brasil 3 x 1 Polônia — 1978
  • Brasil 1 x 1 Suécia — 1994
  • Brasil 3 x 2 Holanda — 1994
  • Brasil 1 x 0 Suécia — 1994
  • Brasil 2 x 1 Inglaterra — 2002
  • Brasil 1 x 2 Holanda — 2010
  • Brasil 2 x 0 Costa Rica — 2018
  • Brasil 0 x 1 Camarões — 2022

A camisa azul virou tradição da Seleção

O que começou como improviso acabou se transformando em tradição.

Hoje, a camisa azul é o uniforme reserva oficial da Seleção Brasileira e carrega uma forte carga simbólica para torcedores e jogadores.

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Repórter em formação com experiência em coberturas locais e interestaduais, com atuação em diferentes frentes do jornalismo. Apaixonado por esportes, especialmente futebol, acompanha o cenário nacional e internacional, com foco em contexto, informação e curiosidades do jogo. Acumula passagem por No Ataque e Estado de Minas.