Prefeitura de Juazeiro recolhe estátua de Daniel Alves após recomendação do MP
Monumento foi vandalizado em mais de uma oportunidade durante o julgamento do caso de estupro

A Prefeitura do município baiano de Juazeiro recolheu, nesta segunda-feira (29), a estátua de Daniel Alves, ex-jogador do São Paulo, Barcelona e Seleção Brasileira. A medida foi tomada após recomendação do Ministério Público da Bahia (MP-BA), na última sexta-feira (26).
Natural do município baiano, o ex-jogador do Barcelona e da seleção brasileira foi condenado na Espanha a quatro anos e seis meses de prisão por estupro de uma mulher de 23 anos. Em liberdade provisória até o trânsito em julgado, ele alega inocência e afirma que a relação foi consensual.
A recomendação do MP-BA se baseia na Lei Nº 6.454/1977, que normatiza sobre o uso de recursos públicos para aquisição e instalação de monumentos de pessoas vivas. Procurada pelo Estadão, a prefeitura afirmou que “irá recolher a obra nos próximos dias”, sem especificar data. A administração municipal tem 30 dias para cumprir a recomendação.
A remoção do monumento, inaugurado em 2020, é pedida pelos moradores desde o ano passado, quando Daniel Alves foi preso preventivamente sob a acusação de estupro. As demandas ocorrem especialmente pelas redes sociais e ganharam força após a condenação do atleta. Em fevereiro, a prefeitura de Juazeiro afirmou que não iria se manifestar sobre o assunto até a conclusão do tema, tendo em vista que o jogador entrou com um pedido de apelação, e informou que não havia recebido pedidos oficiais para a retirada da obra.
Produzida pelo artista plástico Leo Santana, a estátua está localizada na região central do município e exibe Daniel Alves em tamanho real com a camisa da seleção brasileira e uma bola de futebol nos pés. Inaugurada em 2020, a obra foi vandalizada diversas vezes após a prisão do jogador.
Pouco tempo depois de o caso vir à tona, o monumento amanheceu com um saco preto na região da cabeça, enrolado com fita adesiva Em fevereiro deste ano, o monumento foi visto coberto com manchas brancas, cuja limpeza foi realizada pela prefeitura de Juazeiro. No mês seguinte, a estátua foi pichada e acabou sendo limpa por uma mulher que alegou ser prima do atleta.
- Daniel Alves é condenado a 4 anos e meio de prisão por estupro;
- Justiça da Espanha permite liberdade provisória a Daniel Alves;
- Daniel Alves deixa prisão em Barcelona após pagamento de fiança;
- MP da Espanha entra com recurso contra liberdade de Daniel Alves
Relembre o caso
No dia 30 de dezembro de 2022, uma jovem de 23 anos denunciou ter sido abusada por Daniel Alves, na boate Sutton, na Espanha.
A ação teria acontecido em uma área privada da balada. Lá, a jovem estava com uma prima e uma amiga, quando foram convidadas para tomar drinks com Daniel Alves e um amigo que o acompanhava. A princípio, elas rejeitaram o convite, mas acabaram aceitando pela insistência dos dois.
Enquanto estavam juntos, Daniel tentou se aproximar e abraçar a vítima, e chegou a pegar a mão da vítima e passar em suas partes íntimas.
Por volta das 3h20 da manhã (horário local), Daniel chamou a vítima com um gesto e a trancou no banheiro, onde aconteceu o crime.
“Lembro que ele se sentou e eu disse que teria que ir [embora]. Lembro que ele levantou meu vestido e me fez sentar no colo dele. E começou a me falar muitas coisas. Ele insistiu para que eu dissesse que eu era a p* dele. E a partir daquele momento eu resisti. Ele puxou meu vestido e me fez sentar no colo dele”. Essa foi a fala da jovem durante o depoimento, divulgado pelo programa ‘Y Ahora Sonsoles’. Ao dizer que não queria manter relações sexuais com o ex-atleta, a jovem começou a ser agredida por ele. A recusa causou raiva em Daniel, que agarrou a mulher pelo pescoço e deu diversos tapas nela.
“Ele tentou fazer com que eu fizesse sexo oral nele. Fui me afastando, até que ele me agarrou pelo pescoço e começou a me dar tapas”. Segundo o MP, a vítima teria pedido várias vezes para deixar o local, mas foi impedida. Depois de toda a ação do ex-jogador, a mulher foi deixada na boate, onde desmaiou, até que uma equipe da boate ajudou a jovem.
Condenação
Daniel Alves foi condenado a quatro anos e meio de prisão, além de uma liberdade supervisionada de cinco anos. A juíza do caso, Isabel Delgado, também estipulou que fosse paga uma indenização de 150 mil euros e ordenou que Daniel Alves ficasse afastado da vítima por nove anos. As custas processuais também ficarão a cargo de Alves.
Jornalista pela PUC Minas, Filipe Sodré é repórter multimídia no portal Itatiaia Esporte. Antes, passou por LANCE! e Esporte News Mundo. Tem experiência na cobertura esportiva diária, além de vídeos e podcasts.
Jornalista pela PUC Minas, Pedro Leite é repórter do portal Itatiaia Esporte. Tem experiência na cobertura diária de portais, redes sociais e jornal impresso. Apaixonado por futebol, já passou pelo Superesportes.




