Copa do Mundo: relembre as seleções que desistiram de disputar ou boicotaram o Mundial

Ministro dos esportes do Irã anunciou que o país não disputará a Copa do Mundo de 2026

Seleção do Irã

A possível ausência do Irã na Copa do Mundo de 2026 pode marcar mais um capítulo na história de seleções que desistiram de disputar o principal torneio do futebol mundial por razões políticas, diplomáticas ou logísticas.

Em meio à guerra entre Irã e Estados Unidos, o ministro do Esporte iraniano, Ahmad Donyamali, afirmou nesta quarta-feira (11), em entrevista à TV estatal, que o país não participará da Copa caso o conflito permaneça ativo.

A declaração ocorre após o assassinato do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, morto em um ataque conjunto entre Estados Unidos e Israel no dia 28 de fevereiro. Desde então, a guerra já dura 11 dias e provoca tensão em todo o Oriente Médio.

Classificado pelas Eliminatórias Asiáticas, o Irã foi sorteado no Grupo G da Copa do Mundo ao lado de Seleção Belga de Futebol, Seleção da Nova Zelândia de Futebol e Seleção Egípcia de Futebol.

Até o momento, a federação iraniana ainda não formalizou a desistência junto à Fifa.

Não será a primeira vez que uma desistência ou boicote ocorrerá por parte de seleções classificadas. A seguir, a Itatiaia relembra algum destes casos.

Seleções que já desistiram de disputar a Copa do Mundo

Conforme supracitado, embora incomum, o futebol mundial já registrou diversos casos de seleções que desistiram ou boicotaram o Mundial.

Países britânicos ignoraram as primeiras Copas

As seleções da Grã-Bretanha (Escócia, Inglaterra, Irlanda e Irlanda do Norte) não disputaram as Copas de 1930, 1934 e 1938.

Na época, as federações britânicas acreditavam que o torneio tinha menos importância que o Campeonato Britânico de Seleções. A estreia no Mundial só aconteceu em 1950.

Poucas seleções europeias viajaram para a Copa de 1930

A primeira Copa do Mundo, disputada no Uruguai, contou com apenas 13 seleções. A longa viagem de navio e os altos custos fizeram muitas equipes europeias desistirem.

Apenas França, Bélgica, Romênia e Iugoslávia participaram.

Uruguai recusou defender o título em 1934

Campeã da primeira Copa do Mundo, a seleção uruguaia decidiu não disputar o Mundial de 1934, realizado na Itália, e se tornou a única seleção que não defendeu o título na Copa do Mundo.

A decisão foi uma forma de protesto pela baixa participação europeia na edição anterior. Apenas quatro seleções da Europa disputaram aquele Mundial.

Uruguai foi o primeiro campeão mundial, em 1930

Argentina e Uruguai boicotaram a Copa de 1938

A decisão da Fifa de realizar a Copa de 1938 na França provocou revolta em alguns países da América do Sul. A Argentina, que tinha interesse em sediar o torneio, puxou a fila e decidiu não participar da Copa

Com isso, a Argentina e o Uruguai (campeão em 1930) desistiram da competição, defendendo que o torneio deveria ser sediado no continente americano.

Áustria deixou o Mundial após anexação nazista

A Áustria estava classificada para a Copa de 1938, mas deixou de existir após a anexação do país pela Alemanha nazista.

O episódio ficou conhecido como Anschluss (uma palavra alemã que significa conexão, anexação, afiliação ou adesão).

Desistências em massa na Copa de 1950

O Mundial disputado no Brasil também teve várias desistências. Entre elas:

  • Índia
  • França
  • Portugal
  • Turquia
  • Irlanda
  • Escócia

A Índia não participou da Copa de 1950 por falta de recursos para arcar com as despesas da viagem ao Brasil e por priorizar as Olimpíadas. Há rumores de que o boicote ocorreu pela proibição de os jogadores indianos jogarem descalços, como estavam acostumados.

Os europeus desistiram pelo alto custo da viagem até o Brasil.

Boicote histórico africano em 1966

Nas eliminatórias para a Copa do Mundo FIFA 1966, 16 seleções africanas boicotaram o torneio.

O protesto ocorreu porque o continente não possuía vaga direta para o Mundial. Após a pressão, a Fifa concedeu uma vaga automática à África na Copa de 1970.

União Soviética recusou jogar Eliminatórias no Chile

Em fato ocorrido para além do âmbito dos Mundiais, nas Eliminatórias para a Copa de 1974, a seleção soviética se recusou a disputar a partida decisiva contra o Chile.

O jogo seria disputado no Estádio Nacional de Santiago, utilizado como centro de detenção após o golpe militar chileno, o que motivou a oposição dos soviéticos à realização da partida.

Irã já havia desistido de eliminatórias durante guerra

O próprio Irã já esteve envolvido em uma situação semelhante. Durante a guerra entre Irã e Iraque, nos anos 1980, a seleção iraniana abandonou as eliminatórias para a Copa do Mundo de 1986 após discordar de jogar partidas em campo neutro.

O Iraque aceitou jogar em países como Kuwait e Arábia Saudita, diferentemente dos iranianos, que ficaram fora do Mundial.

Seleções banidas de Copas do Mundo

Alguns países não desistiram, mas foram excluídos por decisões políticas ou sanções internacionais.

A África do Sul foi banida de várias edições da Copa do Mundo durante o regime de apartheid por mais de 30 anos (de 1961 a 1992), tendo retornado apenas após o fim oficial do regime segregacionista.

Mais recentemente, a Rússia foi suspensa das competições da Fifa após a invasão da Ucrânia, em 2022.

Copas do Mundo disputadas em meio a guerras e tensões políticas

Mesmo em cenários de conflito, seleções disputaram Copas do Mundo cercadas por tensões, conforme a seguir.

Alemanha nazista na Copa de 1938

A Copa do Mundo de 1938 ocorreu em meio à expansão militar da Alemanha nazista na Europa. Jogadores austríacos foram incorporados à seleção alemã após a anexação do país.

Ditadura argentina na Copa de 1978

A Copa do Mundo 1978 foi realizada durante a ditadura militar na Argentina.

O regime utilizou o título argentino como ferramenta de propaganda política e alguns resultados, como a goleada de 6 a 0 sobre o Peru levantaram suspeitas, em razão da possível interferência governamental na competição.

Seleção Argentina ergue taça da Copa do Mundo de 1978

Iugoslávia disputou Copa pouco antes da dissolução

A Iugoslávia participou da Copa do Mundo de 1990 pouco antes da guerra civil que levou à dissolução do país.

Especialistas já previam boicote iraniano

Na última semana, o cientista político Vito Villar já havia alertado que a possibilidade de boicote do Irã ao Mundial era alta, em entrevista à Itatiaia, tendo em vista que a Copa de 2026 será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México.

Caso o Irã confirme a desistência, seria a primeira vez que uma seleção classificada deixaria de disputar um Mundial devido a uma guerra direta contra um país-sede.

Além das tensões militares, a delegação iraniana já havia enfrentado problemas diplomáticos recentes, como dificuldades para obtenção de vistos.

Outro elemento político importante envolve a relação entre o presidente da Fifa, Gianni Infantino, e o presidente americano Donald Trump, considerada próxima, o que desagrada os iranianos, que vêm sofrendo com os conflitos.

O que diz o regulamento da Copa do Mundo

O regulamento da Copa do Mundo prevê punições para seleções que desistirem da competição.

De acordo com o artigo 6.2, uma federação que abandonar o torneio até 30 dias antes da estreia pode receber multa mínima de 250 mil francos suíços (cerca de R$ 1,6 milhão).

Já o artigo 6.7 permite que a Fifa substitua a seleção desistente por outra associação.

Além da multa, também podem ocorrer:

  • sanções disciplinares
  • exclusão de torneios futuros
  • ressarcimento de valores ligados ao Mundial

A decisão final caberia ao Conselho da entidade.

O que pode acontecer com o grupo do Irã

Se a desistência for confirmada, a Fifa poderá:

  • convidar outra seleção
  • promover uma repescagem
  • escolher um substituto entre equipes eliminadas
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Repórter em formação com experiência em coberturas locais e interestaduais, com atuação em diferentes frentes do jornalismo. Apaixonado por esportes, especialmente futebol, acompanha o cenário nacional e internacional, com foco em contexto, informação e curiosidades do jogo. Acumula passagem por No Ataque e Estado de Minas.

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