Nath Fiúza | Atlético dá sinais positivos contra o Bahia, mas elenco curto limita ambições
Galo não conseguiu segurar a vitória em partida diante do Bahia na Arena MRV

Após 51 dias sem entrar em campo, o Atlético voltou a atuar diante do Bahia, pelo Campeonato Brasileiro, e ficou no empate por 1 a 1. O resultado teve gosto amargo. Afinal, o Galo jogava em casa, saiu na frente do placar e deixou escapar a vitória. Mas, olhando para os 90 minutos, o empate acabou sendo justo. O Atlético foi superior no primeiro tempo; enquanto o Bahia cresceu na etapa final e criou as melhores oportunidades até chegar à igualdade.
A longa intertemporada gerou expectativa por uma evolução coletiva da equipe. Ao mesmo tempo, a janela de transferências bastante discreta naturalmente freava o entusiasmo do torcedor. E o que se viu em campo foi justamente o reflexo dessas duas realidades: um time mais organizado, mas ainda limitado pelas peças que tem à disposição.
Taticamente, pouca coisa mudou. Eduardo Domínguez manteve a estrutura no 3-5-2 com a bola. Natanael fechava a linha de três zagueiros ao lado de Ruan e Lyanco na saída de jogo. No meio, Tomás Pérez e Maycon eram os volantes. Lá na frente, cinco jogadores: Cuello pela direita, Victor Hugo e Bernard buscando o jogo por dentro, Cassierra como centroavante, e Renan Lodi dando amplitude pela esquerda.
O desenho era o mesmo. O encaixe, porém, foi melhor.
O Atlético conseguiu criar boas oportunidades. O gol de Ruan Tressoldi nasceu em uma bola parada, após escanteio cobrado por Bernard, mas antes disso o time já havia produzido ofensivamente. Cuello chegou mais de uma vez à linha de fundo, Cassierra teve oportunidades para finalizar, e a equipe conseguiu acelerar as jogadas com mais frequência do que vinha fazendo antes da pausa.
Talvez o aspecto mais positivo tenha sido justamente a intensidade apresentada no primeiro tempo. O Atlético ganhou disputas no meio-campo, pressionou e conseguiu jogar em velocidade. Virou agora candidato ao título? Evidentemente que não. Mas mostrou algo que vinha faltando há bastante tempo: competitividade.
O segundo tempo, entretanto, trouxe de volta a realidade do elenco.
Quando o Bahia passou a controlar mais a partida e empurrou o Atlético para trás, ficou evidente a falta de alternativas. Eduardo Domínguez olhou para o banco e simplesmente não tinha um jogador capaz de mudar o rumo do jogo. Dudu, Cissé e Reinier entraram, cumpriram suas funções, mas não alteraram o cenário da partida. O treinador, inclusive, sequer utilizou as cinco substituições — um detalhe que, para mim, diz muito mais sobre a falta de opções do que sobre uma escolha tática.
É justamente aí que mora o principal limite deste Atlético.
O time parece mais organizado, mais competitivo e mais preparado para fazer jogos equilibrados. Mas continua longe de ter um elenco capaz de sustentar voos maiores ao longo de um Campeonato Brasileiro de 38 rodadas.
É verdade que o Brasileirão é equilibrado e que a distância para o G-4 hoje é de apenas cinco pontos. Mas, olhando para o futebol apresentado até aqui e comparando o Atlético com os principais concorrentes, parece difícil imaginar uma posição que não seja intermediária na tabela.
Hoje, a sensação é clara: o Atlético tem condições de competir com qualquer adversário. O problema é que, na maioria das vezes, só competir não será suficiente para vencer - vai precisar também de mais qualidade.
Nathália Fiuza é comentarista da Rádio Itatiaia e escreve diariamente aqui.



