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Estadual de 1984 teve o maior erro de regulamento da Era Mineirão, numa lista que conta com a edição 2023

Impacto é pequeno, pois o Mineiro está na primeira fase, mas toda correção de regra com torneio andando abala credibilidade

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Campeonato Mineiro chega à reta final da fase classificatória enfrentando a polêmica sobre os cruzamentos das semifinais
Campeonato Mineiro chega à reta final da fase classificatória enfrentando a polêmica sobre os cruzamentos das semifinais • Divulgação / Cruzeiro

O Campeonato Mineiro chega à reta final da fase classificatória enfrentando a polêmica sobre os cruzamentos das semifinais da competição, que teve uma definição no Conselho Técnico, mas uma redação diferente no regulamento específico do torneio.

Não é novidade problemas envolvendo os regulamentos do Estadual de Minas Gerais, mas dificilmente acontecerá uma tão longa como a vivida em 1984.

O Atlético era hexacampeão mineiro, maior sequência de títulos na Era do Profissionalismo, pois levantou a taça entre 1978 e 1983.

Na edição do Campeonato Mineiro de 1984, o Cruzeiro já tinha vencido o turno, e se ganhasse o returno, seria campeão mineiro de forma direta, interrompendo a série do rival.

A decisão do returno envolvia o Galo, que segundo o confuso regulamento da Federação Mineira de Futebol (FMF) jogava por dois resultados iguais, e a Raposa, que no primeiro jogo da final, em 5 de dezembro de 1984, aplicou uma goleada por 4 a 0.

Em 9 de dezembro, cada clube tinha uma interpretação do regulamento. Para os atleticanos, resultados iguais era jogar por dois empates ou vitória e derrota, independentemente do placar.

Os cruzeirenses, e a própria FMF, entendiam que o saldo de gols tinha de ser considerado no caso de uma vitória para cada lado. E foi este o cenário que aconteceu, pois o Atlético ganhou a segunda partida decisiva do returno de 1984 por 1 a 0, com um gol de Reinaldo.

E a decisão do título mineiro de 1984 foi parar nos tribunais. Depois de uma batalha de quase seis anos, o Cruzeiro só foi declarado oficialmente campeão em setembro de 1990.

O caso de 2023 é muito menos grave, até porque a Ata do Conselho Técnico do Módulo I desta temporada prevê que os cruzamentos nas semifinais serão entre o primeiro colocado geral contra o único segundo colocado de uma das três chaves, com os outros dois clubes, que serão vencedores de seus respectivos grupos, se enfrentando.

Além do primeiro colocado no geral, o outro semifinalista com melhor campanha na fase classificatória terá a vantagem de dois empates ou vitória e derrota pela mesma diferença de gols.

Na final, o time com melhor campanha na primeira fase do Campeonato Mineiro carregará a vantagem.

O estrago é menor pelo fato de a correção de rota ter acontecido antes de se ter a definição da fase classificatória. Mas de toda forma, o Estadual de 2023 entra na lista das polêmicas provocadas pelo regulamento.

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Alexandre Simões é coordenador do Departamento de Esportes da Itatiaia e uma enciclopédia viva do futebol brasileiro