Copa do Mundo: relembre a edição que não teve uma final

Copa do Mundo de 1950 foi realizada em um modelo diferente do habitual e não foi decidida em jogo único

Gol do Uruguai na final da Copa do Mundo de 1950

Em mais de 90 anos de história da Copa do Mundo FIFA, todas as edições foram decididas em um confronto único, menos uma. A Copa do Mundo de 1950, disputada no Brasil, ficou para sempre marcada como o único Mundial em que não houve uma final oficial.

Em vez disso, o campeão foi decidido por um quadrangular final. A definição veio em uma partida que ainda é lembrada como um dos maiores acontecimentos da história do futebol: o Maracanazo.

Formato da Copa do Mundo de 1950

A edição de 1950 foi a quarta Copa do Mundo e a primeira realizada depois da pausa causada pela Segunda Guerra Mundial. Com 13 seleções participantes, o torneio teve um formato diferente: após a fase de grupos, os quatro melhores times - Brasil, Suécia, Espanha e Uruguai - avançaram para um quadrangular final em que todos se enfrentaram entre si. O campeão seria o time com mais pontos ao fim dessa fase.

Esse formato não previa uma “final” tradicional, com confronto único, como nas outras Copas. A última rodada do quadrangular acabou funcionando como uma final natural, porque Brasil e Uruguai chegavam como os dois melhores e disputavam diretamente o título no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro.

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Maracanazo

No dia 16 de julho de 1950, diante de um público estimado entre 190 mil e 205 mil pessoas - o maior já registrado em um jogo de futebol - o Brasil precisava apenas de um empate para ser campeão mundial. A seleção havia goleado a Suécia por 7 a 1 e a Espanha por 6 a 1 na fase final, dominando a chave e chegando como favorita absoluta.

O jogo começou equilibrado, e foi no segundo tempo que a decisão veio. Friaça abriu o placar para o Brasil aos dois minutos, levando a torcida ao delírio. No entanto, o Uruguai virou com gols de Juan Alberto Schiaffino e, depois, de Alcides Ghiggia, que garantiu o título 2 a 1 para a Celeste Olímpica.

Schiaffino marca o primeiro gol do Uruguai sobre o Brasil na Copa do Mundo de 1950

O acontecimento ficou marcado como o “Maracanazo” - termo que se popularizou a partir da imprensa sul-americana para descrever o choque e a surpresa que foi ver o Uruguai levantar a taça no estádio recém-inaugurado, projetado para celebrar a glória do futebol brasileiro.

A derrota brasileira naquele que foi o jogo decisivo da Copa de 1950 entrou para a história como uma das maiores zebras esportivas de todos os tempos. Para o Uruguai, foi o segundo título mundial, reforçando sua tradição no futebol logo após a Segunda Guerra Mundial. Para o Brasil, o resultado foi um trauma esportivo que ecoou por décadas, transformando o Maracanã, o elenco e até mesmo jogadores em símbolos de um revés inesquecível.

Por que o formato diferente?

A escolha pelo formato de quadrangular final — em vez do tradicional mata-mata com final única — teve motivações logísticas e esportivas. Em um mundo ainda se reorganizando após a guerra, com seleções e países reconstruindo seus programas esportivos, a FIFA optou por esse modelo para intensificar o número de jogos entre as melhores seleções e maximizar o interesse no torneio sediado no Brasil.

O Mundial de 1950 também ficou na memória pela maior assistência registrada em um jogo de futebol, pela empolgação dos torcedores brasileiros e pelo impacto cultural do Maracanazo, um capítulo singular em Copas que até hoje rende debates, documentários e lembranças emocionadas na história do esporte.

Giovanna Rafaela Castro é jornalista em formação e integra a equipe do portal Itatiaia Esporte

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