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Galvão Bueno relembra 'rivalidade' com Luciano do Valle e revela acordo na Globo

Velhos amigos, narradores da TV brasileira foram concorrentes na mesma emissora e em outros veículos

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No Roda Viva, Galvão Bueno relembrou 'rivalidade' com Luciano do Valle • TV Cultura/Reprodução

Amigos de longa data e concorrentes na televisão brasileira, Galvão Bueno e Luciano do Valle acirraram a briga por audiência por um grande período e se consagraram como nomes históricos da narração. Entrevistado do Roda Viva, da TV Cultura, Galvão relembrou a "rivalidade" e um acordo feito pela Globo.

Em 1981, Galvão deixou a Band e acertou com a Globo, principalmente para narrar as corridas da Fórmula 1 e a Copa do Mundo, na Espanha. No entanto, à época, Luciano do Valle era o principal narrador da emissora e, por isso, ficou responsável por comandar as transmissões da Seleção Brasileira no Mundial.

Segundo Galvão, a preferência da Globo por Luciano naquele momento era justa e não trouxe nenhum tipo de ciúme. Após a Copa, Luciano foi contratado pela Record e abriu caminho para Bueno ganhar ainda mais espaço na maior emissora do país.

"O Luciano era um profissional magnífico. Sempre fomos rivais, sempre lutamos por cada ponto de audiência, mas sempre fomos amigos. Então, ele ia à minha cabine, eu ia à cabine dele, a gente jantava junto. Eu sempre gostei muito de vinhos, ele também. Aí o pessoal dele dizia que 'o Luciano paga uns vinhos melhores do que o Galvão paga para o pessoal dele'. Era uma brincadeira. O Luciano foi muito importante no meu crescimento profissional, como eu também fui para ele. Essa coisa de querer vencer, mas dentro de uma lealdade total e absoluta", afirmou Galvão.

Acordo com a Globo

Durante a entrevista, Galvão reviveu a divisão feita pela Globo para que os dois narradores dessem voz aos principais eventos transmitidos. Isso aconteceu na final da Copa Libertadores de 1981, vencida pelo Flamengo, e no Mundial de Clubes do mesmo ano, também conquistado pelo Rubro-Negro.

"Quando eu saí da Band, fizemos a temporada de Fórmula 1 em 1980 e, em 1981, o Boni levou de volta para a Globo e me levou junto. Aí foi feito um acordo. Eu tinha que respeitar o tempo de casa e a história do Luciano na Globo. O acordo era o seguinte: em 1982, a Seleção seria dele, a Fórmula 1 seria minha. Os outros, nós dividimos jogo a jogo, isso desde 1981. Quando cheguei em setembro, fiz o primeiro jogo da final da Libertadores, ele fez o segundo e o terceiro. Eu fiz a final do Mundial entre Flamengo e Liverpool. Era dividido mesmo", completou.

Mágoa na Copa do Mundo de 1986

Se a preferência por Luciano não incomodou Galvão no Mundial de 1982, o narrador não ficou satisfeito com a decisão da chefia em não escalá-lo para narrar o Brasil na competição na Argentina, em 1986.

"Dois profissionais que queriam fazer o melhor. Eu não ter feito o Brasil na Copa de 1982 era uma coisa normal e justa. Não me pareceu tanto assim em 1986, mas o Osmar Santos, a importância do Osmar…ele sofreu um acidente terrível, uma parte do cérebro, a voz. Eu achava, sim, que era o meu momento. Mas também pensava que ia chegar, foi só para a Copa, uma questão comercial. Nada a ver com o Osmar, com a grandeza do Osmar, mas pensei que não foi legal. Mas 'vamos embora, 1990 vem aí'. E veio", encerrou.

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Leonardo Garcia Gimenez é repórter multimídia na Itatiaia. Natural de Arcos-MG e criado em Iguatama-MG. Passou também pela Record Minas.

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