Vencer uma
Nesse sentido, conseguir os dois feitos jogando em casa, diante da própria torcida, é algo ainda mais raro e louvável. Tão raro que apenas um jogador conseguiu isso na história das Copas do Mundo.
O nome dele é Mario Alberto Kempes. A seguir, a
Mario Kempes: o herói da primeira estrela argentina
A Copa do Mundo de 1978 marcou a única vez em que a Argentina sediou o torneio e também o nascimento do primeiro grande herói mundial do país.
Aos 23 anos, de cabelos longos e presença imponente na área, Mario Alberto Kempes conduziu a Seleção Argentina à conquista inédita do título mundial, transformando-se em símbolo de uma geração e em personagem definitivo da história do futebol.
Foi naquela edição que Kempes se tornou o único jogador da história a ser campeão do mundo e artilheiro de uma Copa disputada em seu próprio país.
Começo discreto antes da reviravolta
Curiosamente, a trajetória de Kempes na Copa de 1978 não começou de forma avassaladora, com gols em profusão.
Na fase de grupos, a Argentina venceu a Hungria (2 a 1), a França (2 a 1) e perdeu para a Itália (1 a 0), mas Kempes passou em branco nas três partidas.
A seca ampliava um jejum incômodo: o atacante demorou dez jogos de Copa do Mundo (entre 1974 e 1978) para marcar seu primeiro gol em Mundiais.
A virada veio na segunda fase.
Segunda fase: o despertar de ‘El Matador’
A partir do primeiro jogo da segunda fase de grupos, Kempes assumiu o protagonismo que entraria para a história.
Argentina 2 x 0 Polônia
Kempes marcou os dois gols da partida, ambos no Gigante de Arroyito, estádio onde havia feito história pelo Rosario Central.
Argentina 6 x 0 Peru
Novamente, dois gols de Kempes, em uma das partidas mais emblemáticas e discutidas da história das Copas (em razão de acusações de corrupção em face do mau desempenho peruano), que classificou a Argentina para a grande final.
Em quatro jogos decisivos, Kempes havia marcado quatro gols, tornando-se o nome central da campanha argentina.
A final histórica no Monumental de Núñez
A final da Copa do Mundo de 1978 foi disputada em 25 de junho, no Estádio Monumental de Buenos Aires, para mais de 70 mil torcedores.
A Argentina enfrentou a forte Seleção da Holanda em uma partida dramática.
A Holanda saiu na frente, Kempes empatou, com um gol de pura insistência e oportunismo e, ainda no tempo normal, a Holanda ainda acertou a trave com Rensenbrink, gol que daria o inédito título à Laranja Mecânica.
Na prorrogação, veio o momento que eternizou o atacante: Kempes arrancou, invadiu a área, passou pelo goleiro e, mesmo caindo, empurrou a bola para o fundo da rede, marcando seu segundo gol na final.
Daniel Bertoni fez o terceiro, fechando o placar em 3 a 1 e garantindo o primeiro título mundial da Argentina.
Gol da Argentina na final da Copa do Mundo de 1978
Artilheiro, campeão e herói nacional
Com seis gols em quatro jogos decisivos, Kempes terminou a Copa do Mundo de 1978 como artilheiro do torneio e campeão mundial.
O feito é único na história: campeão e artilheiro de uma Copa do Mundo disputada em casa, apenas Mario Kempes.
Até a Copa de 2010, Kempes também era o artilheiro mais jovem da história dos Mundiais, marca superada apenas por Thomas Müller, da Alemanha.
Bigode da sorte? ‘Amuleto’ virou lenda
Um dos capítulos mais curiosos da Copa de 1978 envolve uma superstição.
Durante a fase inicial, Kempes usava barba e bigode. Após a partida contra a Itália, o técnico César Luis Menotti sugeriu que o atacante se barbeasse para “mudar a sorte”.
Kempes aceitou. Resultado: dois gols contra a Polônia, dois contra o Peru e dois na final.
Assim como o topete de ROnaldo para os brasileiros em 2002, a história virou folclore nacional e passou a simbolizar a virada psicológica de ‘El Matador’ no torneio.
As outras Copas de Kempes
Copa do Mundo de 1974
Kempes disputou o primeiro Mundial ainda jovem, sem marcar gols. A Argentina caiu na segunda fase após derrota para o Brasil.
Copa do Mundo de 1982
Já campeão do mundo, Kempes chegou à Espanha com expectativas altas, mas teve atuação discreta. A Argentina voltou a cair na segunda fase, novamente diante do Brasil. Após 1982, Kempes não voltou a ser convocado para a Seleção.
A história de Kempes no futebol: muito além da Copa de 1978
Em clubes, Kempes fez história principalmente no Valencia, onde é considerado o maior centroavante da história do clube, eleito pelo jornal Marca. Também foi ídolo do Rosario Central.
Seu legado é tão grande que, ainda em vida, recebeu uma homenagem raríssima: o principal estádio da província de Córdoba, onde nasceu, foi rebatizado em 2010 como Estadio Mario Alberto Kempes.
Estadio Mario Alberto Kempes, em Córdoba