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Documentação irregular de jogador provocou a única divisão de título da história do Campeonato Mineiro  

Em 1956, Atlético escalou jogador de forma irregular na decisão contra o Cruzeiro

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Centro Atleticano de Memória
Centro Atleticano de Memória • Em 1956, pela única vez na história, o Campeonato Mineiro teve dois campeões, pois o Atlético escalou um jogador com documentação irregular e o Cruzeiro ganhou ação na Justiça Desportiva

A semana de abertura do Campeonato Mineiro começa marcada pela incerteza, pois a disputa judicial entre Ipatinga e Betim pelo posto de segundo representante do Módulo II de 2022 na elite nesta temporada é uma ameaça real à competição.

Isso é fruto de uma ilegalidade alegada pelo Betim, que garante ter havido falsificação de assinaturas de atletas em carteiras de trabalho para que o Ipatinga, vice-campeão do Módulo II 2022, pudesse cumprir prazos na inscrição dos seus jogadores na Federação Mineira de Futebol (FMF) e Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Em julgamento no Tribunal de Justiça Desportiva (TJ-MG), o Betim não teve sua tese aceita, pois o órgão se declarou incompetente para o mérito. O recurso do clube da Região Metropolitana não foi julgado no ano passado e isso só acontecerá nesta segunda-feira (16).

A história lembra muito o fato que fez com que o Campeonato Mineiro, pela única vez na sua história, tivesse dois campeões. Isso aconteceu em 1956, ano em que a competição foi decidida numa final direta entre Atlético e Cruzeiro.

Após empates nas duas primeiras partidas da melhor de três, o Galo fez 1 a 0 no terceiro jogo, resultado que lhe garantiria o título, que era o pentacampeonato, numa sequência iniciada em 1952.

Mas o Cruzeiro recorreu ao TJD-MG alegando que o jogador atleticano Laércio tinha participado do segundo jogo decisivo de forma irregular, pois sua documentação não estava legalizada. Perdeu na instância estadual, mas o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) deu razão à Raposa e determinou a marcação de um quarto jogo.

A FMF cumpriu a determinação, mas o Atlético não aceitou e recorreu para não jogar. Só em março de 1959 a questão, iniciada em junho de 1957, já que o Estadual de 1956 invadiu o ano seguinte, foi resolvida. A proposta do Conselho Nacional do Desporto (CND) de divisão do título foi aceita pelos dois clubes.

Assim, por causa de um documento irregular de um jogador atleticano, o Campeonato Mineiro de 1956 tem dois campeões. Em 2023 a decisão de atender aos dois clubes é impossível, até pela fórmula de disputa do Módulo I. E a competição, na semana do seu início, tem como marca a indefinição, algo que atenta fortemente contra o lado comercial de um produto que sofre mais um grande golpe num momento em que os Estaduais são alvos de contestação em todo o Brasil.

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Alexandre Simões é coordenador do Departamento de Esportes da Itatiaia e uma enciclopédia viva do futebol brasileiro