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Justiça toma decisão após acusação contra Ronaldinho Gaúcho sobre esquema de pirâmide

Decisão da Justiça do Trabalho do Rio Grande do Norte afasta responsabilidade do ex-jogador em ação que envolve empresa investigada por suspeita de pirâmide financeira

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Ronaldinho na Copa do Mundo de 2026
Ronaldinho na Copa do Mundo de 2026 • Divulgação/Fifa

A Justiça do Trabalho do Rio Grande do Norte determinou que Ronaldinho Gaúcho não terá de responder por uma condenação superior a R$ 1,7 milhão relacionada à 18K Ronaldinho. A informação foi publicada pelo site Uol nesta quarta-feira (21). O ex-jogador havia sido acusado de participar dos bastidores da empresa, investigada por suspeita de envolvimento em um esquema de pirâmide financeira.

O processo tramitou na 10ª Vara do Trabalho de Natal. Ao analisar o caso, a juíza substituta Symeia Simião da Rocha concluiu que não havia elementos suficientes para atribuir ao ex-atleta funções de administração ou controle sobre as atividades da companhia.

A discussão teve origem em uma ação movida por Rhafael Horácio Nunes de Oliveira. Embora constasse formalmente como sócio da empresa, ele alegou que exercia a função de supervisor de logística e que sua inclusão na sociedade servia para ocultar uma relação de emprego. O autor também sustentou que Ronaldinho estaria entre os responsáveis pela condução do negócio, mesmo sem aparecer oficialmente como sócio.

A tese, porém, não foi aceita em relação ao ex-jogador. A documentação apresentada por sua defesa apontou que o acordo firmado com a companhia previa apenas a utilização de sua imagem na promoção de uma coleção de relógios. Para a Justiça, esse vínculo comercial não comprovava participação na administração empresarial.

O Ministério Público do Trabalho também havia defendido a exclusão de Ronaldinho do processo.

Responsável pela gestão

Na versão apresentada pela defesa do ex-atacante, a condução das empresas estava a cargo de Marcelo Lara Marcelino. A magistrada acolheu esse entendimento e identificou o empresário como administrador de fato da 18K Ronaldinho Comércio e Participações e da 18KWatches Holdings, consideradas integrantes de um mesmo grupo econômico.

Marcelino e as duas empresas não apresentaram defesa na ação. A Justiça reconheceu que Rhafael havia sido colocado formalmente como sócio para encobrir uma relação de trabalho e determinou o pagamento de cerca de R$ 1,3 milhão em direitos trabalhistas e indenização por danos morais.

A responsabilidade pelo pagamento foi atribuída solidariamente ao empresário e às duas companhias. Quando somados honorários e encargos previdenciários, os valores ultrapassam R$ 1,7 milhão. A condenação, portanto, não inclui Ronaldinho.

Ausência em audiência

Ronaldinho e seu advogado não compareceram à audiência de instrução realizada em 28 de agosto. Por esse motivo, a Justiça aplicou a confissão ficta aos réus, mecanismo que permite considerar verdadeiros os fatos alegados pela parte contrária.

Ainda assim, a juíza avaliou que os documentos apresentados anteriormente pela defesa eram suficientes para afastar essa presunção no caso do ex-jogador.

Ronaldinho sustentou no processo que nunca fez parte do quadro societário das empresas. Também afirmou que encerrou o contrato depois de perceber problemas relacionados ao empreendimento e que foi vítima do uso indevido de sua imagem por terceiros. Ele já havia prestado esclarecimentos ao Ministério Público de São Paulo como testemunha.

Investigação parlamentar

A 18K Ronaldinho atuou entre 2018 e 2019, período em que explorou comercialmente o nome do ex-jogador para divulgar relógios. O modelo de operação também envolvia marketing multinível e criptomoedas.

A empresa foi investigada pela CPI das Pirâmides Financeiras, que recomendou, em 2023, a abertura de processos criminais e o indiciamento de envolvidos. O negócio também passou a enfrentar ações judiciais em diferentes regiões do país.

Em fevereiro, sócios da companhia foram condenados pelo Tribunal de Justiça de São Paulo a devolver valores a investidores. Ronaldinho prestou depoimento à comissão parlamentar, mas não integra formalmente a sociedade.

Os registros das duas empresas citadas no processo trabalhista foram baixados na Receita Federal no segundo semestre de 2019.

Carreira de Ronaldinho Gaúcho

R10 atuou profissionalmente de 1998 a 2015, tendo conquistado Copa do Mundo, em 2002, com a Seleção Brasileira, Uefa Champions League, com o Barcelona-ESP, em 2006, e Copa Libertadores, com o Atlético.

Ronaldinho foi eleito o melhor jogador do mundo pela Fifa em 2004 e 2005. Ele atuou por Grêmio, Paris Saint-Germain-FRA, Barcelona, Milan-ITA, Flamengo, Atlético, Fluminense e Querétaro-MEX, além da Seleção.

Atualmente, Ronaldinho tem uma carreira como produtor musical e músico, além de fazer jogos festivos pelo mundo. O ex-jogador, inclusive, assinou com o Ravenna-ITA, clube da Terceida Divisão Italiana no qual é acionista, inicialmente para disputa de partidas amistosas.

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Rômulo Giacomin é repórter multimídia da Itatiaia. Formado pela UFOP, tem experiência como repórter de cidades da Região dos Inconfidentes, e, na cobertura esportiva, passou por Esporte News Mundo, Estado de Minas, Premier League Brasil e Trivela.

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