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Torcedora do Atlético e filho são ofendidos e agredidos por dono de cadeira cativa na Arena MRV

Professora e filho de 12 anos sofreram discriminação social e agressão enquanto assistiam ao jogo entre Atlético e Flamengo; homem atirou copo de cerveja na mulher por considerá-la pobre

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Marcos, de 12 anos, foi pela primeira vez a um jogo do Atlético na Arena MRV • Arquivo Pessoal

O que era para ser uma "noite dos sonhos" se tornou um pesadelo. E isso não tem nada a ver com a derrota do Atlético, por 4 a 2, para o Flamengo. Na última quarta-feira (3), mãe e filho passaram por enorme constrangimento no setor de cadeiras cativas da Arena MRV, estádio do Galo em Belo Horizonte.

"Eu estava na cadeira destinada corretamente pelo meu ingresso, quando comecei a ouvir algumas ofensas logo após o início da partida, de um senhor que estava duas fileiras atrás de nós. Meu filho estava de pé quando o senhor gritou com ele para sentar, que havia pagado R$ 40 mil pela cadeira, que não queria olhar e vê-lo. Meu menino sentou, mas o senhor não parou de nos xingar. Ele falou muitas ofensas, sobre nossa posição social e a dele, continuou falando que gente igual a mim e meu menino não deveríamos nem estar ali", relata Regina à Itatiaia.

"Ele chegou a me dizer que iria me retirar de lá na porrada se nossa presença continuasse a incomodá-lo. Para evitar, levantei para retirar o cartaz do meu filho do vidro do parapeito, porque eu não queria problemas, pois era um dia feliz. Era para ser uma noite linda. Então, eu levantei para pegar o cartaz, e o senhor levantou e me agrediu com um copo de cerveja, que ele arremessou no meu rosto. Todos os torcedores que estavam perto de nós se levantaram para intervir e me defender diante da agressão, e o senhor continuou vindo para cima de mim, ameaçando me bater, fazendo gestos com os punhos fechados", acrescentou.


Regina e o filho Marcos durante jogo do Atlético na Arena MRVAinda de acordo com a professora, seguranças do estádio chegaram ao local e retiram o homem. Os profissionais a consolaram, deram todo suporte possível naquele momento e se mostraram solícitos. Ela foi orientada a prestar um boletim de ocorrência na delegacia do estádio, mas, pensando em não estragar mais ainda o sonho do filho, preferiu continuar acompanhando a partida. Naquele momento, ambos estavam muito assustados.

"Não sei se terei outra oportunidade de voltar ao estádio para ver outro jogo. Decidi não ir à delegacia, mesmo com o apoio de outros torcedores que presenciaram a cena. O agressor continuou se dirigindo à minha pessoa de forma pejorativa, mesmo com os seguranças por perto. A ação da segurança foi pegar meus dados pessoais para registrar o fato e retiraram o agressor do local onde estávamos", conta Regina.

"Fui acolhida pelos outros torcedores que também são donos de cadeiras cativas e alguns me relataram que outros episódios de agressão com este senhor já aconteceram outras vezes, e que quase acabaram em ações mais violentas", finalizou.

Posicionamento do Atlético

A reportagem procurou o Atlético para saber qual será a postura do clube neste caso ocorrido durante um jogo do Campeonato Brasileiro. O clube afirma estar ciente da situação, mantém contato com a torcedora e enfatiza que o acontecimento será investigado.

Assim que tudo for apurado, a diretoria tomará as medidas cabíveis. Durante este processo, o clube garante que dará suporte necessário à mãe e também ao menino.

Esse foi o segundo caso de preconceito registrado na Arena MRV no jogo entre Atlético e Flamengo. No primeiro, também relatado pela Itatiaia, um torcedor do Atlético fez gestos racistas em direção a flamenguistas na arquibancada. O caso está sendo investido pela Polícia Civil e contará com a colaboração do clube.

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Henrique André é repórter multimídia e setorista do Atlético na Itatiaia. Acumula passagens por Uol Esporte, Jornal Hoje em Dia e outros veículos. Participou da cobertura de grandes eventos, como Copas do Mundo (2014-18), Olimpíada (2016-2021) e Mundial de Clubes (2025).

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