Comitê de Ligas na Europa publica nota e aumenta pressão em presidente da Fifa
Nota foi publicada na manhã desta quarta-feira (5) por meio das redes sociais

O Comitê de Ligas da Europa publicou uma nota na manhã desta quarta-feira (5) criticando a proposta da Fifa de vender ativos envolvendo o futebol - entre eles os direitos da Copa do Mundo. Segundo a nota, a Fifa "não se pode permitir que a FIFA continue tomando decisões unilateralmente".
O comunicado vem na esteira de uma crescente pressão europeia contra Gianni Infantino. O atual mandatário da Fifa é o "pai" da ideia da criação de uma empresa para gerir a venda dos ativos.
O comitê relembrou que em 2024 apresentou uma queixa formal à Comissão Europeia sobre o conflito de interesses na Fifa. O questionamento envolvia a presença da entidade como reguladora e também operadora comercial das competições.
Pressão política
A UEFA foi a primeira entidade a se posicionar de maneira contrária aos planos da Fifa. Desde então, 'puxou a fila' na lista de críticas que pode resultar na saída do atual presidente da Fifa.
A Confederação europeia é contra a expansão da Copa do Mundo, assim como resistiu a ideia da Copa do Mundo de Clubes. Os torneios ocorrem durante o período de férias no continente, o que diminui o descanso de atletas e foi visto como prejudicial para alguns clubes.
O site talkSport afirma, inclusive, que existe uma articulação com a Associação de Clubes Europeus (ECA, em inglês), para um boicote à Copa do Mundo de Clubes em 2029. A Concacaf e a Confederação Asiática de Futebol também se alinharam contra a proposta.
Leia nota na íntegra
A decisão do presidente da FIFA de abandonar sua proposta mal concebida da FFE — que teria vendido participações nas atividades comerciais e de eventos da entidade — é o único desfecho lógico, como demonstram as reações de todo o mundo do futebol. No entanto, a rejeição avassaladora dessa ideia perigosa, bem como o processo pouco transparente por trás dela, levantam sérias questões sobre a governança, a cultura interna e os processos de tomada de decisão da FIFA.
Nesse sentido, não podemos ignorar que, na quinta-feira, 30 de julho, em meio à polêmica sobre a FFE, a FIFA compartilhou um "resumo de pesquisa" com suas associações nacionais, na esperança de avançar com planos para expandir a Copa do Mundo masculina de 2030 para 64 seleções. Assim como no projeto abandonado da FFE, essa nova proposta envolve um prazo de avaliação inviavelmente curto (apenas quatro semanas) e nenhuma consulta às ligas, aos clubes e aos jogadores, cujos planejamentos e meios de subsistência seriam os mais afetados.
Que fique claro: não se pode permitir que a FIFA continue tomando decisões unilateralmente disruptivas que contrariam os interesses de ligas, clubes, jogadores e torcedores, cujos esforços contínuos e investimentos impulsionam o valor das competições internacionais de futebol. Agora, mais do que nunca, a FIFA precisa de uma reforma de governança que garanta a todas as partes interessadas relevantes um papel formal nas decisões que moldam o futuro do nosso esporte.
Todos esses eventos recentes ressaltam os problemas sistêmicos que levaram a European Leagues a apresentar uma queixa formal à Comissão Europeia, em outubro de 2024, sobre o conflito de interesses da FIFA ao atuar simultaneamente como reguladora e operadora comercial.
Nos últimos dois anos, realizamos muitas reuniões produtivas com a Comissão e continuamos convencidos de que ela tomará as medidas necessárias para proteger a concorrência leal e garantir o cumprimento dos princípios já estabelecidos pelo Tribunal de Justiça da União Europeia. Enquanto não houver uma reforma — que inclua um compromisso juridicamente vinculativo com todas as partes interessadas relevantes do futebol —, a European Leagues rejeitará a expansão ou a criação de competições da FIFA.
Leonardo Parrela é chefe de reportagem do portal Itatiaia Esporte. É formado em Jornalismo pela PUC Minas. Antes da Itatiaia, colaborou com ge.globo, UOL Esporte e Hoje Em Dia. Tem experiência em diversas coberturas como Copa do Mundo, Olimpíada e grandes eventos.



